Entre o link e o vórtice: poéticas do pós-hipertexto
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v39i1p234-255Palabras clave:
Literatura digital, Hipertextualidade, QR conto, LeitorResumen
Este artigo investiga a literatura digital contemporânea a partir da transição do hipertexto verbal para os hipertextos imagéticos e os QR contos. Adotando a metodologia qualitativa baseada na revisão bibliográfica e na análise interpretativa dos textos selecionados, a primeira parte do desenvolvimento discute os hipertextos imagéticos como evolução dos verbais, destacando o deslocamento da palavra para a imagem e a emergência de uma leitura interativa. Posteriormente, são apresentados os QR contos, que radicalizam a experiência pós-hipertextual ao codificar minicontos densos e impactantes, o que exige do leitor uma ação técnica e performativa. Entre os teóricos, destacam-se: Wolfgang Iser, cujas noções de jogo e desfamiliarização desafia o leitor a compreender estruturas não convencionais; George Landow, que discute os fundamentos e características do hipertexto; Henry Jenkins, com sua ideia de convergência midiática; Lucia Santaella, que reflete sobre multissensorialidade e ciberliteratura; Katherine Hayles, que analisa a leitura como prática incorporada a sistemas tecnológicos; e Ramon Tessmann, que define o ciberespaço como ambiente afeito à experimentação e rapidez da tecnologia digital. Ao longo do estudo, demonstra-se como a ciberliteratura redefine o papel do leitor, tornando-o descobridor e coautor da obra. A interatividade única e a síntese dos QR contos, assim como a lógica conectiva e rizomática do hipertexto, instauram uma nova dinâmica da leitura, que entrelaça linguagem, tecnologia e corpo. Assim, conclui-se que esses textos ampliam o alcance da literatura e propõem novas formas de presença, autoria e leitura, desafiando os limites da escrita tradicional e consolidando a ciberliteratura na experimentação estética e crítica.
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