A experiência do fracasso: a dupla causa do erro no estoicismo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1981-9471.v19i1p144-170Palavras-chave:
Estoicismo, epistemologia, ontologiaResumo
Segundo o estoicismo, a natureza nos dotou de razão, permitindo-nos, por meio da função das impressões catalépticas, perceber o mundo verdadeiramente. No entanto, a maioria das pessoas se desvia desse ideal. Para explicar isso, os estoicos identificam duas causas: (a) a persuasão das impressões e (b) os ensinamentos de nossos semelhantes. Embora Galeno e Posidônio questionem a validade dessas causas, e muitos estudiosos destaquem sua complexidade, este artigo visa fornecer uma fundamentação estoica mais profunda para elas.
Como proponho, abordar essas duas causas requer uma análise abrangente de vários aspectos da ontologia, epistemologia e causalidade estoicas. Este artigo argumenta que a persuasão das impressões está enraizada, por um lado, na intrincada estrutura causal do mundo estoico e nas semelhanças entre as interações causais que nossa alma estabelece com a virtude e os externos preferíveis e, por outro lado, na semelhança entre as afeições experimentadas tanto nas paixões quanto nas emoções virtuosas — especificamente, a experiência de expansão e contração da alma quando ganhamos ou somos privados de algo.
Além disso, argumentarei que a influência de associados afeta nossos julgamentos avaliativos devido ao poder causal das crenças, que é continuamente reforçado pela persuasão de impressões relevantes. Para fundamentar essas conclusões, um exame detalhado tanto da teoria estoica da causalidade quanto do status dos dizíveis na ontologia estoica é essencial.
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