Imagens-aranha: memória e sobrevivência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/extraprensa2025.238494

Palavras-chave:

Imagem técnica, Memória, Violência do Estado, Necropolítica, Estudos trans

Resumo

Este ensaio contém a investigação da complexa sobrevivência (Nachleben) e do impacto cultural de quatro fotografias de Juca Martins que documentam a violência policial contra travestis em São Paulo, nos anos 1980. Partindo da distinção entre os “rondões” e a notória Operação Tarântula, de 1987, o conceito de “imagem-aranha” é proposto para analisar como tais imagens, enquanto agentes ativos, tecem uma teia que conecta tempos e legitima a violência. Mobilizando o arcabouço teórico de Georges Didi-Huberman (imagem-ato), Aby Warburg (Pathosformel) e Christoph Wulf (aprendizado mimético), argumenta-se que essas fotografias funcionam simultaneamente como acontecimento, fantasma e ritual, ensinando a abjeção e perpetuando uma necropolítica que assombra a democracia brasileira.

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Biografia do Autor

  • Diogo Azoubel, Universidade Federal do Acre

    Professor de Jornalismo na Universidade Federal do Acre. Jornalista por formação, é doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e possui pós-doutorado em Ciências da Informação pela Universidade de Brasília. 

     

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Publicado

2025-11-28

Edição

Seção

Imagens e ditadura – relações entre estética e política

Como Citar

Azoubel, D. (2025). Imagens-aranha: memória e sobrevivência. Revista Extraprensa, 19(Especial), e025018. https://doi.org/10.11606/extraprensa2025.238494