O discurso da candidatura de Jair Bolsonaro em 2018 no HGPE
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2025.241398Keywords:
Discourse Theory, Antagonism, Bolsonaro, Workers’ Party, HGPEAbstract
The victory of Bolsonaro in the 2018 election suggested a possible irrelevance of the Free Electoral Propaganda Time (HGPE). However, in 2018, the level of voter interest in the HGPE increased in terms of information seeking. In this sense, the objective of this article is to demonstrate the discursive construction of Jair Bolsonaro’s candidacy produced during the HGPE. The research question guiding this study is: how did Bolsonaro’s candidacy construct its discourse considering the antagonistic relationship with the candidate of the Workers’ Party? This study is justified for two reasons: a) the HGPE makes it possible for one candidacy to be deconstructed by another; and b) Bolsonaro was the candidate who broke with the polarization between the Workers’ Party and the Brazilian Social Democracy Party. This study hypothesizes that the HGPE was not irrelevant to Bolsonaro’s victory, but acted as a complementary space for symbolic dispute capable of reinforcing and stabilizing signifiers already present in the digital environment, especially through the articulation of the sign “corruption” as a nodal element of the discursive chain. To this end, the theoretical and methodological aspects of Laclau and Mouffe’s discourse theory are used, focusing on the construction of antagonisms and the constitution of political identities. The results indicate that the meaning of corruption assumed centrality in the campaign, operating as a systematizer of meanings related to its antagonistic aspect. We thus demonstrate that the HGPE not only reiterated the already existing anti-PT (Workers’ Party) and moralizing image, but also contributed to its legitimation in an institutionalized space, which strengthened the candidacy and broadened its discursive reach.
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