O Manuscrito Adelaide Ristori e o Texto Publicado da Tradução de Dom Pedro II do Episódio do Conde Ugolino da Divina Comédia: Qual Representa a Vontade do Autor?
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2596-2477.i36p60-87Palavras-chave:
Dom Pedro II, Adelaide Ristori, Manuscrito, Tradução e processo de criação, Divina Comédia.Resumo
O imperador Dom Pedro II do Brasil, além de chefe de Estado, possuía um notável interesse pelas artes e pela literatura e era cônscio da importância delas para a consolidação política e cultural da nação no contexto pós-colonial de um país em formação. No mundo das letras demonstrava particular apreço pela obra de Dante Alighieri cujo estudo e a tradução foram tarefas que empreendeu desde cedo. Suas traduções da Divina Comédia foram publicadas em 1889 e, até então, são consideradas os textos finais dessas. No entanto, no estudo que fiz dos manuscritos da tradução do Monarca do episódio do conde Ugolino, do canto XXXIII do “Inferno”, juntei ao dossiê genético um manuscrito que ele havia enviado a atriz Adelaide Ristori, em 1869. A análise comparativa desse manuscrito com os demais autógrafos e com o texto publicado em 1889 gerou dúvidas se este realmente é a escritura final do Imperador. Diante disso, o presente artigo, ao fazer um exame do processo criativo de Dom Pedro II e dos dados que o estudo aponta, objetiva, ao discuti-los, lançar luzes sobre a questão de qual desses dois textos representa a vontade do autor.
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