É virtual, mas o impacto será real: a face perversa do Metaverso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v20i1p277-300

Palavras-chave:

Metaverso, perversão, psicanálise, subjetividade, objeto-fetiche

Resumo

Este artigo propõe-se a destacar, com base no modelo psicanalítico da perversão, os desafios da comunicação utilizada pela empresa de Mark Zuckerberg, para apresentar o Metaverso ao mundo. A investigação parte da análise de filmetes publicitários divulgados pela Meta, com interesse especial no enunciado final desses anúncios: “O Metaverso pode ser virtual, mas o impacto será real”. Demonstra-se como tal proposição se encaixa na fórmula Mannoniana da perversão e como o projeto de Zuckerberg se enquadra, perfeitamente, no movimento identificado como perversão generalizada, que prega o gozo sem limite. Esta investigação seguiu uma abordagem metodológica bibliográfica qualitativa, aplicando-se ao recorte investigativo a análise discursivo-textual. O resultado desse percurso aponta que o Metaverso, ao atuar como um gigantesco objeto-fetiche, simboliza a propensão perversa de funcionamento social na pós-modernidade.

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Biografia do Autor

  • Cecilia Maria da Costa Leite, Universidade Federal do Maranhão

    Possui graduação em Comunicação Social/Jornalismo e Radialismo pela Universidade Federal do Maranhão (1991) e graduação em Letras pela Universidade Federal do Maranhão (1991), mestrado em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2001) e doutorado em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010). Atualmente, é Diretora Geral da TV UFMA, professora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Maranhão e Coordenadora do Laboratório de TV do Curso de Rádio e TV da UFMA. Pós-doutorado em Comunicação e Psicanálise, na Université de Nice Côte d’Azur, na França.

  • Jean-Michel Vives, Universidade de Nice Sofia Antipolis

    Membro da Association Insistance, Paris, e do Corpo Freudiano Escola de Psicanálise Seção Rio de Janeiro. Professor de Psicopatologia Clínica na Universidade de Nice Sofia Antipolis, é também dramaturgo e músico, com especial interesse pela ópera e a prática teatral. Além dos livros A voz na clínica psicanalítica (2012) e Variações psicanalíticas sobre a voz e a pulsão invocante (2018), tem artigos publicados nos livros A céu aberto: o inconsciente na clínica das psicoses, Dimensões do despertar na psicanálise e na cultura, Futuros da psicanálise e Lacan e a formação do psicanalista.

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Publicado

2026-04-30

Edição

Seção

Em Pauta/Agenda

Como Citar

Costa Leite, C. M. da, & Vives, J.-M. (2026). É virtual, mas o impacto será real: a face perversa do Metaverso. MATRIZes, 20(1), 277-300. https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v20i1p277-300