Contando raízes: análise dos numerais cardinais do português na perspectiva da Morfologia Distribuída

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2176-9419.v27i2e-242890

Palavras-chave:

Numeral, Morfologia Distribuída, Semântica, Raiz

Resumo

Este artigo propõe uma análise da derivação de numerais cardinais no português a partir da perspectiva da Morfologia Distribuída e argumenta em favor do conteúdo semântico das raízes. A partir da descrição dos dados, a análise defende que as raízes que formam os numerais têm um conteúdo semântico que consiste na cardinalidade que expressa. Assim, o significado das palavras derivadas depende do significado nuclear subespecificado da raiz e da estrutura em que ela está inserida. Em português, numerais podem ser argumentos (“três é um número primo”) ou predicados, (“eu vi os dois meninos”). Nesta análise, isso é explicado pela categorização da raiz, que pode ser realizada por um nominalizador ou um adjetivizador. Foram analisados numerais simples e numerais complexos. O primeiro tipo se refere àqueles formados a partir de uma raiz e um categorizador (“nove”, “quarenta”, “cem”); enquanto o segundo se refere àqueles formados por uma composição (“dezesseis”, “duzentos”), coordenação (“vinte e três”) e adjunção (“dois mil”). Proponho que há na Lista 3 instruções de interpretação de numerais complexos que refletem o conhecimento enciclopédico sobre o funcionamento do sistema decimal. Assim, a restrição sobre a seleção de raízes é explicada a partir do conteúdo semântico da raiz e do conhecimento enciclopédico.

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Publicado

2026-01-12

Como Citar

Vignado, J. (2026). Contando raízes: análise dos numerais cardinais do português na perspectiva da Morfologia Distribuída. Filologia E Linguística Portuguesa, 27(2), e-242890. https://doi.org/10.11606/issn.2176-9419.v27i2e-242890