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				<journal-title>Plural - Revista de Ciências Sociais</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Plural - Revista de Ciências Sociais</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">2176-8099</issn>
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				<publisher-name>Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2176-8099.pcso.2022.201265</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>ARTIGO</subject>
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				<article-title>Representações sociais dos proﬁssionais de saúde relativas ao trabalho no período de pandemia da Covid-19</article-title>
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					<trans-title>Work-related social representations of healthcare workers during the covid19 pandemic</trans-title>
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						<surname>Sanches</surname>
						<given-names>Leide da Conceição</given-names>
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						<surname>Moliani</surname>
						<given-names>Maria Marce</given-names>
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						<surname>Santos</surname>
						<given-names>Claudia Rejane Schavarinski Almeida</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff3"><sup>c</sup></xref>
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						<surname>Schwyzer</surname>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff4"><sup>d</sup></xref>
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				<label>a</label>
				<institution content-type="original">Doutora e Mestre em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Paraná (PPGSOCIO/UFPR); Docente Permanente do Programa de Mestrado em Ensino nas Ciências da Saúde (PECS) pelas Faculdades Pequeno Príncipe (FPP); Membro do grupo de pesquisa PENSA da FPP; Membro do Grupo de Pesquisa em Sociologia da Saúde da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e integrante da RedISS - Red Internacional de Sociologia de las Sensibilidades.</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Programa de Mestrado em Ensino nas Ciências da Saúde</institution>
				<institution content-type="orgname">Faculdades Pequeno Príncipe</institution>
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			<aff id="aff2">
				<label>b</label>
				<institution content-type="original">Doutora em Ciências Sociais/IFCH-Unicamp; Mestre em Sociologia IFCH/Unicamp, Docente-Associada junto ao DEED- UEPG; Membro do Grupo de Pesquisa em Sociologia da Saúde da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e integrante da RedISS - Red Internacional de Sociologia de las Sensibilidades.</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">DEED</institution>
				<institution content-type="orgname">UEPG</institution>
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				<label>c</label>
				<institution content-type="original">Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Paraná (PPGSOCIO/UFPR; Mestre em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Paraná (PPGSOCIO/UFPR); Membro do Grupo de Pesquisa em Sociologia da Saúde da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e integrante da RedISS - Red Internacional de Sociologia de las Sensibilidades.</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós-Graduação em Sociologia</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Paraná</institution>
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				<label>d</label>
				<institution content-type="original">Doutora em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Paraná (PPGSOCIO/UFPR) e Mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná (PPGHIS/UFPR).</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós-Graduação em Sociologia</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>14</day>
				<month>02</month>
				<year>2023</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jul-Dec</season>
				<year>2022</year>
			</pub-date>
			<volume>29</volume>
			<issue>2</issue>
			<fpage>14</fpage>
			<lpage>29</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>20</day>
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				<date date-type="accepted">
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O presente estudo buscou apreender as representações sociais dos profissionais de saúde em seu processo de trabalho durante o período de pandemia da Covid-19. Essa pesquisa foi realizada no período de setembro de 2020 a fevereiro de 2021, portanto, anterior ao início da vacinação. Para coleta dos dados foi utilizado um formulário desenvolvido no <italic>Google Forms</italic>. Responderam ao questionário 197 participantes, de diversas áreas da saúde, que no primeiro período da pandemia trabalhavam em atendimento direto ao Covid-19. Para a organização dos dados se fez uso da interface visual ancorada na linguagem R e Python, Iramuteq, facilitando a identificação de padrões lexicais e ligações entre diferentes termos presentes em um conjunto de textos, a partir do que se elegeu três categorias de análise: medo, insegurança e isolamento, que orientaram a estrutura da análise e discussão. Conclui-se que medo, insegurança e isolamento são recorrentes na história das epidemias, porém, são ressignificados a cada contexto, como na pandemia da Covid-19, conforme suscitados pelos/as participantes da pesquisa.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>The purpose of the present study was to gather the social representations of healthcare professionals in the discharge of their duty, during the Covid-19 pandemic, before the vaccination period. This research was conducted from September 2020 to February 2021 by answering a Google Forms questionnaire with a sample size of 197 participants, from different healthcare domains. Data was organized by anchoring the visual interface in the R and Python language and Iramuteq was used to facilitate the identification of lexical patterns and correlation between the different terms present in a set of texts. Three categories of analysis were chosen: fear, insecurity and isolation, which guided the structure of the analysis and discussion. The study concludes that although fear, insecurity and isolation are recurrent in the history of epidemics, their significance is context-dependent as indicated during the Covid-19 outbreak by the participants of this research.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Representações Sociais</kwd>
				<kwd>Pandemia Covid-19</kwd>
				<kwd>Profissionais de saúde</kwd>
				<kwd>Medo</kwd>
				<kwd>Isolamento</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Social Representations</kwd>
				<kwd>Covid-19 pandemic</kwd>
				<kwd>Health professionals</kwd>
				<kwd>Fear</kwd>
				<kwd>Isolation</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
				<fig-count count="3"/>
				<table-count count="1"/>
				<equation-count count="0"/>
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				<page-count count="16"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>INTRODUÇÃO</title>
			<p>Este artigo tem como finalidade apreender as representações sociais dos trabalhadores de saúde sobre a influência da Covid-19 em suas vidas e em seu processo de trabalho. A pandemia da Covid-19 mudou a rotina desses profissionais, que foram surpreendidos pelo desconhecimento da doença e por suas diferentes formas de enfrentamento.</p>
			<p>Com relação ao vírus da Covid-19, persiste a metáfora da forma como esse é percebido, como autônomo, deambulante, uma entidade que tem vida própria, que decide quando vem e resiste em partir. Em relação aos profissionais de saúde, esses são representados como combatentes do vírus, como soldados, heróis que têm por função enfrentar o inimigo e restituir a saúde dos afetados.</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Sontag (2007</xref>), deve-se ter cuidado com o discurso sobre qualquer doença, evitando-se suas metáforas. Nessa perspectiva, pensa-se que uma pandemia não é vista como guerra, afinal os profissionais de saúde que se encontram na linha de frente são pessoas comuns que trazem consigo sentimentos e emoções, o que fica evidenciado pelos relatos de perda e saudades de familiares e de pessoas de seu convívio. São profissionais que precisam tratar pacientes acometidos por uma grave doença e vão adaptando seu instrumental de trabalho e expertise, a fim de construir novos saberes e protocolos, adequando-os para uma nova realidade epidemiológica, com consequências tanto para seu trabalho quanto para sua vida, enquanto pessoas.</p>
			<p>Assim, este estudo é sobre os profissionais de saúde que não são super-heróis, mas trabalhadores que dependem de organizações adequadas de atendimento à saúde da população, de instrumentos e estruturas adequadas para o trabalho, de políticas claras de saúde e suporte tecnológico.</p>
			<p>Justifica-se esta pesquisa, devido às mudanças ocorridas na assistência em saúde, tanto nas estruturas quanto no foco do atendimento da Covid-19, pois a pandemia passou a ter caráter emergencial e unidirecional, afetando o atendimento e o tratamento da saúde e, consequentemente, os trabalhadores da saúde. A forma como os profissionais de saúde representam a Covid-19 não dissocia as estruturas de saúde de sua vida pessoal. Em estudo realizado em 2020 com médicos de Wuhan (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Kang et al., 2020</xref>), verificou-se que as questões de saúde mental relacionadas à pressão, riscos de infecção, falta de equipamentos, frustrações, isolamento, entre outros fatores, afetaram a atenção e as tomadas de decisões. Para <xref ref-type="bibr" rid="B13">Moscovici (2009</xref>), as representações estão articuladas aos processos sociais e levam em conta as particularidades do contexto em que se produzem, ou no qual se faz presente o objeto representado. No contexto deste estudo, buscou-se apreender as representações sociais dos profissionais de saúde sobre o seu processo de trabalho em período de pandemia da Covid-19.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>PRESSUPOSTOS METODOLÓGICOS</title>
			<p>As investigações sobre as representações sociais tendem a evidenciar as experiências cotidianas, porém, podem remeter, muitas vezes, a antigas crenças. Esta estabilidade estrutural e temporal é ancorada pela difusão de crenças e valores. Para <xref ref-type="bibr" rid="B13">Moscovici (2009</xref>, p. 216), as representações sociais estão inscritas em referências a pensamentos que já existem, “sempre dependentes, por conseguinte, de estruturas de crenças ancoradas em valores, tradições e imagens do mundo e da existência”. O que se busca pelas representações sociais é compreender os motivos e intenções implícitos nas ideias e ações das pessoas, o que requer uma categorização ou nomeação, com base nos sentidos que são familiares. Assim, as representações anteriores são modificadas pela existência de novas representações.</p>
			<p>No entanto, mesmo que para a construção da representação seja necessário voltar ao passado e à memória, não se pode esquecer que sua articulação se dá no contexto ideológico presente (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Villas Bôas, 2010</xref>). O que se evidenciou neste estudo, remete a representações já observadas em outras epidemias, ao longo da história, porém, ressignificadas pelo contexto e nos acontecimentos vigentes (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Koselleck, 2006</xref>).</p>
			<p>Deste modo, justifica-se a escolha das representações sociais, pela busca de explicações para os fenômenos da vida cotidiana, que torna possível pensar no âmbito das epidemias. Para <xref ref-type="bibr" rid="B13">Moscovici (2009</xref>), as representações sociais são parte da realidade presente em cada contexto, e neste estudo evidencia-se o da pandemia da Covid-19.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>CONTEXTO E PARTICIPANTES DA PESQUISA</title>
			<p>O presente estudo é um recorte de pesquisa realizada no período de setembro de 2020 a fevereiro de 2021, que tinha como finalidade compreender as mudanças do processo de trabalho na saúde em período de pandemia da Covid-19.</p>
			<p>Para coleta dos dados foi utilizado um formulário desenvolvido no <italic>Google Forms</italic>, com questões referentes aos dados sociodemográficos, condições de trabalho, situação de trabalho, experiência profissional e qualificação formal, cargos e funções, tipo de instituição de exercício profissional, se pública, privada, filantrópica, renda, jornada de trabalho entre outros aspectos considerados pertinentes a fim de construir um quadro morfológico e social dos participantes da pesquisa, o que permitiu uma maior apreensão desses profissionais.</p>
			<p>Responderam ao questionário 197 participantes, de diversas áreas da saúde, que no primeiro período da pandemia trabalhavam no contexto de atendimento à Covid-19. Foram incluídos na pesquisa trabalhadores da saúde que atuavam no atendimento aos indivíduos que tinham contraído o vírus ou que procuravam o sistema de saúde por apresentar algum sintoma da doença. Não se aplica o critério de exclusão. Os nomes dos participantes foram omitidos e, para identificar a área de conhecimento dos respondentes, utilizou-se códigos, de acordo com cada profissão. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer n. 4.358.553. O recorte da pesquisa desenvolvido neste artigo centra-se na evocação livre de palavras e em uma questão aberta no final do questionário, que remetem fundamentalmente às representações que os profissionais de saúde participantes da pesquisa apresentam sobre seu trabalho e sua vivência no momento da pesquisa. Tal estudo possibilitou por meio da pergunta aberta e da evocação de palavras, a apreensão das representações sociais dos profissionais de saúde sobre o seu trabalho no momento de atuação na pandemia da Covid-19.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>ANÁLISE LÉXICA</title>
			<p>Para a execução da pesquisa e para a organização dos dados utilizou-se a interface visual ancorada na linguagem R e <italic>Python, Iramuteq, software</italic> desenvolvido por Pierre Ratinaud (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Lahlou, 2018</xref>), facilitando a identificação de padrões lexicais e ligações entre diferentes termos presentes em um conjunto de textos (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Camargo, Justo, 2013</xref>). A partir dos padrões apresentados pelos programas utilizados e das verificações e inferências feitas pelas pesquisadoras, destacaram-se três categorias de análise: medo, insegurança e isolamento, que orientaram a estrutura da análise e discussão. Para maior fidedignidade dos dados, em um primeiro momento foram analisadas as respostas do formulário, buscando possíveis duplicatas, retirando-as do escopo final. Além disso, foram feitos ajustes para padronização na grafia das palavras, removendo erros gramaticais ou abreviações de palavras.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results|discussion">
			<title>RESULTADOS E DISCUSSÃO</title>
			<p>A pesquisa contou com 197 participantes, que apresentaram as seguintes características: 22% Feminino e 78% Masculino. Sendo questionados a respeito de sua autopercepção de cor 79% declararam-se brancos, 14% pardos, 5 Pretos e 2% Amarelos. Acerca da idade, a maior participação por faixa etária foi dos respondentes de 36 a 50 anos com um total de 41%, enquanto 29% encontravam-se na faixa de 26 e 35 anos e a faixa de 18 a 25 anos correspondeu a 8%. Por fim, os participantes acima de 71 anos e que não responderam ficaram em 1%. É possível observar os diversos cargos que formaram o corpo da pesquisa, com uma significativa prevalência de enfermeiros/as e médicos/as.</p>
			<p>As categorias profissionais presentes neste artigo não foram exploradas separadamente. A opção por analisá-las conjuntamente deve-se à observação de que as representações não apresentavam mudanças significativas em diferentes categorias profissionais.</p>
			<p>Apresenta-se as categorias profissionais dos participantes da pesquisa, cujas siglas foram utilizadas para indicar as falas constantes no item da análise e discussão. Desta forma, havia 2 Biólogos (B1 e B2), 4 Fisioterapeutas (FI a F4), 6 Nutricionistas (N1 a N6), 11 Terapeutas Ocupacionais (TO1 a TO11, 11 Psicólogos/ as (P1 a P11), 17 Farmacêuticos/as (F1 a F17), 4 Técnicos/as de Enfermagem (TE1 a TE4), 52 Médicos/as (M1 a M52), e 53 Enfermeiros/as (E1 a E53).</p>
			<p>O banco de palavras foi gerado pela pergunta disparadora aos participantes da pesquisa, sobre como representavam seu processo de trabalho no período da Covid-19, em cinco palavras. Em seguida foi requisitado aos participantes que colocassem as palavras que haviam evocado, pelo seu grau de importância.</p>
			<p>Vale ressaltar que para uma melhor análise das palavras, a variação destas como plurais e conjugações, foram uniformizadas, ou seja, todas foram elencadas em um mesmo tempo, a partir da questão sobre a evocação das palavras, sobre a representação da pandemia da Covid-19.</p>
			<p>Essa metodologia de pesquisa auxilia na compreensão de que as palavras centrais guardam conexão com as periféricas (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Abric, 1993</xref>). Reitera-se que neste artigo optou-se por três palavras centrais para o encaminhamento e estruturação da análise e discussão. Nessa questão utilizou-se a formação de nuvem de palavras para observar quais teriam maior destaque. Na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>, conforme indicado abaixo, a palavra medo foi mais recorrente, o que significa que houve uma reincidência do termo nas respostas analisadas pelo corpus. Palavras como insegurança, isolamento, cuidado e mudança também apareceram com grande frequência na nuvem.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Nuvem de Palavras: Palavras que mais representam a pandemia.Fonte: Autoria própria, 2021.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2176-8099-plural-29-02-14-gf1.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Essa nuvem foi gerada a partir da exploração dos resultados da evocação de palavras, que era parte do questionário que foi aplicado aos participantes da pesquisa. A partir dela, foram selecionadas as 5 principais, seguindo a pergunta que as listava em ordem de maior importância para definir a pandemia (1), e para a de menor importância (5), a partir do destaque nas palavras Medo, que ficou como a palavra mais citada em todos os graus de importância, mostrando sua recorrência. Além disso, evidenciam-se as palavras Isolamento e Insegurança que tiveram destaque como apresentado no <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Quadro 1</label>
					<caption>
						<title>Palavras definidas pelo seu grau de importância</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col span="2"/>
							<col span="2"/>
							<col span="2"/>
							<col span="2"/>
							<col span="2"/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center" colspan="2">Importância 01 </th>
								<th align="center" colspan="2">Importância 02 </th>
								<th align="center" colspan="2">Importância 03 </th>
								<th align="center" colspan="2">Importância 04 </th>
								<th align="center" colspan="2">Importância 05 </th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">Medo</td>
								<td align="left">29</td>
								<td align="left">Medo</td>
								<td align="left">16</td>
								<td align="left">Medo</td>
								<td align="left">20</td>
								<td align="left">Medo</td>
								<td align="left">14</td>
								<td align="left">Medo</td>
								<td align="left">18</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Mudança</td>
								<td align="left">8</td>
								<td align="left">Isolamento</td>
								<td align="left">10</td>
								<td align="left">Isolamento</td>
								<td align="left">14</td>
								<td align="left">Insegurança</td>
								<td align="left">9</td>
								<td align="left">Isolamento</td>
								<td align="left">9</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Cuidado</td>
								<td align="left">7</td>
								<td align="left">Insegurança</td>
								<td align="left">7</td>
								<td align="left">Insegurança</td>
								<td align="left">7</td>
								<td align="left">Solidão</td>
								<td align="left">6</td>
								<td align="left">Esperança</td>
								<td align="left">6</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Morte</td>
								<td align="left">6</td>
								<td align="left">Cuidado</td>
								<td align="left">6</td>
								<td align="left">Distanciamento</td>
								<td align="left">5</td>
								<td align="left">Incerteza</td>
								<td align="left">4</td>
								<td align="left">Tristeza</td>
								<td align="left">6</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Cansaço</td>
								<td align="left">4</td>
								<td align="left">Tristeza</td>
								<td align="left">5</td>
								<td align="left">Cuidado</td>
								<td align="left">3</td>
								<td align="left">Isolamento</td>
								<td align="left">4</td>
								<td align="left">Solidão</td>
								<td align="left">5</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN1">
							<p>Fonte: Autoria própria, 2021.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Na <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>, pode-se observar a construção de uma rede de palavras, por meio da análise de similitude. A análise de similitude consiste em demonstrar a conexão existente entre as palavras. Seus significados semelhantes indicam a sua proximidade. Nesse estudo a palavra medo é a central, aparecendo na rede ligada às demais.</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Rede de Palavras através de análise de similitude, 5 palavras que definem a pandemia. Fonte: Autoria própria, 2021.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2176-8099-plural-29-02-14-gf2.jpg"/>
				</fig>
			</p>
			<p>Nesse sistema as palavras que se encontram próximas pelos mesmos respondentes, criam uma rede de palavras que representam os sentimentos dos participantes. Percebeu-se que o medo se definiu como o principal nó que detém as ramificações destacadas, isolamento e insegurança.</p>
			<p>Por fim, foi solicitado aos participantes comentarem sobre o significado dessas palavras para eles em pergunta aberta. Essas respostas também foram processadas por análise de similitude formando uma rede, na qual a palavra medo se mantém no centro da rede, porém, apresentam-se as palavras: “pandemia”, “não”, “mais” e “insegurança”, como junções responsáveis por diversas ramificações, considerando a importância desses termos para os participantes da pesquisa.</p>
			<p>Assim sendo, os dados na <xref ref-type="fig" rid="f3">figura 3</xref> apontam que o medo é o fator mais presente nos resultados, com aspectos como insegurança e isolamento recorrentes aos participantes da pesquisa, o que denota que as representações, embora classificadas pelo grau de importância, são indissociáveis.</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Figura 3</label>
					<caption>
						<title>Rede de Palavras através de análise de similitude. respostas abertas sobre o que as palavras significam para o participante. Fonte: Autoria própria, 2021.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2176-8099-plural-29-02-14-gf3.jpg"/>
				</fig>
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO MEDO, DA INSEGURANÇA E DO ISOLAMENTO</title>
			<p>A partir dos dados acima apresentados construiu-se três categorias de análise: medo, insegurança e isolamento, demonstradas na fala dos participantes, consideradas significativas e ilustrativas para a análise empreendida. Reitera-se que essas representações só fazem sentido quando contextualizadas no período da pandemia da Covid-19, antes do início da vacinação no Brasil. Para os estudos de representações sociais, o mesmo termo suscitado pelos participantes da pesquisa teria significações diferentes se situados em outro contexto. Presume-se que na continuidade deste estudo, pós vacinação contra a Covid-19, palavras semelhantes poderiam ser ressignificadas por se encontrarem em diferente contexto.</p>
			<p>Ao evocar palavras como “medo”, “insegurança” e “isolamento”, além de outros sentimentos negativos, percebe-se que as representações sociais do processo de trabalho estão intimamente ligadas à vida pessoal dos profissionais de saúde. A frágil e imaginária fronteira entre o trabalho e a vida pessoal desaparece, uma vez que os riscos do processo de trabalho se tornam mais objetivos devido à transmissão da doença, interferindo significativamente, tanto no trabalho como na vida cotidiana, conforme observado por um dos participantes da pesquisa:</p>
			<disp-quote>
				<p>A pandemia gerou medo, pois minha maior preocupação era de contaminar meu filho e minha mãe, além do mais, tudo se tornou incerto, no trabalho e na vida cotidiana. Cheguei a brigar com minha irmã, que mora em outro estado, pois ela sente saudades de minha mãe e queria visitá-la, sendo que a mesma poderia trazer o vírus para dentro de nossa casa. Entendo a necessidade dela, mas precisamos preservar a nossa mãe, que tem doença crônica. Está sendo difícil o isolamento, percebemos inclusive uma regressão no nosso bebê, por não estar mais convivendo com crianças da mesma idade, somente o contato restrito com os pais e com a avó. Ademais, perdemos amigos na pandemia, pela Covid-19 e sequer pudemos nos despedir deles (E16).</p>
			</disp-quote>
			<p>A contribuição sociológica de <xref ref-type="bibr" rid="B6">Dejours (1987</xref>), em seus estudos sobre a psicopatologia do trabalho, aborda as causas de desgaste mental, especialmente aquelas oriundas de problemas da organização do trabalho. Nesses casos os trabalhadores precisam buscar ajustes psíquicos necessários para o desempenho esperado no seu ambiente de trabalho. Há elementos presentes no processo de trabalho que são geradores de estresse físico e mental, como desempenho de tarefas desagradáveis ou sem sentido, insegurança no ambiente de trabalho, obediência a regras burocráticas ou hierarquia autoritária, relações de trabalho competitivas ou conflituosas, entre outros.</p>
			<p>Assim, a evocação do medo pelos profissionais de saúde no contexto da pandemia, traz a necessidade de refletir sobre as mudanças nos protocolos de atividades inseridos no processo de trabalho e seus efeitos nas relações sociais, dentro e fora do ambiente de trabalho. Isso fica evidente nas falas abaixo, que misturam as mudanças de protocolos que pressupõem aprender rapidamente novas técnicas e a tensão do cuidado redobrado para não transmitir o vírus.</p>
			<disp-quote>
				<p>Medo de pegar o vírus e meu corpo não reagir bem, Dor e Tristeza de ter perdido meu pai para o vírus, incertezas e angústias pois não sabemos o que virá pela frente (N3).</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Muito medo de contrair a Covid-19, muito medo de transmitir, medo de me contaminar ao tirar os EPI, cuidado redobrado com todos (E28).</p>
			</disp-quote>
			<p>Nesse sentido, o medo apresenta como característica a reação emocional frente à identificação de risco/ameaça, tanto na dimensão real como na dimensão imaginária. Essa reação serve como um sistema de alerta, preparando o sujeito para adaptar-se a uma situação que apresente significativo potencial de perigo.</p>
			<p>No âmbito da Psicologia e da Psicopatologia do Trabalho, o medo é considerado como uma categoria sociológica, que se origina de uma determinada noção sociocultural da realidade, tendo a possibilidade de ser compartilhado de forma coletiva e vivenciado em maior ou menor intensidade, processo este influenciado pelo lugar que o sujeito ocupa na estrutura social (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Dejours, 2005</xref>).</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Bonelli (2003)</xref>, retomando os estudos de Hotschield (1983) sobre a sociologia das emoções, lembra que as pessoas tomam como referência em suas interações, a manifestação de comportamentos que atendam às expectativas sociais, mesmo que não seja o que estão sentindo. Assim, o sofrimento no trabalho apresenta uma dimensão clínica e sociológica, uma vez que a tensão entre a atuação protocolar imposta pelas condições de trabalho geram uma série de sentimentos.</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B12">Moscovici (1978</xref>), a elaboração das representações sociais ocorre no perímetro entre a dimensão psicológica e a dimensão social, sendo que ambas possuem a capacidade de estabelecer relações entre as abstrações do saber e das crenças, considerando também a concretude da vida do sujeito, tendo como referência os processos de troca com seus semelhantes.</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B15">Nascimento (2020</xref>), enquanto um fenômeno social, as epidemias assumem uma forma dramática nas sociedades. Além de terem uma trajetória imprevisível no tempo e espaço, apresentam o seu lado dramático com a possibilidade da morte em massa. As epidemias, como no caso da Peste Negra no século XIV e da Gripe de 1918, levaram a sociedade a viver um tempo diferente do habitual. De um lado tem-se, o medo do desconhecido, da dor e da morte, e de outro a esperança de cura, a partir do que se criam diversas situações como a reafirmação de valores sociais, a necessidade de encontrar justificativas, culpados pela doença e salvadores. É nesse contexto que se revelam os mecanismos utilizados por diferentes sociedades, para vivenciarem o tempo da epidemia, conforme ressalta Nascimento:</p>
			<disp-quote>
				<p>As interferências produzidas por uma epidemia atingem as mais variadas dimensões da existência humana, o enfrentamento da ameaça epidêmica envolve a mobilização não só dos recursos humanos e materiais, na organização dos serviços de atendimento aos doentes ou de respostas às suas consequências na vida cotidiana, mas, também, práticas culturais, rituais e simbólicas que são partilhadas pela sociedade por ela afetada (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Nascimento, 2020</xref>, p. 169).</p>
			</disp-quote>
			<p>Os tempos da pandemia são, no entanto, diferenciados. As epidemias marcaram a história em seus diferentes momentos e contextos. Nesse sentido, a pandemia da Covid-19 surge em contexto de altas e complexas tecnologias, e é a partir dessa especificidade que se analisa o medo. Busca-se as permanências e as ressignificações das representações na história das epidemias, porque o medo se encontra na estrutura das representações. Reitera-se, no entanto, que se trata de medo ressignificado, pois “cada evento produz mais e, ao mesmo tempo, menos do que está contido nas circunstâncias prévias: daí advém sua surpreendente novidade” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Koselleck 2006</xref>, p. 139).</p>
			<p>Os fenômenos epidêmicos interferem nas estruturas da vida social e trazem questionamentos sobre valores e situações já estabelecidos. Nesse sentido, as falas abaixo demonstram a presença de características importantes do sofrimento no trabalho e na vivência da Pandemia do Covid-19.</p>
			<disp-quote>
				<p>É muito estressante viver novas mudanças, sabendo que são mudanças que poderão proteger ou destruir vidas, você não sabe se está levando o vírus para as pessoas da sua família, então o medo começa a fazer parte da vida, as noites são mal dormidas, sempre estou cansada, também sinto tristeza em ver pessoas morrendo…o sofrimento é consequência de tudo isso (TE2).</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Caos, pois, mudou a vida de uma forma surpreendente, perdemos o abraço essencial do dia a dia e, pior, começamos a achar normal conversar por vídeo. Minha filha de 2 anos cresce vendo os outros a distância ou pela janela (…) Aprendizado e crescimento, pois, aprendemos a ver o quão grande era tudo que tínhamos. Crescimento é no sentido de tentarmos olhar pra nós mesmos e saber quando nos deixar abater, saber não ficar abatidos todo o tempo, saber valorizar principalmente a saúde que temos. Desafio e medo andam juntos. Pois lidar diariamente com um medo de contrair, de passar pra um familiar…muitas vezes tratar por telefone, ao vivo um amigo é sem dúvida um desafio e um medo constante! (M35).</p>
			</disp-quote>
			<p>O medo se apresenta com um fenômeno concreto, representado nas falas e nas mudanças de hábitos mencionados pelos entrevistados, mas esse não tem apenas uma configuração negativa. Compreende-se que eleger o medo enquanto categoria de análise, implica em reconhecê-lo enquanto emoção que se apresenta de diversas formas, de acordo com o vivido por cada indivíduo.</p>
			<p>Nesse estudo, o medo enquanto categoria de análise, possibilitou reconhecer a pluralidade de vivências dos participantes da pesquisa, considerando-se a situação vivida e compartilhada não apenas no ambiente de trabalho, mas socialmente. Assim, apesar do risco de simplificação ao desconsiderar a complexidade do real, proceder a uma análise sociológica implica na possibilidade de observar padrões de comportamento a fim de permitir a compreensão do vivido pelos sujeitos sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Sève, 2007</xref>).</p>
			<p>Cabe ponderar que o medo é estruturado a partir da influência também oriunda de fatores culturais, ainda que, seja possível o questionamento acerca do alcance desta influência. Pautada na suposição de fatores universais para o medo, a emoção não envolve unicamente a percepção de si próprio, mas também se relaciona ao conhecimento da situação e dos eventos. As representações envolvendo esses fatores impactam na percepção de sua ocorrência. A emoção originada nesse processo é percebida na interação social, o que desperta diferentes reações, originando uma forma de comunicação (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Roazzi et al., 2002</xref>).</p>
			<p>A segunda categoria de análise foi a insegurança, que apesar de se aproximar do medo na influência sobre o comportamento do indivíduo, possui características diferentes, conforme apreendido nas falas e representações dos participantes. Se o medo tem um caráter mais visceral, baseado no intangível e incontrolável, a insegurança está ligada à dificuldade em controlar o resultado da ação. O medo advém do imponderável comportamento do vírus e da forma como as pessoas reagem diante deste. A insegurança tem origem na imprevisibilidade da consequência da ação do outro. No processo de trabalho, a segurança passa por protocolos previamente definidos e com resultados previsíveis. A segurança não é possível diante de uma moléstia ainda desconhecida e que não apresenta um comportamento previsível, que ainda possui uma história natural, e, consequentemente, uma primeira escolha de tratamento.</p>
			<disp-quote>
				<p>Insegurança porque não se sabe o grau de complicação que ela poderá causar caso pegue, e medo por não ser algo visível nos remetendo a ter cuidados com esse vírus. Incerteza no que diz respeito à cura e expectativa por vacina e/ou tratamento. (B1)</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Cansaço pela demanda de serviço e poucos profissionais. Esperança de que essa Pandemia acabe e venhamos ter de volta a nossa vida de antes e rotina. Insegurança ainda em lidar com alguns casos de pacientes com covid, justamente pela falta de capacitação e orientações adequadas. Medo de circular em alguns ambientes e expor pessoas. Ansiedade por péssima remuneração e até quando vão durar os serviços voltados à pandemia. (E47).</p>
			</disp-quote>
			<p>Enquanto categoria de análise, o isolamento se apresenta como a manifestação da seriedade com a qual sociedade encara a doença e o comprometimento de cada um com todos. Nesse sentido, o isolamento demonstrou a representação dos participantes sobre a interação social, conforme os depoimentos a seguir:</p>
			<disp-quote>
				<p>As pessoas perderam o medo pela doença com base em pessoas que manifestaram sintomas leves, o que proporciona irresponsabilidade nos critérios de higiene e isolamento social fazendo com que a curva não diminua (E1).</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>[…] o que o próprio vírus pode causar, mudança de vida planos desfeitos, incerteza do amanhã, isolamento social é a pior parte, já que sou muito apegada aos meus familiares (TE1).</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Consequências da saúde emocional abalada e falta de preparo para cuidar do outro que nos procura (N2).</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Após um momento inicial de muito medo, penso que agora o que tem pesado mais psicologicamente para mim é o isolamento e as interdições em relação a visitas familiares, de amigos e a demais, usuais de sociabilidade (P4).</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Em meio a um início de ano com tantas perspectivas positivas, o isolamento inicial mais rígido, associado ao medo e necessidade de adaptação à nova realidade trouxe insegurança e necessidade de adaptação. A saudades dos amigos e familiares é um ponto que age de forma intensa nas nossas emoções (M17).</p>
			</disp-quote>
			<p>Assim, a importância do isolamento, enquanto comportamento preventivo da doença, é visto pela sociedade com ressentimento devido ao afastamento dos seus entes queridos. Essa ambiguidade remete aos profissionais de saúde à sua vida pessoal, entre o ressentimento de seu próprio isolamento e a necessidade de prevenir a doença.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
			<p>O objetivo do presente estudo foi apreender as representações sociais dos profissionais de saúde sobre o seu processo de trabalho em período de pandemia da Covid-19, anterior ao início da vacinação. As mudanças ocorridas na assistência em saúde no período da pandemia afetaram o atendimento e o tratamento da saúde, e, consequentemente, os trabalhadores em saúde passaram a ser foco de atenção da sociedade de modo geral. Muito se esperava dos trabalhadores da saúde, como atos super heróicos, como se estes tivessem destituídos de sua vida pessoal.</p>
			<p>Os resultados da pesquisa apresentam as representações sociais dos profissionais de saúde sobre o seu trabalho em tempos de pandemia, mas também sobre sua vida pessoal e a interrelação entre essa e a prática profissional, manifestadamente em seus depoimentos sobre o medo, o isolamento e a insegurança relacionados com seu processo de trabalho no período da Covid-19.</p>
			<p>Os profissionais de saúde manifestaram o medo de contrair o vírus, por falta de equipamentos de biossegurança, e o medo de transmitir o vírus às pessoas de seu convívio. Denotou-se que o medo evocado pelos profissionais de saúde traz a necessidade de refletir sobre as mudanças nos protocolos de atividades inseridos no processo de trabalho e seus efeitos nas relações sociais, dentro e fora do ambiente de trabalho.</p>
			<p>O medo suscitado na pesquisa remeteu à insegurança, pelo desconhecimento da doença, o que gera incertezas sobre o futuro e sobre as formas de prevenção e tratamento. Esses sentimentos manifestados remetem aos clássicos e recentes estudos sobre o trabalho e emoções. A compreensão e a satisfação de estar executando uma atividade essencial para a sociedade, conflitua-se com as frustrações e expectativas. Desde <xref ref-type="bibr" rid="B11">Merton (1979</xref>) até estudos mais recentes como os de <xref ref-type="bibr" rid="B7">Hirata (2022</xref>), há uma longa tradição sociológica sobre o paradoxo e a ambiguidade no trabalho, especialmente no campo do cuidado e saúde, em que se percebe a indissociabilidade entre a prática profissional e as expectativas pessoais.</p>
			<p>O isolamento também foi evocado na pesquisa, como forma de dor e sofrimento pelo afastamento dos familiares. O isolamento foi considerado por muitos profissionais de saúde como um dos fatores mais difíceis da pandemia, visto que muitos nem sequer voltavam para casa por medo de transmitir o vírus aos seus familiares.</p>
			<p>Considera-se que o medo, a insegurança e o isolamento são indissociáveis, pois um está articulado ao outro de alguma forma, conforme cita um dos participantes da pesquisa “o isolamento inicial mais rígido, associado ao medo e necessidade de adaptação à nova realidade trouxe insegurança e necessidade de adaptação. A saudades dos amigos e familiares é um ponto que age de forma intensa nas nossas emoções”.</p>
			<p>Por fim, reitera-se que este estudo é sobre os profissionais de saúde, trabalhadores que desempenham uma atividade essencial e ganharam maior visibilidade durante o período da pandemia da Covid-19, e suas representações sobre o trabalho e a vida em um momento social de grandes incertezas.</p>
		</sec>
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			<title>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</title>
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					<article-title>Central system, peripheral system: their functions and roles in the dynamics of social representations</article-title>
					<source>Papers on Social Representations</source>
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					<article-title>Arlie Russell Hochschild e a sociologia das emoções</article-title>
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				<mixed-citation>VILLAS BÔAS, Lucia Pintor Santiso (2010). Uma abordagem da historicidade das representações sociais. Cadernos de Pesquisa. v. 40. n. 40. p. 379-405.</mixed-citation>
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					<article-title>Uma abordagem da historicidade das representações sociais</article-title>
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