Estudos e apontamentos sobre o dialeto ítalo-paulistano: um balanço crítico
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2238-8281.i50p165-182Palavras-chave:
Dialeto ítalo-paulistano , Imigração italiana, Macarronismo, Juó BananéreResumo
O chamado dialeto ítalo-paulistano, presumida variedade linguística de contato que teria surgido no contexto da migração italiana em São Paulo durante as primeiras décadas do século XX, é mencionado com frequência por estudiosos e escritores. Desse dialeto, contudo, não temos praticamente nenhum registro documental consistente. Um reduzido número de estudos ou apontamentos são utilizados como base para reconhecer sua existência. O presente artigo realiza um balanço crítico desse conjunto de estudos e apontamentos, identificando a definição de dialeto que cada autor utiliza e como eles interpretam o contexto linguístico paulistano, especialmente da população de origem italiana. No mesmo sentido, avaliamos como esses estudos abordam o problema da coleta de dados e como seu procedimento está relacionado a uma pluralidade de sentidos do termo dialeto e a uma delimitação imprecisa do objeto. Nosso objetivo principal é identificar as premissas e fundamentos desses estudos e relacioná-los com o contexto teórico dos estudos dialetais no Brasil, sobretudo a partir de O dialecto caipira de Amadeu Amaral (1920), e com a consolidação da classificação de dialeto ítalo-paulistano para se referir a representações literárias da linguagem dos ítalo-paulistanos em textos cômicos como os de Juó Bananére ou nas crônicas de Alcântara Machado.
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