A infraestrutura invisível da governança: rituais como recursos comunicacionais e sociais indispensáveis nos conselhos de administração
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2965-7474.v1i7p22Palavras-chave:
Governança Corporativa, Rituais Organizacionais, Comunicação Organizacional, Conselhos de Administração, Inteligência ColetivaResumo
Este artigo está associado ao campo da governança corporativa e da comunicação organizacional, inscrevendo-se no debate interdisciplinar que articula ciências gerenciais e ciências humanas. O objeto de investigação é a dimensão simbólica e interacional que orienta as instâncias máximas de poder nas corporações, analisando especificamente o papel e a função estruturante dos rituais nas dinâmicas dos conselhos de administração. O objetivo principal consiste em demonstrar teoricamente que os rituais são recursos comunicacionais e sociais indispensáveis para o funcionamento eficaz desses colegiados, atuando como ferramentas primordiais para a mitigação de vieses cognitivos e para a consolidação de um ambiente de franqueza e inteligência coletiva. A pesquisa baseia-se em revisão bibliográfica interdisciplinar, articulando teóricos da governança — Sandra Guerra, Ram Charan, Jeffrey Sonnenfeld, Richard Leblanc, Randall S. Peterson, Stanislav Shekshnia e Reid Hoffman — com conceitos basilares da Antropologia — Arnold Van Gennep, Victor Turner, Claude Lévi-Strauss e, no contexto contemporâneo, Roberto DaMatta —, tomando como eixo central a tese presente no artigo Rituais, Conselhos e Deuses, do Professor Dr. Paulo Nassar (Aberje, 2026). O artigo está estruturado em três partes: a primeira investiga a natureza singular dos conselhos de administração como sistemas sociais; a segunda examina os fundamentos antropológicos do conceito de ritual e sua aplicabilidade ao contexto organizacional; a terceira demonstra como práticas rituais específicas funcionam como dispositivos de confiança, franqueza, identidade coletiva e aprendizagem nos conselhos.
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