Entre parda, mestiça, mulata e morena: a racialização da pessoa negra de pele clara

Autores

  • CAROLINA DA SILVA PEREIRA UFRGS

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2026.245997

Palavras-chave:

Negra(o) de pele clara. Parda(o). Mestiçagem. Identidade racial. Imagens de controle.

Resumo

Este trabalho teve como objetivo analisar o processo de constituição da identidade e do pertencimento racial de pessoas negras de pele clara na cidade de Porto Alegre, assumindo sua correspondência com a categoria parda dexpressão o IBGE. Trata-se de pesquisa qualitativa desenvolvida por meio de observações cotidianas, conversas informais e entrevistas semiestruturadas com participantes de diferentes classes sociais, faixas etárias e gêneros. À luz da Psicologia Social, investigou-se a produção de sentidos sociais atribuídos aos corpos negros de pele clara e seus efeitos racializantes. A análise interseccional de geração, classe e gênero, articulada ao conceito de imagens de controle, evidenciou a existência de um lugar social específico, marcado por tentativas de afastamento ou negação da negritude ancoradas, sobretudo, nas ideologias que positivam a miscigenação. Tais processos operam como estratégias de manutenção da subordinação racial e criam barreiras à constituição de uma identidade negra crítica e valorativa. Entre participantes mais jovens e universitários/as observou-se maior valorização da negritude, sugerindo efeitos das ações afirmativas recentes. Destacou-se a relevância das expressões artístico-culturais, como rap e slam para a afirmação identitária negra.

 

 

 

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

AUTORA, (2023).

BOURDIEU, Pierre (org.) (1999). A miséria do mundo. Petrópolis: Vozes.

BRAUN, Virginia; CLARKE, Victoria (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, v. 3, n. 2, p. 77–101.

COLLINS, Patricia Hill (2019). Pensamento feminista negro. São Paulo: Boitempo.

COSTA, E. S. (2012). Racismo, política pública e modos de subjetivação em um quilombo do Vale do Ribeira. Tese (Doutorado em Psicologia Social). São Paulo: Universidade de São Paulo.

DAFLON, Verônica Toste (2014). Tão longe, tão perto: pretos e pardos e o enigma racial brasileiro. Rio de Janeiro: FGV.

FERNANDES, Florestan (1964). A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Dominus; Edusp. 2 v.

GOMES, Nilma Lino (2020). Sem perder a raiz: corpo e cabelo como símbolos da identidade negra. Belo Horizonte: Autêntica.

GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo (2012). Racismo e antirracismo no Brasil. 3. ed. São Paulo: Editora 34.

HASENBALG, Carlos Alfredo (1979). Discriminação e desigualdades raciais no Brasil. Rio de Janeiro: Graal.

HOOKS, bell (2019). Teoria feminista: da margem ao centro. Tradução de Reiner Patriota. São Paulo: Perspectiva.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE) (2000). Manual do recenseador CD 1.09: Censo 2000. Rio de Janeiro: IBGE.

https://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo.html?id=5187&view=detalhes (acesso em 09/09/2022).

KILOMBA, Grada (2019). Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó.

NOGUEIRA, Oracy (2007). Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem: sugestão de um quadro de referência para a interpretação do material sobre relações raciais no Brasil. Tempo Social, São Paulo, v. 19, n. 1, p. 287–308.

PAIXÃO, Marcelo et al. (2011). Relatório anual das desigualdades raciais no Brasil: 2009-2010. Rio de Janeiro: Garamond.

RODRIGUES, G. M. B. (2021). (Contra)mestiçagem negra: pele clara, anti-colorismo e comissões de heteroidentificação racial. Dissertação (Mestrado). Salvador: Universidade Federal da Bahia.

ROSA, Miriam Debieux (2016). A clínica psicanalítica em face da dimensão sociopolítica do sofrimento. São Paulo: Escuta.

SANSONE, Livio (2004). Negritude sem etnicidade: o local e o global nas relações raciais e na produção cultural negra do Brasil. Salvador: EdUFBA.

SCHUCMAN, Lia Vainer (2014). Entre o encardido, o branco e o branquíssimo: branquitude, hierarquia e poder na cidade de São Paulo. São Paulo: Annablume.

SCHWARCZ, Lilia Moritz (1995). Complexo de Zé Carioca: notas sobre uma identidade mestiça e malandra. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 10, n. 29, p. 49–63.

SPINK, Peter Kevin (2003). Pesquisa de campo em psicologia social: uma perspectiva pós-construcionista. Psicologia & Sociedade, v. 15, n. 2, p. 18–42.

SOUZA, Neusa Santos (2021). Tornar-se negro: as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. 3. ed. São Paulo: Ubu.

WALKER, Alice (1983). If the present looks like the past, what does the future look like? Heresies: A Feminist Publication on Art & Politics, v. 4, n. 15, p. 56–59.

Downloads

Publicado

2026-07-21

Edição

Seção

(Re)pensando a mestiçagem no Brasil: velhos dilemas, novos debates

Como Citar

DA SILVA PEREIRA, C. . (2026). Entre parda, mestiça, mulata e morena: a racialização da pessoa negra de pele clara. Plural, 33(1). https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2026.245997