O 'pardo amazônico' e a construção de identidades étnicas no Brasil 

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2026.246192

Palavras-chave:

classificação racial, heteroidentificação, identidades étnico-raciais, pardo indígena

Resumo

O artigo analisa a emergência da categoria “pardo amazônico” a partir das entrevistas realizadas com avaliadores integrantes de bancas de heteroidentificação na Universidade Federal do Amazonas. O objetivo é compreender como, no interior dos processos institucionais de verificação racial, os próprios avaliadores elaboram distinções internas à categoria “pardo”, produzindo a figura do chamado pardo amazônico, em referência às características fenotípicas relacionas ao indígena como marcador interpretativo. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, de caráter interpretativo, fundamentada na análise temática de entrevistas semiestruturadas, articulada à literatura sobre classificação racial, identidade e colonialidade. O estudo evidencia que, na Amazônia, os critérios mobilizados nas avaliações se restringem ao fenótipo, não incorporando referências territoriais, traços culturalmente associados à indigeneidade e percepções históricas sobre a formação regional. Argumenta-se que o pardo amazônico constitui uma categoria relacional e situada, mas não exclusiva, produzida na experiência regional nos processos de heteroidentificação dentro do escopo das políticas de reserva de vagas.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Nathalia Borges, Universidade Federal do Amazonas/UFAM

    Assistente Social e Advogada. Pós-doutoranda em Sociologia pelo Programa de pós-graduação em sociologia da UFAM – PPGS/UFAM. Pesquisadora em matéria sobre raça, relações raciais no Brasil e Política Social. Doutora em Política Social - PPGPS/UFF; Mestre em Relações Étnico-raciais -PPRER -CEFET/RJ.

Referências

BRANDÃO, A. A.; MARINS, M. T. A. Quem são os alunos afrodescendentes da UFF. In: Reunião da Sociedade Brasileira de Sociologia, 12., 2005, Belo Horizonte, Anais eletrônicos... Belo Horizonte – MG, 2005.

BRANDÃO, André A. e MARINS, Mani Tebet A. de. Cotas para negros no Ensino Superior e formas de classificação racial Educação e Pesquisa, São Paulo, v.33, n.1, p. 27-45, jan./abr. 2007.

DAMATTA, Roberto. Quanto Custa Ser Índio no Brasil? Considerações sobre o Problema da Identidade Étnica. In: Dados n. 13, Rio de Janeiro. 1976.

Deslandes, Suely Ferreira Pesquisa social: teoria, método e criatividade / Suely Ferreira Deslandes, Romeu Gomes; Maria Cecília de Souza Minayo (organizadora). 28. ed, — Petrópolis, RJ: Vozes, 2009. ISBN 978-85-326-1145-1

HALL, Stuart. Perturbando a Linguagem de “Raça” e “Etinia”. (In) Da Diáspora: Identidade e Mediações Culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003, p: 65-69.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Estudos e Análises: Informação Demográfica e Socioeconômica, n. 2. PETRUCCELLI, José Luis; SABOIA, Ana Lucia (organizadores). Características étnico-raciais da população: classificações e identidades. Rio de Janeiro: IBGE, 2013.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Brasileiro de 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. Instituto Brasileiro De Geografia E Estatística (IBGE).

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

MUNANGA, Kabengele. Uma Abordagem Conceitual das Noções de Raça, Racismo, Identidade e Etinia. Cadernos PENESB, Número 5. Niterói: EDUFF, 2004, p:15-35.

NASCIMENTO, Alessandra Santos e FONSECA, Dagoberto José. Classificações e identidades: mudanças e continuidades nas definições de cor ou raça. In: Estudos e Análises: Informação Demográfica e Socioeconômica, n. 2. PETRUCCELLI, José Luis; SABOIA, Ana Lucia (organizadores). Características étnico-raciais da população: classificações e identidades. Rio de Janeiro: IBGE, 2013.

NETO, José Maia Bezerra. José Veríssimo: Pensamento Social e Etnografia da Amazônia (1877-1915). Vol 42- Scielo, n. 3. Rio de Janeiro 1999. p. 2. Acesso: março de 2025. http://dx.doi.org/10.1590/S0011-52581999000300006

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder e classificação social. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 45, p. 7–23, 1999.

SALLES, Vicente. O Negro no Pará. Brasília: MEC; Belém: Secult, 1988. Disponível em http://bit.ly/1CKXPRy

SAMPAIO, Patrícia Maria Melo. Floresta negra: A experiência e os impactos da escravidão africana na Região Amazônica. Revista eletrônica Geledés. Publicado em 01/01/2015. Disponível em: https://www.geledes.org.br/floresta-negra-experiencia-e-os-impactos-da-escravidao-africana-na-regiao-amazonica/

SAMPAIO, Patrícia Maria Melo. Os fios de Ariadne: tipologia de fortunas e hierarquias sociais e Manaus: 1840-1880. Manaus, EDUA, 1997.

SILVEIRA, Leonardo Souza. RECLASSIFICAÇÃO RACIAL E DESIGUALDADE: Análise Longitudinal de Variações Socioeconômicas e Regionais no Brasil entre 2008 e 2015. Tese de doutorado. UFMG. 2019.

Downloads

Publicado

2026-07-21

Edição

Seção

(Re)pensando a mestiçagem no Brasil: velhos dilemas, novos debates

Como Citar

Borges, N. (2026). O ’pardo amazônico’ e a construção de identidades étnicas no Brasil . Plural, 33(1). https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2026.246192