A tira de homenagem como gênero textual: características e particularidades
DOI:
https://doi.org/10.11606/2316-9877.Dossie.2025.e242618Palavras-chave:
Gêneros textuais, Tira de homenagem, Mafalda (personagem), Estrutura Potencial do Gênero, Ruqaiya Hasan.Resumo
Os gêneros importam, são uma resposta otimizada a demandas de comunicação cotidiana e institucionalizadas, o que nos faz agilizar processos de leitura e escrita de textos orais, escritos e multimodais (Bezerra, 2022). Logo, a presente pesquisa objetiva configurar gêneros, no caso a tira de homenagem, apresentada brevemente por Ramos (2014). Pautados no aporte teórico-metodológico sistêmico-funcional de Hasan (2024 [1989]), analisamos 20 tiras de homenagem dos 50 anos de Mafalda, a fim de entendê-las como um gênero próprio através da configuração de sua Estrutura Potencial (EPG). Concluímos, que, diante da Configuração Contextual (CC) particular – campo: homenagear um personalidade, evento ou personagem; relações: autor (desenhistas) e leitores; modo: texto multimodal –, o gênero se configura com a seguinte Estrutura Potencial: (a) elementos obrigatórios Homenagem, Cor, Personagem Homenageado e Assinatura Autoral; (b) elementos opcionais Declaração, Onomatopeia, Metáfora visual, Título, Recordar acontecimentos em forma de narração; e (c) elementos iterativos Encontro de personagens, legenda, linhas e traços, legenda iterativa, balão, sarjeta e requadro. A tira de homenagem ao se configurar por elementos obrigatórios particulares, portanto, configura-se como um gênero próprio, diferente da tira cômica, cômica seriada, livre, autobiográfica e de aventura.
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