Chamada - dossiê nº 60: Teorias e críticas do arquivo.
“A história é a variação dos sentidos. [...] Não existe sequer um acontecimento, um fenômeno, uma palavra, nem um pensamento cujo sentido não seja múltiplo” (Gilles Deleuze, Nietzsche et la Philosophie).
Nas dissertações que integram a Genealogia da Moral [Zur Genealogie der Moral], Friedrich Nietzsche apresenta uma das mais instigantes questões sobre a produção do conhecimento: a história de uma “coisa” é a de quantas forças e quantos nomes assenhoram-se dela e interpretam-na. O mesmo pode-se dizer, por efeito, que uma palavra terá tantos sentidos quantos contextos e interpretações lhe sejam aplicadas.
As duas últimas décadas evidenciaram o interesse crescente pela temática do “arquivo” nas ciências humanas e nos estudos artísticos/literários, assim como em processos de criação nas diversas linguagens e suportes. Ao mobilizarem representações materiais e simbólicas de documentos, acervos, coleções e dispositivos de organização da informação, fazem do “arquivo” uma palavra que desliza de um campo a outro no pensamento contemporâneo. Significando, por vezes, diferentes “coisas”, tornou-se um objeto teórico polissêmico, não circunscrito a uma única disciplina, à medida que se multiplicam os saberes e se diversificam as apropriações do arquivo.
O repertório atual sobre o tema é enriquecido pelas diversas contribuições dos campos das letras e artes, ciências humanas e sociais aplicadas, assim como de contextos plurais de produção de saber. Acreditamos, portanto, na constituição de uma polifonia em torno dessa palavra, em que diferentes vozes possam abordá-la sem que qualquer delas se imponha como instância de autoridade sobre as outras.
Serão bem-vindas propostas que não somente apliquem a bibliografia, mas que apresentem uma abordagem metacrítica sobre teorias, métodos e interpretações do arquivo e dialoguem com os seguintes temas:
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Teoria arquivística moderna e pós-moderna.
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Princípios arquivísticos e tratamento documental: desafios práticos à teoria.
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Interdisciplinaridade no processamento técnico de arquivos.
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Noções de “documento”, “arquivo”, “documento arquivístico”, “documento de arquivo”, “ego-documentos”, dentre outras.
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Transição digital de arquivos físicos/analógicos e documentos nato-digitais.
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Curadoria, custódia e gestão documental na sociedade contemporânea.
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Fundamentos éticos e jurídicos do trabalho arquivístico.
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Teorias e críticas da edição de documentos: filologia, crítica textual e crítica genética.
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Obras e processos de criação que teorizam esteticamente sobre o arquivo.
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Críticas do arquivo no pensamento contemporâneo.
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Epistemes não ocidentais, o viver comunitário e a teoria arquivística.
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Estatuto do arquivo nos estudos históricos e (auto)(sócio)biográficos: fabulação, memória e informação.
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O arquivo nos estudos linguísticos e discursivos (sincrônicos e diacrônicos).
Referências:
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