Ler os manuscritos de Lima Barreto
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2596-2477.i40p112-123Palavras-chave:
Lima Barreto, Clara dos Anjos, Crítica Genética, Diário, AutoficçãoResumo
Apenas nos últimos anos a crítica genética passou a ser um instrumento para a leitura da ficção de Lima Barreto — e, ainda assim, de maneira muito incipiente. Desde seus contemporâneos, a recepção de sua literatura sempre caminhou por uma trilha muito particular, retomando referenciais biográficos do escritor como chaves de leitura do seu trabalho ficcional — sendo seu primeiro biógrafo, Francisco de Assis Barbosa, expoente dos estudos que partem desse viés. Mais recentemente, o caminho inverso também vem sendo empreendido: a busca, em sua ficção, de elementos que possam preencher “lacunas” biográficas — a antropóloga Lilia M. Schwarcz, por sua vez, encabeça esse movimento. A retomada dos manuscritos de Lima Barreto aparece, nesse sentido, como melhor meio de se enfatizar seu trabalho com o texto. Em 1976, Osman Lins já havia dedicado um estudo a destrinchar a construção literária de Lima, marginalizando tais projeções biográficas. A crítica genética surge como herdeira dessa trilha de leitura e se encarrega de produzir novas possibilidades de se ler Lima Barreto. A partir de Clara dos Anjos, este artigo sintetiza as leituras passadas e dá contornos a novas possibilidades de recepção da literatura do escritor carioca, enfatizando seu processo de (re)escritura.Downloads
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