“A ilha já não se via”: uma análise do cronotopo bakhtiniano em A ilha de Arturo, de Elsa Morante
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2238-8281.v0i51p74-96Palavras-chave:
Elsa Morante, Romance de formação, Cronotopo, BildungsromanResumo
Partindo do conceito de cronotopo do encontro, elaborado por Mikhail Bakhtin (1895 - 1975), o presente artigo pretende iluminar os encontros e desencontros do personagem principal de A ilha de Arturo, romance de Elsa Morante, a fim de demonstrar como eles são determinantes para o enlace e desenlace de seu enredo. O teórico russo ressalta a importância da associação entre a formação do homem e a formação histórica do mundo, sobretudo entre as categorias de espaço e tempo, a partir das quais aconteceriam, segundo nossa hipótese, os momentos estruturantes do enredo do romance. Publicado em 1957, a obra de Morante narra, em primeira pessoa, as lembranças da infância e adolescência do protagonista na ilha de Prócida, baía de Nápoles. A jornada de formação de Arturo é intrinsecamente ligada aos encontros e desencontros do personagem com as pessoas que o cercam, configurando-se como momentos determinantes na narrativa. Buscaremos, portanto, ilustrar os componentes do cronotopo do encontro no romance de Elsa Morante a fim de verificar sua relevância na articulação da trama.
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