Entre parda, mestiça, mulata e morena: a racialização da pessoa negra de pele clara
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2026.245997Palavras-chave:
Negra(o) de pele clara. Parda(o). Mestiçagem. Identidade racial. Imagens de controle.Resumo
Este trabalho teve como objetivo analisar o processo de constituição da identidade e do pertencimento racial de pessoas negras de pele clara na cidade de Porto Alegre, assumindo sua correspondência com a categoria parda dexpressão o IBGE. Trata-se de pesquisa qualitativa desenvolvida por meio de observações cotidianas, conversas informais e entrevistas semiestruturadas com participantes de diferentes classes sociais, faixas etárias e gêneros. À luz da Psicologia Social, investigou-se a produção de sentidos sociais atribuídos aos corpos negros de pele clara e seus efeitos racializantes. A análise interseccional de geração, classe e gênero, articulada ao conceito de imagens de controle, evidenciou a existência de um lugar social específico, marcado por tentativas de afastamento ou negação da negritude ancoradas, sobretudo, nas ideologias que positivam a miscigenação. Tais processos operam como estratégias de manutenção da subordinação racial e criam barreiras à constituição de uma identidade negra crítica e valorativa. Entre participantes mais jovens e universitários/as observou-se maior valorização da negritude, sugerindo efeitos das ações afirmativas recentes. Destacou-se a relevância das expressões artístico-culturais, como rap e slam para a afirmação identitária negra.
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