Narrativa movediça e tempo subjetivo no romance A consciência de Zeno: confluências entre Literatura e Psicanálise
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2238-8281.v0i54p103-122Palavras-chave:
Italo Svevo, Memória, Psicanálise, TemporalidadeResumo
Italo Svevo é um escritor cuja obra mergulha profundamente nos enigmas da percepção e da realidade, explorando a complexidade da mente humana e da condição existencial. Seu romance “A consciência de Zeno” conecta-se a questões universais, como a natureza do tempo, da memória e da subjetividade. O autor convida o leitor a embarcar em uma jornada de questionamentos e descobertas, segundo a qual a linearidade do tempo é desconstruída e a psique humana é exposta em suas múltiplas camadas. Na obra, o tempo é tratado como uma experiência fluida e fragmentada em que passado, presente e futuro se entrelaçam. Essa abordagem encontra eco na psicanálise freudiana para a qual o inconsciente opera em um tempo que lhe é próprio, subjetivo. Neste trabalho, exploramos algumas conexões entre o romance e a teoria de Freud, com foco na fragmentação do tempo psicológico e no papel da memória como elemento central para a compreensão da mente humana. Neste artigo, pretendemos mostrar como Svevo, ao desafiar as convenções narrativas de seu tempo, oferece uma visão inovadora da subjetividade, alinhando-se às ideias freudianas sobre o inconsciente e a experiência do tempo. Concluímos que Svevo, ao desconstruir a linearidade temporal pelo viés da poética do inconsciente, antecipa conceitos freudianos sobre o inconsciente. A literatura de Svevo não apenas reflete, mas também amplia o entendimento psicanalítico da condição humana, destacando a relevância de sua obra para os estudos que focalizam os diálogos entre Literatura e Psicanálise.
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