A memória de 1964 e a retomada dos pedidos de intervenção militar no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2025.228118

Palavras-chave:

Intervenção Militar, Protestos, Memórias Coletivas, Movimentos Sociais, Conservadorismo

Resumo

As disputas pela memória da ditadura iniciada em 1964 refletem e moldam perspectivas sobre o exercício do poder no Brasil contemporâneo, revelando a complexidade que narrativas históricas exercem sobre a construção e legitimação de diferentes projetos políticos na atualidade. Por meio do levantamento de notícias de 2011 a 2019, no portal do G1, além de publicações e depoimentos de atores que se posicionam favoráveis a uma intervenção militar, foi possível verificar a pauta da memória como mobilizadora daqueles que defendem a tutela militar como caminho para a manutenção da ordem. Esses atores foram aqui nomeados como "intervencionistas", adotando-se o termo pelo qual se autointitulam. Na pesquisa realizada foi possível identificar, no intervalo entre 2011 e 2019, as primeiras manifestações coletivas com pedidos de intervenção, em especial, na ocasião dos 50 anos da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, com a reedição do evento em 2014. Apesar da relevância da efeméride, durante todo o período pesquisado foi identificada a disputa pela memória de 1964 como um elemento central da ação dos intervencionistas. Passado e presente se entrelaçam em expressões renovadas do nacionalismo autoritário, demonstrando como o olhar sobre a história pode constituir um centro simbólico de embate de visões de mundo e projetos de nação. 

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Biografia do Autor

  • Gabriel Souza Bastos, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

    Doutor pelo Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/UFRRJ) e mestre pela mesma instituição. Possui Bacharelado e Licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente é pesquisador bolsista DTI do CNPq.

  • Veronica Tavares de Freitas, Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Cientista social graduada pela UFRJ, doutora em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da USP.

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Publicado

2025-12-18

Como Citar

Bastos, G. S., & Freitas, V. T. de. (2025). A memória de 1964 e a retomada dos pedidos de intervenção militar no Brasil. Plural, 32(2), 272-291. https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2025.228118