Comunicação e autismo: fundamentos para a pesquisa comunicacional do espectro
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2238-7714.no.2025.e140113Palavras-chave:
Autismo, Comunicação, Estudos críticos do autismo, Teorias da comunicaçãoResumo
O artigo analisa a comunicação como campo de estudo em construção no Brasil, especialmente em relação ao autismo. Organiza a discussão em três frentes: os manuais médicos e estudos de linguagem sobre comunicação no autismo; o que os estudos de comunicação dizem sobre o tema; e o autismo como desafio conceitual para a área. Observa-se que a comunicação autista é vista de forma reducionista nos manuais, o autismo é pouco explorado nas pesquisas em comunicação, e não há uma definição única para a comunicação no autismo. O artigo conclui que as especificidades do autismo, somadas às lacunas do campo da comunicação, abrem espaço para novas abordagens a partir de uma metateoria das tensões comunicacionais.
Downloads
Referências
Abreu, T. (2022). O que é neurodiversidade?. Cânone Editorial.
Adghirni, Z. L. (2006). O lugar do jornalismo na comunicação. Líbero, (17), 51-62. https://seer.casperlibero.edu.br/index.php/libero/article/view/748
APA - American Psychiatric Association. (2014). DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais.
Artmed Editora.
ASHA - American Speech-Language-Hearing Association. (2015). Definition of Communication and
Appropriate targets. https://www.asha.org/njc/definition-of-communication-and-appropriate-targets/
ASHA - American Speech-Language-Hearing Association. (2023). Components of Social Communication. https://www.asha.org/practice-portal/clinical-topics/social-communication-disorder/components-of-social-communication/
Anderson, D. K., Lord, C., Risi, S., DiLavore, P. S., Shulman, C., Thurm, A., Welch, K., & Pickles, A. (2007). Patterns of growth in verbal abilities among children with autism spectrum disorder. Journal of Consulting and Clinical
Psychology, 75(4), 594–604. https://doi.org/10.1037/0022-006X.75.4.594
Baron-Cohen, S. (2006). The hyper-systemizing, assortative mating theory of autism. Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry, 30(5), 865-872. https://doi.org/10.1016/j.pnpbp.2006.01.010
Beals, K. P. (2022). Why we should not presume competence and reframe facilitated communication: a critique of Heyworth, Chan & Lawson. Evidence-Based Communication Assessment and Intervention, 16(2), 66-76. https://doi.org/10.1080/17489539.2022.2097872
Berberian, A. P. (2001). Linguagem e fonoaudiologia: uma análise histórica. Distúrbios da Comunicação, 12(2). https://revistas.pucsp.br/dic/article/download/11566/22772
Berlo, D. K. (1977). Communication as process: Review and commentary. Annals of the International Communication Association, 1(1), 11-27. https://doi.org/10.1080/23808985.1977.11923667
Bohn, M., Kachel, G., & Tomasello, M. (2019). Young children spontaneously recreate core properties of language in a new modality. Proceedings of the National Academy of Sciences, 116(51), 26072-26077. https://doi.org/10.1073/pnas.1904871116
Braga, J. L. (2010). Nem rara, nem ausente-tentativa. Matrizes, 4(1), 65-81. https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v4i1p65-81
Braga, J. L. (2017). Comunicação gerativa: um diálogo com Oliver Sacks. Matrizes, 11(2), 35-55. https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v11i2p35-55
Braga, J. L. (2020). Teorias intermediárias: uma estratégia para o conhecimento comunicacional. Matrizes, 14(2), 101-117. https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v14i2p101-117
Chapman, R. (2023). Empire of normality: Neurodiversity and capitalism. Pluto Press.
Davidson, J. (2008). Autistic culture online: Virtual communication and cultural expression on the spectrum. Social & Cultural Geography, 9(7), 791-806. https://doi.org/10.1080/14649360802382586
Davidson, J., & Orsini, M. (2013). Critical autism studies: Notes on an emerging field. In M. Orsini & J. Davidson (Eds.), Worlds of autism: Across the spectrum of neurological difference (pp. 1-28). University of Minnesota Press.
Debetto, F. do V. G., & Saldanha, G. S. (2023). Transtorno do espectro autista e tautismo: Uma questão de prefixo? Epistemicídio e capacitismo na análise crítica à infocomunicação. Encontros Bibli, 28(spe), 1-22. https://doi.org/10.5007/1518-2924.2023.e92859
Donvan, J., & Zucker, C. (2017). Outra sintonia: a história do autismo. Editora Companhia das Letras.
Fernandes, F. D. M., Molini-Avejona, D. R., & Sousa-Morato, P. F. (2006). Perfil funcional da comunicação nos
distúrbios do espectro autístico. Revista Cefac, 8(1), 20-26. https://www.redalyc.org/pdf/1693/169320516004.pdf
Ferraresi, V. (2017). Do organismo ao corpo: um estudo sobre a representação do autismo nos meios de comunicação. [Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo]. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP. https://doi.org/10.11606/D.48.2018.tde-11042018-122744
Hacking, I. (2009). Autistic autobiography. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences, 364(1522), 1467-1473. https://doi.org/10.1098/rstb.2008.0329
Jacobson, J. W., Mulick, J. A., & Schwartz, A. A. (1995). A history of facilitated communication: Science,
pseudoscience, and antiscience science working group on facilitated communication. American Psychologist, 50(9), 750. https://doi.org/10.1037/0003-066X.50.9.750
Jones, W., & Klin, A. (2009). Heterogeneity and homogeneity across the autism spectrum: the role of development. Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, 48(5), 471–473. https://doi.org/10.1097/CHI.0b013e31819f6c0d
Klin, A. (2011). A new way to diagnose autism - Ami Klin [Vídeo]. TED-Ed. https://www.youtube.com/watch?v=b-J8d1zfRIM.
Klin, A., Lin, D. J., Gorrindo, P., Ramsay, G., & Jones, W. (2009). Two-year-olds with autism orient to non-social
contingencies rather than biological motion. Nature, 459(7244), 257–261. https://doi.org/10.1038/nature07868
Koegel, L. K., Bryan, K. M., Su, P. L., Vaidya, M., & Camarata, S. (2020). Definitions of nonverbal and minimally verbal in research for autism: A systematic review of the literature. Journal of Autism and Developmental Disorders, 50(8), 2957–2972. https://doi.org/10.1007/s10803-020-04402-w
Koyama, T., Tachimori, H., Osada, H., Takeda, T., & Kurita, H. (2007). Cognitive and symptom profiles in Asperger’s syndrome and high‐functioning autism. Psychiatry and Clinical Neurosciences, 61(1), 99–104. https://doi.org/10.1111/j.1440-1819.2007.01617.x
Lacerda, L. (2017). Luz, Câmera, Estereótipo-Ação! A representação do autismo nas séries de TV. Revista Espaço Acadêmico, 17(193), 13-22. https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/33887
Llaneza, D. C., DeLuke, S. V., Batista, M., Crawley, J. N., Christodulu, K. V., & Frye, C. A. (2010). Communication,
interventions, and scientific advances in autism: A commentary. Physiology & Behavior, 100(3), 268–276. https://doi.org/10.1016/j.physbeh.2010.01.003
Lopes, B. A. (2023). Autismo e educação nas páginas dos jornais Folha de São Paulo e Jornal do Brasil nos anos 1980. Atos de Pesquisa em Educação, 18, 1-21. https://doi.org/10.7867/1809-03542022e11204
Marcondes Filho, C. (2019). A questão da Comunicação. PAULUS: Revista de Comunicação da FAPCOM, 3(5), 17-26. https://doi.org/10.31657/rcp.v3i5.87
Martino, L. M. S. (2008). A ilusão teórica no campo da comunicação. Revista FAMECOS: mídia, cultura e tecnologia, (36), 111-117. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2008.36.4423
Martino, L. M. S. (2017). Teoria da comunicação: ideias, conceitos e métodos. Vozes.
Mazefsky, C. A., & Oswald, D. P. (2007). Emotion perception in Asperger’s syndrome and high-functioning autism: The importance of diagnostic criteria and cue intensity. Journal of Autism and Developmental Disorders, 37, 1086-1095. https://doi.org/10.1007/s10803-006-0251-6
Mostert, M. P. (2001). Facilitated communication since 1995: A review of published studies. Journal of Autism and Developmental Disorders, 31, 287-313. https://doi.org/10.1023/a:1010795219886
Oates, M., McCauley, R., & Bean, A. (2024). Exploring Online Communication in Self-Identified Autistic Adolescents. Journal of Speech, Language, and Hearing Research, 67(4), 1165-1172. https://doi.org/10.1044/2024_JSLHR-23-00707
Ortega, F. (2009). Deficiência, autismo e neurodiversidade. Ciência & Saúde Coletiva, 14, 67-77. https://doi.org/10.1590/S1413-81232009000100012
Ortega, F. (2019). Comentário: “Por que não ambos?”. Negociando ideias sobre autismo na Itália, no Brasil e nos EUA. In F. Ortega, Autismo em tradução: uma conversa intercultural sobre condições do espectro autista (pp. 119-139). Papéis Selvagens
Ortega, F., Zorzanelli, R., Meierhoffer, L. K., Rosário, C. A., Almeida, C. F., Andrada, B. F. C. C. , Chagas, B. S., &
Feldman, C. (2013). A construção do diagnóstico do autismo em uma rede social virtual brasileira. Interface -
Comunicação, Saúde, Educação, 17(44), 119–132. https://doi.org/10.1590/S1414-32832013000100010
Pasek, A. (2015). Errant bodies: Relational aesthetics, digital communication, and the autistic analogy. Disability Studies Quarterly, 35(4). https://doi.org/10.18061/dsq.v35i4.4656
Passos-Santos, J. P., & Herold Junior, C. (2023). História do autismo: ideias, conceitos, práticas e instituições (1930-2010). Cadernos de História da Educação, 22. https://doi.org/10.14393/che-v22-2023-228
Ries, I. L. (2017). Grupos virtuais sobre autismo: aspectos culturais e as configurações comunicativas construídas por dispositivos interacionais. Trabalho apresentado no XIX Congresso de Ciências da Comunicação na Região
Nordeste. https://www.portalintercom.org.br/anais/nordeste2017/resumos/R57-2092-1.pdf
Ries, I. L., & Biondi, A. (2019). Autismo e a busca por reconhecimento: Conexões que enunciam as lutas de redes socioafetivas em casos do Facebook. Contracampo, 38(2). https://periodicos.uff.br/contracampo/article/view/28283
Rios, C., Ortega, F., Zorzanelli, R., & Nascimento, L. F. (2015). Da invisibilidade à epidemia: A construção narrativa do autismo na mídia impressa brasileira. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, 19(53), 325–336. https://doi.org/10.1590/1807-57622014.0146
Runswick-Cole, K., Mallett, R., & Timimi, S. (Eds.). (2016). Re-thinking autism: Diagnosis, identity and equality. Jessica Kingsley Publishers.
Signates, L. (2016). Da exogenia aos dispositivos: roteiro para uma teorização autônoma da comunicação. Líbero, (36), 143-152. https://seer.casperlibero.edu.br/index.php/libero/article/view/51
Signates, L. (Org.). (2021a). Epistemologia da comunicação: reflexões metateóricas sobre o especificamente
comunicacional. Cegraf UFG.
Signates, L. (2021b). Desvelando o fenômeno religioso... com o Prof. Dr. Luiz Signates. Revista de Estudos
Universitários-REU, 47(2), 437-452. https://periodicos.uniso.br/reu/article/download/4879/4528
Signates, L. (2025). Metateoria das tensões comunicacionais. Cegraf/UFG.
Simmons, W. P., Boynton, J., & Landman, T. (2021). Facilitated communication, neurodiversity, and human rights. Human Rights Quarterly, 43(1), 138-167. https://doi.org/10.1353/hrq.2021.0005
Singer, J. (2017). Neurodiversity: The birth of an idea. Amazon Digital Services, LLC: Judy Singer.
Tomasello, M. (1992). The social bases of language acquisition. Social Development, 1(1), 67-87. https://doi.org/10.1111/j.1467-9507.1992.tb00135.x
Torres, E. F., Mazzoni, A. A., & Mello, A. G. de. (2007). Nem toda pessoa cega lê em Braille nem toda pessoa surda se comunica em língua de sinais. Educação e Pesquisa, 33, 369-386. https://doi.org/10.1590/S1517-97022007000200013
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2025 Luiz Signates, Tiago Abreu, Germanna Parreiras

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Proposta de Aviso de Direito Autoral Creative Commons
1. Proposta de Política para Periódicos de Acesso Livre
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution CC Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.