A mentira e a autobiografia: formas da crítica, formas da ficção
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2448-1769.mag.2023.214245Palavras-chave:
Autobiografia, Silviano Santiago, mentira, crítica literáriaResumo
Este ensaio busca apresentar as diferentes formulações ao redor do vinco entre autobiografia e experiência vivida, ou ainda, entre mentira, vida e obra. Assim, Silviano Santiago, a um só tempo teórico e ficcionista, vem à baila como um operador para as discussões que se sucedem. Parte-se de alguns textos fundamentais para as discussões em torno do gênero autobiográfico para tentar, de maneira inicial, traçar algumas linhas que norteiam o debate sobre sua formação histórica. Desse modo, a relação entre verdade e mentira revela-se uma dimensão central para o escrutínio crítico dos limites e horizontes dessa forma escritural. Ao fazer uso dos diversos registros, heterogêneos em si, no limite, precisa-se haver com a problematização quase secular do estatuto da escrita autobiográfica e com a maneira pela qual esse gênero é posto em discussão e acotovelado em algumas incursões de Silviano Santiago.
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