O sistema pronominal em italiano e português brasileiro: os clíticos entre as variantes de realização do objeto anafórico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2238-8281.i48p35-63

Palavras-chave:

pronomes clíticos, objeto anafórico, pronome nulo, italiano, português brasileiro

Resumo

No artigo, adota-se uma abordagem de tipo contrastivo para comparar o português brasileiro e o italiano com o objetivo de identificar semelhanças e diferenças com relação: (i) ao paradigma dos pronomes clíticos, com foco nas formas de 3ª pessoa, e (ii) às variantes de realização do objeto anafórico alternativas aos clíticos, tais como o pronome nulo (ou categoria vazia) e os pronomes tônicos. Após especificar quais propriedades determinam a complexidade do microssistema dos clíticos em italiano em termos morfológicos, sintáticos e pragmáticos, apresentamos as formas dos pronomes tônicos e clíticos de 3ª pessoa de caso acusativo e dativo (e suas combinações) do italiano e do português brasileiro, considerados em suas variedades diatópicas, diafásicas e diastráticas. Em seguida, sintetizamos os resultados dos principais estudos sobre as variantes de realização do objeto anafórico em português brasileiro, comparadas com as correspondentes variantes disponíveis (ou não) em italiano. Por fim, oferecemos uma reflexão sobre as razões pelas quais o domínio dos clíticos italianos representa para os aprendizes brasileiros um verdadeiro desafio de aquisição.

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Biografia do Autor

  • Manuela Lunati, Sem registro de afiliação
    Manuela Lunati, possui graduação em Comunicação pela Universidade de Bologna, com tese em Semiótica Textual. Conseguiu Mestrado em Didática do Italiano como Língua Não Materna pela Universidade para Estrangeiros de Perugia e um Doutorado em Língua, Literatura e Cultura Italianas pela Universidade de São Paulo (USP) em convenção com a Universidade La Sapienza de Roma. Realizou pesquisas sobre temas quais a aquisição dos pronomes clíticos italianos, a avaliação de erros, o uso dos alocutivos, as políticas para a educação linguística e o papel dos dialetos.   
  • Adriana Mendes Porcellato, Universidade de São Paulo

    Possui doutorado pelo Programa de Língua, Literatura e Cultura Italianas da Universidade de São Paulo (USP) em convênio com o Programa de Doutorado em Linguística da La Sapienza Università di Roma (Itália). Em seus estudos, investigou o papel da pragmática e da cultura no ensino de línguas estrangeiras (italiano e inglês), com foco na análise e desenvolvimento de material didático. Atuou como professora substituta de italiano junto à Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2021 e junto à Universidade de São Paulo (USP) em 2022-2023.

  • Elisabetta Santoro, Universidade de São Paulo

    É graduada em Línguas e Literaturas Estrangeiras na Università degli Studi di Bari (alemão/ inglês) e em Tradução na Ruprecht-Karls Universität de Heidelberg (alemão/italiano/português). Mestrado e doutorado foram concluídos na Universidade de São Paulo (USP), na qual desde 2003 é docente da Área de Língua e Literatura Italiana. Seus principais interesses de pesquisa são: aquisição, aprendizagem e ensino do italiano L2, pragmática linguística, semiótica narrativa e discursiva e relações Itália-Brasil, Sobre esses temas publicou artigos e ensaios. É presidenta da Associação Brasileira de Professores de Italiano (ABPI), membro da diretoria da Associação Internacional de Professores de Italiano (AIPI) e sócia de outras associações científicas da área. É líder do Grupo de Pesquisa “Pragmática (inter)linguística, cross-cultural e intercultural” (GPP/CNPq/Fapesp) e vice-líder do Grupo de Pesquisa “Língua, Identidade e Memória: o italiano dos Italianos do Brasil” (GLIM/CNPq), além de pesquisadora do LEER (Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da Universidade de São Paulo).

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Publicado

04/21/2024

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Lunati, M., Porcellato, A. M., & Santoro, E. (2024). O sistema pronominal em italiano e português brasileiro: os clíticos entre as variantes de realização do objeto anafórico. Revista De Italianística, 48, 35-63. https://doi.org/10.11606/issn.2238-8281.i48p35-63