Disputas hegemônicas pela centralidade do conhecimento nas políticas de currículo: um olhar a partir da Teoria do Discurso de Ernesto Laclau
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2025.241109Palavras-chave:
Políticas de Currículo, Conhecimento, Hegemonia, Teoria do DiscursoResumo
O artigo em tela volta-se para problematizar as concepções estruturais que entrelaçam significações em torno de um conhecimento curricular como eixo estruturante para o currículo da educação básica e da formação de professores, que sanciona uma compreensão de conhecimento sustentado num caráter racional para orientar as finalidades sociais da educação. Nesses discursos, argui-se articulações discursivas fundamentadas numa forte tentativa de centralização do conhecimento como propriedade, a partir de uma visão engessada e dicotômica buscando imprimir uma significação absoluta do conhecimento como algo que pode ser transmitido ou distribuído igualmente a todos e como um dado objetificado que falta ao currículo. A discussão ora apresentada, destaca alguns argumentos mobilizados acerca da produção curricular do conhecimento, articulado nos documentos políticos curriculares nacionais como tentativa de significar uma educação de qualidade para todos os estudantes da educação básica. Como aporte teórico-epistemológico, esta discussão alinha-se à Teoria do Discurso, de Laclau e Mouffe (2015), e à perspectiva discursiva de currículo, com Lopes (2017, 2018). Apontamos para a necessidade de pensar o conhecimento como produção discursiva num investimento radical em processos interpretativos que não prescinde as articulações contingenciais e negociações discursivas.
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