O que quer, o que pode a poesia de Gullar: Limites da palavra entre a vida e a morte
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2237-1184.v0i43p%25pPalavras-chave:
Ferreira Gullar, fazer poético, morte, efemeridade, permanênciaResumo
O texto analisa a poesia de Ferreira Gullar a partir da tensão entre a consciência da morte e a reflexão sobre o fazer poético, observando como esses dois eixos se entrelaçam ao longo de sua obra. Enquanto o sujeito lírico rejeita a estagnação da linguagem e aspira a uma poesia viva, integrada ao presente, ao mesmo tempo questiona sua capacidade de resistir à efemeridade. O estudo percorre brevemente a trajetória do autor desde as primeiras obras até o engajamento político, destacando a oscilação entre a crença na potência transformadora da poesia e o ceticismo quanto à sua eficácia. Nas obras posteriores, intensifica-se a presença da morte, associada à transitoriedade, e a poesia assume outro timbre. O horizonte de transformação desloca-se do plano social para o interior do poema. Embora persista a desconfiança em relação aos limites da linguagem, Gullar concebe a poesia como espaço de elaboração simbólica e de expressão de uma voz múltipla e coletiva, capaz de dar forma à experiência e constituir uma busca de resistência diante da finitude.
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Referências
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