Desafios estruturais das construções com verbo leve 'dar' diminutivas: Revisitando Scher (2004), Medeiros (2008, 2010) e Alves (2016, 2022)
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-9419.v27i2e-241191Palavras-chave:
Construção diminutiva, Diminutivização, Construção com verbo leve, Nominalização, Morfologia DistribuídaResumo
Este artigo analisa as construções com verbo leve (CVLs) ‘dar’ no português brasileiro que apresentam efeito diminutivo (e.g., “dar uma olhada”). Sob a perspectiva da Morfologia Distribuída, o trabalho revisa criticamente as propostas de Scher (2004), Medeiros (2008) e Alves (2016, 2022), argumentando que a formalização da diminutivização e seus limites estruturais ainda carecem de explicação plena no modelo. Visando sanar parte desse problema, propõe-se uma nova estrutura para as nominalizações em ‘–da’, argumentando que elas não possuem natureza participial, visto que rejeitam a sua alomorfia irregular (e.g., “dar uma abrida/*aberta”). A análise passa também pela demonstração de que o efeito diminutivo não parece inerente a essas nominalizações, mas, na verdade, indica ser dependente do estabelecimento da CVL com ‘dar’. Adicionalmente, contesta-se a necessidade do artigo indefinido para a leitura diminutiva, evidenciando que o efeito persiste mesmo com determinantes definidos. A partir disso, por fim, conclui-se da revisão da literatura que a produção da diminutivização deve depender da interação entre o verbo leve e seu nome complemento, indicando a necessidade de abordagens que integrem esses elementos, a fim de captar a abrangência e as restrições dessas construções com interpretação diminutiva.
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