Conspirar a paisagem
política como corpo-território
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2359-5361.paam.2025.250295Palavras-chave:
paisagem, infância, território, distribuição do sensível, arqueologia social inclusivaResumo
Este artigo investiga a relação entre infância, paisagem e política a partir de uma perspectiva fenomenológica e decolonial, tomando como referência o trabalho de campo realizado na Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri (Ceará). Partindo da hipótese de que uma política sem território é como uma cabeça sem corpo, propomos a noção de conspirar a paisagem (do latim con-spirare, respirar junto) como chave conceitual para compreender práticas nas quais crianças habitam, narram e reinventam o território. Mobilizando a fenomenologia de Merleau-Ponty, a partilha do sensível de Rancière, a natalidade em Arendt, a invenção do cotidiano em Certeau e epistemologias afro-indígenas, argumentamos que a Fundação constitui uma experiência de política encarnada: uma educação política dos sentidos na qual a infância não é etapa preparatória, mas forma de presença política. Como contribuição original, o artigo incorpora o referencial da arqueologia social inclusiva como prática de leitura da paisagem, pertencimento e imaginação política.
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