Disputas discursivas sobre raça e sexualidade no Brasil contemporâneo: a retórica política da extrema direita em foco
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2025.240747Palavras-chave:
Bolsonarismo, Populismo digital, Movimentos sociais, Direitos LGBTQIA+, Teoria do DiscursoResumo
Este artigo analisa as estratégias discursivas do bolsonarismo no Brasil em comparação com o trumpismo nos Estados Unidos, investigando como narrativas de medo, ressentimento e moralidade são mobilizadas para consolidar hegemonias políticas. O estudo recorre à perspectiva de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, destacando conceitos como hegemonia, antagonismo e articulação discursiva na análise da construção de significados políticos em contextos de polarização e exclusão social. A pesquisa adota metodologia de revisão bibliográfica e análise documental, combinando fontes acadêmicas, jornalísticas e institucionais. Foram utilizados conceitos de racismo estrutural, câmaras de eco digitais, desinformação e agência política da população negra, a partir de autores como Abdias do Nascimento, Lélia Gonzalez, Silvio de Almeida, Nego Bispo, além de estudos sobre populismo digital (Kalil, 2018; Cunha, 2021; Cesarino, 2020; Recuero & Gruzd, 2019). Os resultados indicam que o bolsonarismo e o trumpismo compartilham estratégias discursivas convergentes, centradas na criação de antagonismos morais, raciais e culturais, amplificados em plataformas digitais segmentadas.
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