Da noite veloz à vertigem do dia: políticas do ritmo em Ferreira Gullar
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2237-1184.v0i43p%25pPalabras clave:
Ferreira Gullar, forma poética, ritmoResumen
O ensaio deseja esboçar um comentário analítico em torno do livro Na vertigem do dia (1980), a fim de examinar brevemente como parte dos poemas reunidos por Ferreira Gullar no final da década de 1970 opera um equilíbrio tenso entre correntes opostas no interior do seu próprio trabalho. Acredita-se que, ao integrar o verso métrico como parâmetro implícito de construção de formas à primeira vista livres, o poeta realiza, ao invés da exclusão binária, a sobreposição do “construtivismo” e da “espontaneidade”, tendências quase sempre rivais no panorama poético do Brasil de então. A plasticidade estética daí derivada, porém, ao mesmo tempo que parece representar um amadurecimento do ponto de vista formal, mostra-se ideologicamente informada por certo recuo participativo e uma relativa reificação do sujeito, dando a ver, para os primeiros anos de redemocratização lenta, gradual e segura, uma nova política do ritmo.
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