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				<journal-title>Plural - Revista de Ciências Sociais</journal-title>
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				<publisher-name>Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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					<subject>EDITORIAL</subject>
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				<day>31</day>
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				<year>2021</year>
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				<season>Jul-Dec</season>
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		<p>Na edição de número 22.2, a <italic>Plural</italic> traz o dossiê <italic>Novo desenvolvimentismo e interesse nacional</italic>, organizado por Álvaro Comin, do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), com a participação de pesquisadores brasileiros e estrangeiros<italic>.</italic> O dossiê revela-se dos mais oportunos, por tratar de tema sociológico atualíssimo, de relevância política e que se relaciona, direta e indiretamente, com inúmeros objetos de pesquisa das ciências sociais. Entre eles, podemos citar o impacto da globalização e da inovação tecnológica no mercado de trabalho, na desigualdade social, no meio ambiente e na gestão do Estado; a “financeirização” do capital; a injustiça fiscal; as massivas manifestações contra a expansão da pobreza; as formas variadas de corrupção e ligações espúrias entre dirigentes empresariais e políticos, envolvendo lobbies, licitações, concorrências, editais, nomeações a órgãos públicos, financiamento de campanhas eleitorais, etc.</p>
		<p>No conjunto de artigos que compõem o dossiê, os autores retomam e reatualizam a discussão de temas clássicos da sociologia, tais como o “espírito do capitalismo”, a racionalidade econômica das elites empresariais, o papel do Estado e da inovação tecnológica no desenvolvimento, as elites burocráticas no Estado, as transformações do capitalismo em função da expansão da globalização da economia e das empresas e a influência de fenômenos culturais nos modelos de gestão industrial e na administração burocrática. Na análise dessas questões, sobressai o problema da desigualdade na distribuição de renda, que se vincula ao papel político e ao poder econômico das elites empresariais e da burocracia estatal.</p>
		<p>Abre o dossiê artigo de apresentação do professor Álvaro Comin, intitulado “Elites econômicas e neoliberalismo”, que contextualiza e analisa as mudanças ocorridas nas elites econômicas nos últimos anos, sobretudo no Brasil, lançando luz sobre seus modos de reprodução, valores e interesses econômicos, bem como sobre suas inclinações político-ideológicas e seus vínculos diversos com as elites internacionais.</p>
		<p>O texto de Glauco Arbix, professor titular do Departamento de Sociologia da USP, e Zil Miranda, pesquisadora da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), “Inovações em tempos difíceis”, trata do problema da baixa produtividade da economia brasileira. Os autores defendem a necessidade do governo brasileiro e dos empresários se empenharem na implementação de políticas públicas de inovação tecnológica, a fim de viabilizar crescentes ganhos em eficiência na atividade econômica, ampliar a competitividade da indústria nacional, promover o crescimento da economia brasileira e gerar emprego e renda de forma sustentável e inclusiva. Para tanto, propõem que se invista no aprimoramento de conhecimentos e competências de trabalhadores, medida fundamental para fazer avançar sua integração aos mercados, tecnologias e modelos de produção de ponta. O texto seguinte é de Markus Pohlmann, Elizângela Valarini e Friederike Elias, da Universidade de Heidelberg, Alemanha, intitulado “O espírito capitalista neoliberal na América Latina: o papel da orientação para o mercado financeiro nas grandes empresas argentinas e brasileiras”. Os pesquisadores investigam as diretrizes neoliberais de ambos os países nas últimas décadas e mostram o intenso debate sobre essas economias em um contexto de rápidas mudanças nas políticas econômicas e de crescente avanço do mercado financeiro.</p>
		<p>Também de autoria de Markus Pohlmann, em parceria com o professor Hyun-Chin Lim, do Departamento de Sociologia da Universidade Nacional de Seul, publicamos tradução inédita do texto “Um novo ‘espírito’ do capitalismo? A globalização e seu impacto na difusão do pensamento de gestão neoliberal na Alemanha e nas economias do Leste Asiático”. Com base em uma pesquisa empírica realizada com 475 CEOs dos 100 maiores grupos industriais na Alemanha, na Coreia do Sul, no Japão e na China, os autores contestam o pressuposto de que o processo de globalização daria origem a companhias transnacionais e, por conseguinte, a uma classe de executivos transnacionais devotos da ideologia neoliberal. Refutam, com isso, a premissa de que estaria ocorrendo, atualmente, uma difusão global do pensamento de gestão neoliberal. Entre outros importantes achados, mostram que os executivos de grandes empresas asiáticas mantêm os esquemas de interpretação radicados em suas culturas e, de modo geral, não adotam a mentalidade de administração neoliberal.</p>
		<p>Completando os artigos do dossiê, em “Construindo uma burocracia de excelência: concursos para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de 1955 a 2012”, Elisa Klüger, pesquisadora da USP, analisa o recrutamento por concurso público e a mudança de perfil dos profissionais que compõem a elite burocrática do BNDES. A autora destaca o paralelismo entre as alterações nas qualificações requeridas aos candidatos selecionados e as mudanças históricas nos papéis desempenhados pelo BNDES nos últimos 60 anos. Discute, ainda, a proposição weberiana de que a burocracia recrutada por concurso tenda a agir sempre de modo impessoal e segundo critérios técnicos, racionais e universais, apontando, no caso em questão, diferentes estratégias empregadas para driblar a meritocracia, adotar apadrinhamentos e selecionar candidatos de acordo com suas posições políticas.</p>
		<p>O dossiê termina examinando a trajetória intelectual e as opiniões de Luiz Carlos Bresser-Pereira, em entrevista concedida a Paulo Todescan Lessa Mattos, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, e Álvaro Comin. Economista, cientista político e ex-ministro (da Fazenda, da Reforma do Estado e da Ciência e Tecnologia) nos governos de José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, Bresser-Pereira se destaca, há décadas, pela proposição de uma agenda desenvolvimentista renovada e por ser um dos intelectuais mais atuantes no debate público brasileiro contemporâneo. Em sua trajetória pública, ele encarna muito dos caminhos e dilemas das políticas econômicas do Brasil democrático.</p>
		<p>A segunda parte desta edição, com os artigos recebidos em caráter de fluxo contínuo, começa com o texto de Priscila Martins Medeiros, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Paulo Alberto dos Santos Vieira, da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). Em “Da mestiçagem à reconstrução diaspórica do pertencimento étnico-racial”, os autores discutem os motivos sociais, teóricos e políticos que fizeram com que, ao longo do século XX, os debates em torno da categoria <italic>mestiço</italic> fossem abandonados e se chegasse ao problema atual da identificação <italic>afro-brasileira</italic>.</p>
		<p>A questão racial comparece também no texto de Lucas Trindade da Silva, “Colonialidade do poder como meio de conhecimento: em torno de seus limites e potencialidades explicativas”. O pesquisador da Universidade de Brasília (UNB) apresenta uma reflexão sobre o trabalho do sociólogo peruano Alberto Quijano, analisando a associação que o autor estabelece entre colonialidade do poder/ racialidade e a dependência histórico-estrutural da América Latina. Para tanto, compara a reflexão de Quijano com as abordagens de Carlos Hasenbalg e de Florestan Fernandes sobre a questão racial no continente.</p>
		<p>Em “Análises de poder em disputa: Foucault e a virada pós-estruturalista nos <italic>Subaltern Studies</italic>”, Camila Massaro de Góes, mestre em Ciência Política pela USP, retoma a discussão sobre identidades e diferenças no debate contemporâneo. A autora traça a gênese dos <italic>Subaltern Studies</italic> indianos na reelaboração crítica da história das classes subalternas na Índia. Descreve, com efeito, a influência do pensador italiano Antonio Gramsci nessa corrente e avalia em que medida é possível identificar nela uma “virada pós-estruturalista”, tendo em conta a incorporação de ideias de Foucault. Relata, ainda, o conflito dessa corrente com o marxismo no que tange às teorizações sobre as formas de poder e dominação.</p>
		<p>A discussão dos paradigmas pós-estruturalistas encontra-se, também, no artigo “Provocações para uma sociologia da sexualidade: sistemas, linguagem, amor”, de Marcelo Augusto de Almeida Teixeira, pesquisador da UNB. Ao analisar como a sociologia refletiu sobre o corpo e a sexualidade, o autor lança, a partir disso, uma proposta de articulação crítica entre os estudos de Judith Butler e a teoria dos sistemas de Niklas Luhmann, a fim de abordar a sexualidade e a construção dos corpos pela linguagem.</p>
		<p>A edição se encerra com uma resenha de Deivison Mendes Faustino de <italic>What Fanon Said: a philosophical introduction to his life and thought</italic>, livro do filósofo político norte-americano Lewis Gordon dedicado a Frantz Fanon. No texto, intitulado “O que Fanon disse, afinal? Lewis Gordon e a defesa de uma abordagem fanoniana”, o pesquisador da UFSCar discorre sobre a obra do intelectual martiniquenho que foi responsável por reflexões fundamentais no século XX e que tratam de temas caros a esta edição, como a questão racial, o colonialismo, a violência simbólica e a desigualdade.</p>
		<p>A relevância dos temas acima e de sua investigação sociológica encontra-se contemplada, igualmente, na capa desta edição de número 22.2. <italic>South Manhattan vista do Brooklyn</italic> (2014), do fotógrafo paulistano João Romano, ilustra como a discussão sobre o papel e o poder das elites empresariais pode ser teoricamente fecunda na análise de um sem-número de fenômenos atuais. Convidamos todos os interessados a explorar essa rica seara de debates sociológicos que se entrelaçam e que proporcionam sempre renovada reflexão crítica.</p>
		<p><italic>Comissão Editorial da Revista Plural</italic></p>
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