Da sala escura à cena histórica: Ferreira Gullar e o Cinema Novo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2237-1184.v0i43p%25pPalavras-chave:
Ferreira Gullar, Cinema Novo, poesia brasileira moderna, engajamento político, Glauber RochaResumo
Este artigo examina a relação de Ferreira Gullar com o cinema a partir de três movimentos articulados. Inicialmente, analisa-se a presença da palavra “cinema” na obra poética de Gullar, onde ela surge predominantemente como elemento do cotidiano urbano, sem desdobramento reflexivo sobre a linguagem cinematográfica. Em seguida, acompanha-se o deslocamento dessa relação do plano poético para o da prática histórica, no contexto do engajamento político do poeta no Centro Popular de Cultura (CPC), com atenção especial ao poema João Boa-Morte e à produção do filme Cabra marcado para morrer, de Eduardo Coutinho. Por fim, investiga-se a relação complexa, simultaneamente amistosa e conflitiva, entre Ferreira Gullar e Glauber Rocha, culminando na leitura do poema “Glauber morto”, no qual a morte é enfrentada como interrupção radical, sem compensação simbólica. Argumenta-se que, embora não ocupe lugar central na poética de Gullar enquanto forma artística, o cinema desempenha papel decisivo como experiência histórica, política e afetiva ao longo de sua trajetória intelectual.
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