Com, contra e para além da teoria de Antônio Sérgio A. Guimarães sobre o racismo brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2026.247369Palavras-chave:
racismo, raça, teoria, Brasil, sociologiaResumo
O artigo examina a contribuição teórica de Antônio Sérgio Alfredo Guimarães para a sociologia do racismo no Brasil, ao mesmo tempo em que aponta os limites e contradições decorrentes do sucesso acadêmico e político de suas ideias. Argumentamos que Guimarães foi responsável por fornecer fundamento teórico e estabilidade conceitual ao paradigma dominante nos estudos sobre relações raciais brasileiras ao defender o emprego analítico e nominalista do conceito de raça como instrumento de desvelamento de desigualdades brasileiras frente ao mito da democracia racial. Contudo, o artigo identifica três limites centrais na incorporação acadêmica e política dessa abordagem: primeiro, a ênfase excessiva nas dimensões ideológicas do racismo em detrimento de suas dimensões práticas e consequências estruturais; segundo, a reificação do conceito construtivista de raça, que tende a ser mobilizado como premissa trivial das pesquisas em vez de objeto de investigação empírica; terceiro, os efeitos paradoxais do "racialismo de defesa" propugnado pelo autor, que, ao demandar a delimitação política dos grupos racializados, contribui para a essencialização da própria noção que pretendia desnaturalizar. Conclui-se que, diante das transformações do contexto político e acadêmico brasileiro, torna-se necessário revisitar criticamente o legado teórico de Guimarães de modo a avançarmos para além dele.
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