A última em uma longa linhagem: a cleptomania literária na construção de doze
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2596-2477.i57p140-163Palavras-chave:
Sarah Kane, 4.48 Psicose, Cleptomania literáriaResumo
Avessa a rótulos e fórmulas prontas, Sarah Kane desejava explodir o teatro, talvez até literalmente: sua obra dramatúrgica criou uma fissura importante na cena britânica. Sua estreia com Blasted provocou críticas violentas e misóginas que afetaram a recepção das peças seguintes — Phaedra’s Love, Cleansed e Crave. A busca de Sarah Kane pela visceralidade teatral subverteu categorias consideradas imperativas pelos críticos britânicos, alcançando o ápice em 4.48 Psychosis: nesse último trabalho, não há mais enredo, personagens ou rubricas, pois as fronteiras entre forma e conteúdo foram dissolvidas. É também em 4.48 que Sarah nomeia uma das suas práticas mais importantes, a cleptomania literária — que é justamente o disparador do processo de criação do solo doze., desenvolvido durante pesquisa de mestrado em 2023. A proposta deste texto, desenvolvido a partir da comunicação apresentada no 16º Congresso Internacional da Associação dos Pesquisadores em Crítica Genética, é compartilhar rastros da trajetória de criação de doze., um processo que envolveu não apenas os aspectos teatrais e cênicos, mas também as questões da teoria literária e dos estudos tradutológicos, integrando-os ao trabalho de atuação e performance e seus aspectos ao mesmo tempo técnicos e subjetivos.
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