“A ilha já não se via”: uma análise do cronotopo bakhtiniano em A ilha de Arturo, de Elsa Morante

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DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2238-8281.v0i51p74-96

Palavras-chave:

Elsa Morante, Romance de formação, Cronotopo, Bildungsroman

Resumo

Partindo do conceito de cronotopo do encontro, elaborado por Mikhail Bakhtin (1895 - 1975), o presente artigo pretende iluminar os encontros e desencontros do personagem principal de A ilha de Arturo, romance de Elsa Morante, a fim de demonstrar como eles são determinantes para o enlace e desenlace de seu enredo. O teórico russo ressalta a importância da associação entre a formação do homem e a formação histórica do mundo, sobretudo entre as categorias de espaço e tempo, a partir das quais aconteceriam, segundo nossa hipótese, os momentos estruturantes do enredo do romance. Publicado em 1957, a obra de Morante narra, em primeira pessoa, as lembranças da infância e adolescência do protagonista na ilha de Prócida, baía de Nápoles. A jornada de formação de Arturo é intrinsecamente ligada aos encontros e desencontros do personagem com as pessoas que o cercam, configurando-se como momentos determinantes na narrativa. Buscaremos, portanto, ilustrar os componentes do cronotopo do encontro no romance de Elsa Morante a fim de verificar sua relevância na articulação da trama.

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Biografia do Autor

  • Amanda Domiciano da Silveira, Universidade de São Paulo

    Amanda Domiciano da Silveira possui graduação em Letras: português e italiano pela Universidade de São Paulo (USP) e o título de mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas pela mesma instituição. Foi bolsista CAPES e desenvolveu no mestrado uma pesquisa sobre o romance de formação em A ilha de Arturo, da escritora Elsa Morante.

  • Adriana Iozzi Klein, Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

    Adriana Iozzi Klein é professora do Departamento de Letras Modernas e do Programa de Pós-graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas da Universidade de São Paulo (USP). Graduada em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), com especialização em Literatura Italiana pela Universidade de Florença, mestrado e doutorado na área de Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado pela Universidade de Bolonha, dedica-se ao estudo da literatura italiana moderna e contemporânea, da teoria literária e das relações entre escritores italianos e brasileiros, com trabalhos publicados no Brasil e no exterior.

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Publicado

31-12-2024

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Silveira, A. D. da ., & Klein, A. I. . (2024). “A ilha já não se via”: uma análise do cronotopo bakhtiniano em A ilha de Arturo, de Elsa Morante. Revista De Italianística, 51, 74-96. https://doi.org/10.11606/issn.2238-8281.v0i51p74-96