Experiência fantasmagórica: a câmera subjetiva como recurso atmosférico em “Presença”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2238-7714.no.2025.e140108

Palavras-chave:

atmosfera, atmosfera fílmica, câmera subjetiva

Resumo

O que é experimentar o mundo como um fantasma condenado a assombrar uma casa? Este questionamento guia a experiência afetiva de “Presença” (2025), filme de Steven Soderbergh em que a direção de fotografia transmite e materializa a perspectiva e a sensorialidade de uma entidade sobrenatural. Por meio da teoria da atmosfera fílmica, o presente artigo investiga como as dimensões técnica e simbólica da câmera dissolvem fronteiras entre o espectador e o filme; ao incorporar o ponto de vista e de experiência de um fantasma, “Presença” transforma a câmera em um agente corporal, porém imaterial, que envolve o público e amplifica a tensão emocional da narrativa. Assim, este estudo contribui para a pesquisa sobre a atmosfera cinematográfica enquanto figura fílmica interdisciplinar e holística que ressalta a importância do corpo do espectador para a experiência do cinema; e a capacidade da sétima arte em mediar entre o tangível e o intangível.

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Biografia do Autor

  • Renato Guimarães Furtado, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Mestre e Doutorando em Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Crítico de cinema formado pelo Festival Internacional de Cinema de Berlim (Rio de Janeiro, 2016). Pesquisa temas como inteligência artificial, infraestruturas e geopolítica da comunicação, cinema e crise climática

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Publicado

2025-09-25

Edição

Seção

ARTIGOS

Como Citar

Furtado, R. G. (2025). Experiência fantasmagórica: a câmera subjetiva como recurso atmosférico em “Presença”. Novos Olhares, 14, e140108. https://doi.org/10.11606/issn.2238-7714.no.2025.e140108