Il Comunista de Guido Morselli e a Crise das Utopias

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2237-1184.v0i42p%25p

Palavras-chave:

Guido Morselli (1912-1973), Literatura Italiana, realismo político, crise institucional

Resumo

Este artigo examina Il comunista (1964), de Guido Morselli, discutindo como a rotina parlamentar funciona como laboratório da erosão de sentido. O foco recai sobre Walter Ferranini, que, alheio ao debate, converte a observação de um outro parlamentar em gatilho de uma deriva introspectiva e de crescente ceticismo em relação a disciplina partida ria e a capacidade representativa das instituições. Argumento que o percurso do protagonista culmina numa experiência de desaparição de sentido (“signifying nothing”), próxima da voz monologante de Dissipatio H.G., mas produzida aqui por condições históricas e políticas específicas. Ao contrapor a crise historicizada de Il comunista a evacuação alegórica de Dissipatio, o artigo busca evidenciar duas modalidades morsellianas de estranhamento. O romance, assim, reconfigura o realismo político ao converter gestos banais em indício da falência da mediação institucional.

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Biografia do Autor

  • Maurício Santana Dias, Universidade de São Paulo

    Maurício Santana Dias é livre-docente em Letras Modernas e Estudos da Tradução na USP, com pós-doutorado pela Università degli Studi di Roma “La Sapienza” (2008-2009) e pela Sorbonne Nouvelle Paris 3. Traduziu e organizou mais de 80 títulos. Em 2020, recebeu o “Premio Nazionale per la Traduzione” do Ministério da Cultura e do Turismo da Itália (MIBACT). Em 2022, recebeu o “Prêmio Paulo Rónai” da FBN pela tradução do Inferno, de Dante Alighieri (tradução com E. F. Brito e P. F. Heise).

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Publicado

2026-03-03

Edição

Seção

Romance e Conto

Como Citar

Maurício Santana Dias. (2026). Il Comunista de Guido Morselli e a Crise das Utopias. Literatura E Sociedade, 33(42). https://doi.org/10.11606/issn.2237-1184.v0i42p%p