Uma pedra em flor no Regionalismo: leitura de "O sertanejo falando", de João Cabral de Melo Neto
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2448-1769.mag.2025.235808Palavras-chave:
Modernismo, Regionalismo, Poética do silêncio, João Cabral de Melo NetoResumo
O presente artigo realiza uma leitura cerrada do poema “O sertanejo falando”, de João Cabral de Melo Neto, publicado em A educação pela pedra (1966). O poema é compreendido como um paradigma das formas de representação do modo de enunciação do sertanejo dentro da tradição moderna da literatura regionalista: ora, a fala é edulcorada e “doce” — como no estilo de Guimarães Rosa —, ora é áspera e esburacada — como em Vidas secas (1937), de Graciliano Ramos. João Cabral elabora, neste poema, uma síntese dessas instâncias — entre céu e inferno, nos termos de Alfredo Bosi —, além de desdobrar temas caros à sua própria poética. Nesse sentido, o poema pode ser visto como um posto avançado da poética cabralina na mesma medida em que estabelece profícuos diálogos com a tradição moderna do regionalismo brasileiro.
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