A influência das paixões e afetos no processo de articulação política: uma análise do Movimento #vivacentroleste
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2025.241292Palavras-chave:
Afetos, Democracia agonística, Teoria Política do Discurso, Articulação política , Revitalização urbanaResumo
Este artigo analisa a influência das paixões e afetos no processo de articulação política do Movimento #vivacentroleste, surgido em resistência ao projeto da Prefeitura de Florianópolis que previa a substituição dos paralelepípedos históricos do Centro Leste por paver. O objetivo foi compreender como os afetos contribuíram para a formação de identidades coletivas, fronteiras políticas e estratégias de resistência. Para isso, realizou-se pesquisa etnográfica entre 2019 e 2022, combinando observação participante presencial e virtual, entrevistas e análise documental, além da sistematização de mais de 60 acontecimentos em linha do tempo. As análises articularam a Teoria Política do Discurso, o modelo de democracia agonística e a filosofia de Spinoza, com destaque para as interpretações de Lordon sobre a política como ars affectandi. Os resultados evidenciam que afetos comuns, como indignação, tristeza e pertencimento, foram decisivos para transformar reações dispersas em mobilização coletiva, dando origem ao grupo #paralelelovers e ao Movimento #vivacentroleste. Conclui-se que paixões e afetos, longe de serem secundários, são elementos centrais na política urbana, atuando como motores de engajamento, disputa simbólica e construção de alternativas à lógica hegemônica de revitalização, ao propor a requalificação como projeto democrático e plural.
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