Registros de invasão de um lagarto e novos casos de introdução de répteis no arquipélago de Fernando de Noronha, nordeste do Brasil

Autores

  • Luís Felipe Toledo Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia, Laboratório de História Natural de Anfíbios Brasileiros (LaHNAB). Campinas, SP, Brazil
  • Taysa Rocha Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Área Temática de Pesquisa, Monitoramento e Manejo. Fernando de Noronha, PE, Brazil
  • João Victor Sulino Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Área Temática de Pesquisa, Monitoramento e Manejo. Fernando de Noronha, PE, Brazil
  • Sandra Cadengue de Santana Autarquia do Distrito Estadual de Fernando de Noronha. Rua São Miguel, S/N, Vila dos Remédios, Fernando de Noronha, PE, Brazil
  • Joelma Prado Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia, Laboratório de História Natural de Anfíbios Brasileiros (LaHNAB). Campinas, SP, Brazil
  • Geraldo Jorge Barbosa de Moura Universidade Federal Rural de Pernambuco, Laboratório de Estudos Herpetológicos e Paleoherpetológicos (LEHP). Recife, PE, Brazil
  • Roberta Richard Pinto Universidade Católica de Pernambuco, Museu de Arqueologia e Ciências Naturais, Laboratório de Diversidade de Anfíbios e Répteis (LADAR). Recife, PE, Brazil

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-9079.v25i1p85-92

Palavras-chave:

Ameaças à biodiversidade, Espécies exóticas, Espécies exóticas invasoras, Ilhas tropicais, Invasões biológicas, Répteis não-nativos, Vulnerabilidade de ecossistemas

Resumo

Vertebrados invasores são uma das principais causas de perda de biodiversidade em ilhas. O arquipélago de Fernando de Noronha, no Atlântico Sul, é altamente vulnerável, com um histórico de introduções de espécies exóticas. Embora estudos anteriores tenham documentado introduções, o status de estabelecimento de algumas espécies permanecia incerto. Este trabalho documenta a invasão do lagarto Tropidurus hispidus na ilha principal, atualizando seu status de ‘desconhecido’ para ‘estabelecido’. Compilamos 20 registros de T. hispidus entre 2019 e 2025, incluindo uma observação de 2024 de um grupo de indivíduos de diferentes idades, indicando uma população em reprodução. Os lagartos agora estão amplamente distribuídos, especialmente ao longo da costa norte. Esse estabelecimento pode representar uma ameaça potencial por meio de competição ou transmissão de doenças a outros répteis nativos. Além disso, relatamos novos casos de introdução de répteis exóticos, incluindo o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), o cágado-de-barbicha (Phrynops geoffroanus), jabutis (Chelonoidis sp.) e uma cobra-verde (Erythrolamprus viridis). Combinados com dados anteriores, esses achados mostram que 50% das espécies exóticas de anfíbios e répteis introduzidas em Fernando de Noronha estabeleceram populações invasoras. Essa alta taxa de estabelecimento reforça a suscetibilidade aguda de ilhas tropicais a invasões biológicas e destaca a necessidade crítica de protocolos robustos de vigilância e resposta rápida para prevenir novas introduções e mitigar os impactos sobre esse frágil ecossistema.

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Publicado

2026-06-11

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Toledo, L. F., Rocha, T., Sulino, J. V., Santana, S. C. de, Prado, J., Moura, G. J. B. de, & Pinto, R. R. (2026). Registros de invasão de um lagarto e novos casos de introdução de répteis no arquipélago de Fernando de Noronha, nordeste do Brasil. Phyllomedusa: Journal of Herpetology, 25(1), 85-92. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9079.v25i1p85-92