NOVA DATA LIMITE - Dossiê 51- Comunicação, organizações e saúde do trabalhador e da trabalhadora
Apresentação
A saúde humana é um fator primordial para os estudos sobre a inter-relação comunicação e trabalho nas organizações. Trata-se de um tema que tem sido investigado sob diversas perspectivas, cujos pesquisadores procuram evidenciar e problematizar aspectos referentes à saúde de trabalhadoras e trabalhadores em diversos contextos organizacionais.
As distintas formas de gestão e organização do trabalho, desenvolvidas ao longo do capitalismo, estabeleceram determinadas condições de trabalho que adoecem pessoas. Tendo isso em vista, aspectos objetivos e subjetivos do trabalho são considerados fundamentais nas análises de processos de saúde, cuidado, adoecimento e vulnerabilidade constituídos sob lógicas de gerenciamento do trabalho vinculadas às organizações empresariais, públicas/estatais e da sociedade civil.
Baixas remunerações, altas exigências de produtividade, excesso de jornadas, competitividade entre trabalhadores, sobrecarga de tarefas, falta de autonomia para a tomada de decisões fundamentais, ausência de diálogo entre chefias e subordinados, insuficientes explicações e instruções adequadas para a realização das tarefas, falta de condições de segurança, formas injustas de avaliação do trabalho, assédios de diferentes naturezas, dentre outros elementos, causam adoecimentos físicos e mentais a trabalhadoras e trabalhadores.
Comunicação e trabalho são atividades humanas interdependentes, das quais as organizações dependem para existir. A comunicação é mobilizada para estruturar relações de trabalho e para fazer o planejamento e a gestão do trabalho. Nesse sentido, políticas e práticas de comunicação em contextos organizacionais podem aprofundar os motivos de adoecimentos de trabalhadoras e trabalhadores ou potencializar procedimentos que possam contribuir para a sua saúde.
Neste dossiê, portanto, a proposta é colocar em debate importantes aspectos que ajudem à compreensão dos entrelaçamentos entre comunicação, trabalho e organizações, considerando resultados de pesquisas e investigações científicas interessadas na saúde humana.
TEMAS DE INTERESSE
A partir dessas ideias iniciais, propomos a autores e autoras os seguintes tópicos temáticos como orientadores para a proposição de artigos, mas que não se limitem a:
- Políticas e práticas de comunicação organizacional e relações públicas que evidenciem e problematizem a saúde do trabalhador e da trabalhadora;
- Discursos sobre a saúde do trabalhador e da trabalhadora produzidos e difundidos em diferentes contextos organizacionais;
- Questões de comunicação e saúde em relação às fronteiras entre as esferas da vida pessoal e do trabalho;
- Resistências e estratégias comunicacionais de trabalhadores e trabalhadoras contra os riscos de adoecimento e pela busca de formas para conter danos à sua saúde física e mental;
- Relações de comunicação e saúde de grupos de trabalhadores e trabalhadoras vulneráveis e de minorias sociais;
- Assimetrias de comunicação provocadas por relações de poder que causam danos à saúde de diversas categorias profissionais;
- As condições de saúde dos profissionais de comunicação, considerando as mudanças do mundo do trabalho;
- As implicações das tecnologias da informação e da comunicação (a exemplo de recursos de Inteligência Artificial) para a saúde do trabalhador e da trabalhadora em contextos organizacionais;
- As contradições da atuação das plataformas digitais de trabalho e de comunicação no que se refere à saúde do trabalhador e da trabalhadora;
- Campanhas de comunicação de combate à desinformação que envolvam questões de saúde humana;
- Práticas de comunicação em redes sociais que envolvam a saúde do trabalhador e da trabalhadora em contextos organizacionais;
- Captura da subjetividade do trabalhador e da trabalhadora de comunicação e os impactos na sua saúde mental.
REFERÊNCIAS
ARAUJO, Inesita Soares de; CARDOSO, Janine Miranda. Comunicação e saúde. Rio de Janeiro: Ed. Fiocruz, 2007.
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FIGARO, Roseli (Coord.). Como trabalham os comunicadores no contexto de um ano da pandemia de Covid-19: ...1 ano e 500 mil mortes depois. São Paulo: CPCT-ECA-USP, 2021. Disponível em: <https://acortar.link/bMOMtQ>. Acesso em: 25 ago. 2025.
GAULEJAC, Vincent de. Gestão como doença social: ideologia, poder gerencialista e fragmentação social. Aparecida, SP: Ideias e Letras, 2007.
HELOANI, José Roberto. Gestão e organização no capitalismo globalizado: história da manipulação psicológica no mundo do trabalho. São Paulo, Atlas, 2003.
LERNER, Katia; SACRAMENTO, Igor (org.). Saúde e jornalismo: interfaces contemporâneas. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2014.
SCHWARTZ, Yves.; DURRIVE, Louis. Trabalho & ergologia: conversas sobre a atividade humana. 3ª ed. Niterói: EDUFF, 2022.
SELIGMANN-SILVA, Edith. Trabalho e desgaste mental: o direito de ser dono de si
mesmo. São Paulo: Cortez, 2011.
ORIENTAÇÕES PARA AUTORAS E AUTORES
Data limite para envio de artigos: 01/06/2026.
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