Variações Dialéticas sobre o concerto barroco de Alejo Carpentier
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2237-1184.v0i42p%25pPalavras-chave:
Alejo Carpentier, Antonio Vivaldi, Barroco, Ópera, Montezuma, VenezaResumo
Este ensaio pretende analisar o romance Concerto Barroco (1974), de Alejo Carpentier, como experimento modernista em que o Barroco é simultaneamente forma estética e problema histórico da América Latina. A viagem do comerciante mexicano e do criado Filomeno ao carnaval veneziano reinscreve a Conquista do México na economia europeia do espetáculo, onde o trauma se transforma em enredo operístico neutralizado pela exigência convencional do lieto fine. O libreto de Giusti para a ópera Motezuma, de Vivaldi, é lido como sintoma das contradições entre a representação da violência histórica e as convenções, também históricas, da própria representação artística da história. Pretende-se também mostrar como o romance contrasta palco e plateia, ironiza os mecanismos de verossimilhança, suspende a temporalidade cronológica e faz do grito “falso” um gatilho de consciência histórica, deslocando, ao modo surrealista, o sentido de identidades e representações. Por fim, o ensaio retoma a relação entre ópera, história e poder, comparando outras versões operísticas da conquista (Graun, Spontini, Rihm) e destacando o gesto original de Carpentier: introduzir um sujeito americano que observa a Europa enquanto ela o representa.
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