<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article
  PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd"> 
<article article-type="research-article" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">plural</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Plural - Revista de Ciências Sociais</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Plural - Revista de Ciências Sociais</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">2176-8099</issn>
			<issn pub-type="epub">2176-8099</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2176-8099.pcso.2023.212614</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo - Dossiê Afetividades marginais, grupos armados e mercados ilegais</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Poucos que sobrevivem: Relatos de violências, galeras e cinema no Piauí</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Few who survive: reports of violence, gangs and cinema in Piauí</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-4861-6202</contrib-id>
					<name>
						<surname>Oliveira</surname>
						<given-names>Francisco Alves De</given-names>
						<suffix>Júnior</suffix>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>a</sup></xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-0837-2557</contrib-id>
					<name>
						<surname>Costa</surname>
						<given-names>Marcondes Brito Da</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>b</sup></xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-8689-4233</contrib-id>
					<name>
						<surname>Silva</surname>
						<given-names>Elton Guilherme Dos Santos</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff3"><sup>c</sup></xref>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff1">
				<label>a</label>
				<institution content-type="original"> Doutorando no Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará (UFC). E-mail para contato: oliveirajunior.contato@gmail.com</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Ceará</institution>
				<email>oliveirajunior.contato@gmail.com</email>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<label>b</label>
				<institution content-type="original"> Docente do Instituto Federal do Piauí (Campus Picos). Coordenador do Observatório de Segurança do Piauí. E-mail para contato : marcondes.brito@ifpi.edu.br</institution>
				<institution content-type="orgname">Instituto Federal do Piauí</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Coordenador do Observatório de Segurança do Piauí</institution>
				<email>marcondes.brito@ifpi.edu.br</email>
			</aff>
			<aff id="aff3">
				<label>c</label>
				<institution content-type="original"> Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Piauí. E-mail para contato: eltonguilherme56@gmail.com</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Piauí</institution>
				<email>eltonguilherme56@gmail.com</email>
			</aff>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jul-Dec</season>
				<year>2023</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>14</day>
				<month>10</month>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<volume>30</volume>
			<issue>2</issue>
			<fpage>168</fpage>
			<lpage>189</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>31</day>
					<month>05</month>
					<year>2023</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>07</day>
					<month>11</month>
					<year>2023</year>
				</date>
			</history>
			<permissions>
				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O artigo resulta de uma investigação acerca das dinâmicas da violência nas periferias da cidade de Teresina, Piauí, a partir dos relatos de 9 moradores das zonas periféricas da cidade, que tiveram suas vidas diretamente afetadas pela violência e pelo crime. Os relatos fazem parte do documentário intitulado <italic>Poucos que Sobrevivem</italic> (2021), realizado pelos pesquisadores a partir das incursões de investigações do Núcleo de Pesquisas sobre Crianças, Adolescentes e Jovens (NUPEC) da Universidade Federal do Piauí, entre os anos de 2019 e 2021. A pesquisa reúne relatos em torno das dinâmicas criminais na periferia, das representações do cárcere, da violência policial, das formações de galeras e das formas de reinvenção da vida. A produção da pesquisa e do documentário se inserem no contexto histórico da escalada da violência no estado do Piauí, e ainda, faz uso da aproximação entre audiovisual e técnicas de investigações sociais. As técnicas de investigação empregadas foram o uso de entrevistas abertas na construção de um documentário, a partir de amostragem não-probabilística por meio do recurso “bola de neve”, com posterior categorização em torno de eixos centrais da pesquisa: Violência policial, cárcere, gangues e estratégias de sobrevivência. Os principais resultados obtidos por meio da pesquisa são reflexões sobre os procedimentos metodológicos relativos ao uso do recurso audiovisual na pesquisa sociológica da violência, como a relevância da re-encenação da experiência vivida como recurso na investigação social e a possibilidade imaginativa do audiovisual aplicada à pesquisa.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>The paper is the result of an investigation into the dynamics of violence on the favelas of the city of Teresina, Piauí, based on the accounts of 9 residents of the city's favelas, whose lives have been directly affected by violence and crime. The stories are part of the documentary entitled Few Who Survive (2021), made by the researchers based on research carried out by the Research Center on Children, Adolescents and Youth (NUPEC) at the Universidade Federal do Piauí between 2019 and 2021. The research brings together reports on criminal dynamics in the favela, representations of imprisonment, police violence, gang formations and ways of reinventing life. The production of the research and the documentary are part of the historical context of the escalation of violence in the state of Piauí, and make use of the rapprochement between audiovisual and social research techniques. The research techniques employed were the use of open-ended interviews in the construction of a documentary, based on non-probabilistic snowball sampling, with subsequent categorization around the central axes of the research: police violence, imprisonment, gangs and survival strategies. The main results obtained through the research are reflections on the methodological procedures relating to the use of audiovisual resources in sociological research into violence, such as the relevance of re-enacting lived experience as a resource in social research and the imaginative possibility of audiovisuals applied to research.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Periferias</kwd>
				<kwd>Juventudes</kwd>
				<kwd>Violências</kwd>
				<kwd>Cinema</kwd>
				<kwd>Documentário</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Favela</kwd>
				<kwd>Youths</kwd>
				<kwd>Violence</kwd>
				<kwd>Cinema</kwd>
				<kwd>Documentary</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
				<fig-count count="1"/>
				<ref-count count="55"/>
				<page-count count="22"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>O senhor entrevistou meio mundo de louco, mas o mais louco é esse aqui que tá conversando contigo. Bota fé não, meu parceiro? Eu imaginei que eu ia morrer com 19 anos. Aí depois, passei dos 19, imaginei que eu ia morrer com 23. Depois passei dos 23, imaginei que eu ia morrer com 30. Porra cara, eu vou fazer 45 agora em abril, meu irmão! (<xref ref-type="bibr" rid="B40">NUPEC, 2021</xref>)</p>
			<p>No ano de 2019, o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Crianças, Adolescentes e Jovens - NUPEC<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>1</sup></xref> da Universidade Federal do Piauí inicia uma produção de documentários sobre juventudes e violências. No contexto, foram produzidos três documentários, a partir de experiências de pesquisa distintas: <italic>Felicidade no Olhar Transbordou</italic> (2020), que aborda questões de violência e gênero, a primeira parte deste trabalho, já publicada<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>2</sup></xref>; <italic>Poucos que sobrevivem</italic> (2021)<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>3</sup></xref>, que aborda as dinâmicas criminais relatadas a partir de jovens que sobreviveram ao cenário violento da cidade de Teresina<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>4</sup></xref>, capital do Piauí; e <italic>A história do tiro</italic> (2021), uma investigação sobre a popularização dos clubes de tiro e CACs<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>5</sup></xref>. Este artigo se concentra na experiência de pesquisa e realização do documentário <italic>Poucos que Sobrevivem</italic>.</p>
			<p>O filme é um curta-documentário<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>6</sup></xref> de 24 minutos, com direção de Oliver. Não houve financiamento estatal nem privado, portanto, foi realizado com recurso dos próprios pesquisadores. O curta apresenta as paisagens urbanas das periferias de Teresina, são visitados 7 bairros nas regiões indicadas na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 01</xref>: <italic>Palitolândia, Santa Maria da Codipi, Quilômetro Seis, Quilômetro Sete, Lourival Parente, Vila Santa Cruz e Jacinta Andrade</italic>, lugares com o “estigma” do “lugar violento” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Goffman, 1975</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B53">Silva, 2005</xref>). As paisagens urbanas contrastam entre si. Da zona leste de Teresina às periferias, o ambiente se altera, revelando complexidades e problemas estruturais do espaço urbano.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1:</label>
					<caption>
						<title>Mapa de Teresina e Zonas Pesquisadas</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="2176-8099-plural-30-02-168-gf1.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Google Maps</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>A metodologia parte da pesquisa empírica, a partir de entrevistas abertas, onde o informante é convidado a falar abertamente sobre um tema, enquanto o pesquisador intervém somente quando necessário para aprofundar determinadas questões, permitindo obter nas informações elementos ricos e matizados (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Minayo, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B44">Quivy e Campenhoudt, 1998</xref>) registradas em um documentário e da análise fílmica. O uso dos diálogos e menções às cenas, faz parte do procedimento proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B42">Oliveira Jr. (2021</xref>), que pressupõe a decomposição dos elementos do filme, permitindo analisar uma cena, uma sequência, as camadas da imagem ou sonoras. </p>
			<p>Ainda quanto aos procedimentos metodológicos utilizados, na escolha dos entrevistados seguiu-se o método de amostragem “bola-de-neve”, o recurso se trata de uma espécie de amostragem que não tem natureza probabilística, mas se vale da rede de relações estabelecida entre indivíduos em uma pesquisa, ou seja, das “cadeias de referência” em que uns indivíduos apontam outros ao pesquisador, dentro de sua cadeia de relações (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Vinuto, 2014</xref>, p. 203). Além disso, foram acionados conceitualmente autores que auxiliam na compreensão dos temas ligados às juventudes; violências e cinema.</p>
			<p>Na primeira parte do trabalho apresenta-se a reflexão teórico-metodológica sobre o uso de entrevistas coletadas a partir da realização de um documentário-pesquisa. Na segunda parte, observa-se a descrição do cenário onde se passa a pesquisa, a partir dos temas da violência, juventudes e cinema. Na terceira parte, aborda-se teoricamente juventude e violência como categorias na rede conceitual acionada na pesquisa; a seguir, observam-se os relatos sobre violência policial no cotidiano dos entrevistados, relatos sobre experiências com o cárcere, relatos sobre a formação de galeras e gangues e, finalmente, sobre as estratégias de sobrevivência diante deste cenário; e por fim, conclui-se como o material produzido possibilita realocações do debate em torno do tema e sugestiona tensionamentos no imaginário sobre violência e juventudes em Teresina.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>As entrevistas</title>
			<p>Os discursos acionados pelos entrevistados em entrevistas abertas fazem parte de uma rede de afetos e registros das experiências produzidas em sua interlocução com o mundo da vida (<xref ref-type="bibr" rid="B49">Schutz, 1979</xref>). A escolha dos entrevistados se deu a partir do critério da ligação de sua vida pessoal com as dinâmicas da violência na juventude, alguns entrevistados indicaram outras pessoas. Além disso, alguns pesquisadores também são moradores dos bairros visitados, o que permitiu uma proximidade e a relação de confiança dos entrevistados. Os interlocutores, Sanatiel, Fleibert, Laíse, Gunga, Monstrinho, Marco Doido, Gil, Napoleão e Edvan, são habitantes das zonas periféricas da cidade de Teresina.</p>
			<p>A relação entre a entrevista aberta e o formato final que toma o documentário, está justamente na possibilidade de matizes e informações ricas trazidas pelo informante quando há espaço para falar abertamente e da maneira que deseja sobre determinado tema. O documentário, portanto, se vale das pausas, hesitações, pequenas mudanças de atitude e comportamento dentro do processo de realização das entrevistas para indicar momentos cruciais de análise. O uso do recurso fílmico auxilia a associar, por meio da montagem, essas evidências às narrativas elencadas no roteiro do filme, guiado pela categorização temática da pesquisa. </p>
			<p>O uso do documentário como forma de aproximação permitiu, além da transcrição do discurso dos depoentes, o registro das “piscadelas”, de forma a acessar complexidades que o registro escrito não daria conta de outra maneira (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Geertz, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Martins, 2017</xref>). Nesse sentido, o cinema afeta e é afetado pelo encontro, levando consigo a possibilidade de transportar sensações, lugares e o tempo. O recurso da entrevista como instrumento de pesquisa se torna central (Minayo, 2016), evitando imagens de arquivo no filme, e assim evitando as imagens de sofrimento e violência, massivamente veiculadas na mídia, com eficácia questionável quanto à compreensão mais ampla dos fatos exibidos (<xref ref-type="bibr" rid="B51">Sontag, 2003</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B46">Rodrigues (2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B47">2016</xref>) aponta uma mudança no uso das entrevistas no documentário. “Esta transição sinaliza a ascensão de uma prática cinematográfica marcada por um menor controle do realizador e por uma maior confiança na desenvoltura dos sujeitos em cena” (<xref ref-type="bibr" rid="B47">Rodrigues, 2016</xref>, p. 112). A entrevista, dessa maneira, possibilita que a voz das pessoas filmadas seja ouvida. O monopólio da fala do cineasta agora era aparentemente dividido, pois ainda há uma distribuição de poder desigual na relação entre as posições dos interlocutores. </p>
			<p>É importante a compreensão de que o filme se trata de uma construção, há sempre o espaço da inventividade e criatividade, mesmo no cinema documentário, com uma lógica fundada na ideia referencial da realidade objetiva (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Menezes, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Câmara e Lessa, 2013</xref>). Há, portanto, mecanismos de mediação e de ordem criativa do cinema documentário.</p>
			<disp-quote>
				<p>Nessa confusão entre documentários e &quot;documentários&quot;, entre público e documentarista, acaba-se por fazer desaparecer os elementos constitutivos da percepção desse discurso como construção, sempre como construção, e, portanto, como sendo sempre parcial, direcionado e, no limite, interpretativo. (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Menezes, 2004</xref>, p. 44)</p>
			</disp-quote>
			<p>Como pontua <xref ref-type="bibr" rid="B37">Menezes (2004</xref>), o filme sempre será uma <italic>fictio</italic>, não no sentido de uma enganação ou falseamento, mas em um sentido que realce o seu caráter criativo e com espaços de possibilidade para deslocamentos. A possibilidade da análise fílmica dentro do contexto da produção de conhecimento se dá na medida em que “ao analisar textos, imagens, música e outros materiais como significantes da vida social, estende a noção de corpus de um texto para qualquer outro material” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bauer; Aarts. 2015</xref>, p. 44). Assumindo esse posicionamento, aliado a ideia deleuziana de que os cineastas são produtores de conhecimento, escrevendo com imagens-movimento e imagens-tempo, ao invés das palavras (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Deleuze, 2018</xref>), os textos fílmicos se encontram presentes na pesquisa social (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Barros Júnior, 2020</xref>).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Cenas de Violências, Juventudes e Cinema</title>
			<p>A escalada da violência no Brasil assume novas problemáticas com o advento de grupos criminosos que viriam a ser as facções criminosas no país a partir do final da década de 1970. Esses grupos são formados dentro do sistema prisional em resposta às violações de direitos humanos do Estado brasileiro (Dias, <xref ref-type="bibr" rid="B34">Manso, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Feltran, 2018</xref>). Essa nova realidade social enfrentada pelas periferias do país se reflete também na produção mais acentuada de filmes com a temática da violência e das periferias a partir de <italic>Cidade de Deus</italic> (2002), <italic>Ônibus 174</italic> (2002), <italic>Falcão: Meninos do Tráfico</italic> (2006), o filme <italic>Tropa de Elite</italic> (2007), <italic>400 contra um</italic> (2010), dentre outros. Todos esses filmes se passam na região sudeste do Brasil, mas as dinâmicas do crime perceberam no nordeste um território perfeito para a ramificação da ação de grupos criminais. <italic>Poucos que sobrevivem</italic> (2021) se passa no Estado do Piauí, que tem uma das capitais mais violentas do mundo<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>7</sup></xref>.</p>
			<p>No Piauí, já na década de 1970<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>8</sup></xref>, encontrava-se o fenômeno das galeras e gangues. <xref ref-type="bibr" rid="B21">Ferreira (2005</xref>) aponta que o Piauí é um dos estados com mais denúncias de jovens e adolescentes como principais responsáveis pelo crescimento da violência. Em pesquisa mais recente, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Costa (2012</xref>) aponta que a escalada da violência na capital Teresina continua um problema incontornável, com a juventude implicada nas estatísticas. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022 aponta a capital do Piauí como a 4ª capital mais violenta do Brasil. É nesse contexto que se dá a aproximação com o tema e a realização do documentário em análise.</p>
			<p>A produção de imagens da periferia e da juventude pela mídia passou por processos de criminalização, pode criar imaginários cruéis sobre a juventude periférica e criar uma falsa ideia sobre segurança pública<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>9</sup></xref>, como aponta <xref ref-type="bibr" rid="B53">Silva (2005</xref>) em seu trabalho sobre a criminalização de uma periferia de Teresina a partir do estigma. Um exemplo disso são os programas televisivos de jornais locais sensacionalistas com temática policial, como a <italic>TV Antena 10</italic><xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>10</sup></xref>, jornal de Teresina. <xref ref-type="bibr" rid="B51">Sontag (2003</xref>, p. 20), sobre as imagens de guerra, reflete: “‘Se tem sangue vira manchete’, reza o antigo lema dos jornais populares e dos plantões jornalísticos de chamadas rápidas na tevê”. O mesmo se observa nas imagens de uma guerra cotidiana nas periferias de Teresina.</p>
			<p>Seguindo a trilha de Wright Mills, em um exercício de imaginação sociológica<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>11</sup></xref>, propomos a compreensão de que os relatos individuais dos 9 entrevistados no documentário fazem parte de processos estruturais mais amplos, envolvendo a sociedade de maneira que ultrapassam suas trajetórias individuais. São questões que dizem respeito não somente à vida privada dos indivíduos, mas um problema social complexo (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Mills, 1965</xref>). A abordagem escolhida pela pesquisa/documentário, com entrevistas individuais, privilegia as especificidades de cada um, saindo dos números como parte da estatística para particularidades presentes em cada um. Além dos elementos “palpáveis e visíveis” da violência, como destaca <xref ref-type="bibr" rid="B29">Guimarães (2013</xref>, p. 171), o cinema possibilita um espaço de contato não apenas com esses elementos da violência direta, mas também uma “abordagem de contextos particulares”, relativos às pessoas abordadas, tornando disponíveis à percepção os sofrimentos morais e psíquicos que não são diretamente acessíveis à primeira vista. </p>
			<p>Os usos da imagem como técnicas dentro do campo das ciências sociais são embasados epistemologicamente na pesquisa social qualitativa, necessitando ter sempre em mente a reflexividade teórico-metodológica (Mesquita <xref ref-type="bibr" rid="B43">Oliveira, Júnior, 2019</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B42">Oliveira Jr. (2021)</xref> demonstra o caráter interpretativo das imagens, enfatizando seu espaço criativo na interação. Nos termos de <xref ref-type="bibr" rid="B27">Goffman (2011</xref>), a ordem da interação face a face seria perturbada pela presença da câmera, modificando o cenário e as estratégias dos interlocutores na apresentação da fachada e sustentação da linha. </p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Sobre a noção de juventudes e violência</title>
			<p>Durante a feitura do documentário, o tema da juventude está presente principalmente quando é relacionado com violência. Essa aproximação de ambos os temas é recorrente na história das ciências sociais, especialmente pela Escola de Chicago<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>12</sup></xref> e muitas vezes com um teor negativista e pessimista em relação à juventude, vista como um problema a ser contido. A ideia de juventude só aparece na medida em que esses começam a ser detentores de direitos e deveres, no pós-guerra (Cruz, 2000), período em que a temática está relacionada às mudanças sociais e ganha novo impulso<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>13</sup></xref>. Há perspectivas funcionalistas que abordam a “preparação dos jovens para assunção dos papéis modernos relativos à profissão, ao casamento, à cidadania política, etc.” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Abramo, 1994</xref>, p. 17).</p>
			<p>Luís Antônio <xref ref-type="bibr" rid="B28">Groppo (2000</xref>) trabalha com juventude como uma categoria social, ou seja, há uma historicidade no conceito de juventude, como categoria sócio-histórica, implicada em seu tempo e lugar. Dessa forma as juventudes seriam também representações e situações sociais criadas pelos grupos sociais diversos (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Barbalho, 2013</xref>). Na perspectiva de Pierre <xref ref-type="bibr" rid="B11">Bourdieu (1983</xref>), se enfatizam os conflitos e tensões entre o velho e o jovem, conflitos geracionais que evidenciam relações de poder estabelecidas entre esses atores. </p>
			<p>Para compreender as relações entre juventudes e violência, é necessário, ainda, considerar a categoria de juventude não como um todo universal e homogêneo, mas com nuances, diferenças sociais e complexidades que passam pelas questões de classe, gênero, raça e territorialidade (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Barbalho, 2013</xref>). Segundo Glória <xref ref-type="bibr" rid="B20">Diógenes (2012</xref>, p. 104), a juventude “representa uma condição que mais se define por suas práticas, por suas formas diversas de atuação e de experimentação do que mesmo por conceituações e referenciais estáveis e fixos”. Um conceito em movimento.</p>
			<disp-quote>
				<p>Em se tratando da relação entre juventude e violência, por exemplo, estas categorias apareceram juntas ou até mesmo sobrepostas nos discursos acadêmicos; o que colaborou para que se construíssem tanto generalizações que homogeneizaram juventudes de espaços, tempos e classes sociais distintas, quanto contribuíram para tornar violência, conforme Rifiotis (2006), um significante vazio que pode acolher vários significados e situações. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Canetti; Maheirie, 2010</xref>, p. 575)</p>
			</disp-quote>
			<p>Nesse sentido, a relevância da categoria de juventude neste trabalho implica, à primeira vista, em dois pontos fundamentais: A criminalização da juventude periférica por meio dos setores da mídia e as práticas da juventude dentro de um cenário onde impera as regras de grupos violentos, como as gangues e o tráfico. A televisão e grande parte da mídia veiculada pelos meios de comunicação participa ativamente do processo de estigmatização da periferia, geralmente abordando a violência com elementos de naturalização e generalização, excluindo do debate relações entre o processo de gênese histórica das periferias, ligadas a má distribuição dos recursos, exclusão e desigualdades de toda sorte. O estigma nesse sentido também é construído pelos processos de comunicação na televisão, ainda que, na perspectiva de <xref ref-type="bibr" rid="B26">Goffman (1975</xref>), deva ser concebido a partir da presença física, pressupondo a presença entre aqueles que seriam denominados normais em certo grupo e os estigmatizados, portanto sempre construído socialmente e em caráter relacional, sendo concebido como um atributo depreciativo e participando da manutenção das exclusões sociais.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A Violência policial em Teresina</title>
			<p>Um dos aspectos que aparecem constantemente nas entrevistas é a presença da violência policial na trajetória de vida e no cotidiano dos entrevistados, uma presença violenta contra corpos negros. Segundo dados da Rede de Observatórios de Segurança Pública (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Ramos et al., 2022</xref>), 83% das vítimas da intervenção de agentes do Estado no Piauí são pessoas negras. Ainda no rastro do racismo, além do conflito direto, o conflito armado resultando morte ou a violência direta dos agentes de Estado, há formas diversas de violência perpetuadas pelos agentes. Os dados levantados pela Rede de Observatórios de Segurança Pública refletem também nos relatos dos entrevistados no registro do filme.</p>
			<disp-quote>
				<p>[Eu] tinha o cabelo <italic>Black Power</italic>, eu fui lá [na casa de custódia], <bold>eu não consegui entrar porque eles não queriam deixar eu entrar. Queriam pegar no meu cabelo, dizendo que eu tava levando droga no cabelo pra ele lá dentro. Aí eu tive que raspar o cabelo pra poder entrar lá</bold>. Raspei o cabelo e fui visitar ele. Só que eles ainda olhavam pra mim com um jeito diferente, o pessoal lá da custódia. Tive que cortar o cabelo. Reclamei foi muito no dia lá do coiso, mas eles dizem <bold>“Não cê tá errado, cê quer ser preso?”</bold> [...] Tô aqui indo visitar meu irmão, é um direito que eu tenho. (Entrevista com Sanatiel em 03 de abril de 2019)</p>
			</disp-quote>
			<p>Sanatiel é um homem negro que cultivava dreadlocks naturais no cabelo, que mantém um relacionamento estável com sua esposa e há muito tempo não vê seu irmão mais velho. Sanatiel aceitou participar das gravações e contar a história do lugar, sua trajetória e o que o manteve vivo. Fomos a um lugar escolhido, onde grupos de <italic>hip hop</italic> surgiam e locais de encontro, onde resgata memórias do passado, e quando perguntado da família conta a história de seu irmão Daniel, que cumpre pena condenado por um latrocínio e conta da dificuldade de conseguir visitá-lo ao enfrentar ações racistas dos agentes por usar um cabelo <italic>Black Power</italic>, na tentativa de disciplina e sujeição dos corpos, um controle exaustivo para a obediência e utilidade (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Foucault, 1987</xref>). </p>
			<disp-quote>
				<p>Mas aqui era comum a gente ver abuso de poder em praça mesmo, no meio do festejo. Era comum, era comum você ver policial bêbado agredindo morador, isso aqui era comum. Dando tiro no meio da rua. Era comum. Mortes misteriosas, de 2007 pra cá. Mortes com características de execução, tiro na nuca. Pessoas encapuzadas chegam dentro da casa, tira a pessoa e mata com um tiro na nuca, ou leva pro matagal, amarra. (Entrevista com Fleibert, em 14 de março de 2020)</p>
			</disp-quote>
			<p>Os relatos reafirmam a violência no cotidiano, no espaço público, inclusive durante atividades culturais. A violência policial cotidiana na periferia de Teresina é naturalizada de forma que a certeza da impunidade se impõe, os agentes muitas vezes não são denunciados e novos casos, que aparecem na mídia como casos isolados, se multiplicam. Fleibert, morador da Santa Maria da Codipi, relata sua percepção sobre o tema, que reaparece em outros relatos, de forma que achamos necessário vinculá-los. O elemento da violência policial reaparece na fala de Laíse, jovem que teve grande parte da juventude associada a elementos da violência policial, dentro e fora do cárcere.</p>
			<disp-quote>
				<p>O pior momento da minha vida. [...] A polícia atirou lá na porta da minha casa. E o meu filho tava aqui no portão segurando aqui. E o policial viu que tinha uma criança lá. Pois ele atirou, a bala pegou no portão e coisou aqui na testa do meu filho. Um tiro de ponto 40 bem na testa dele! Raspando. [...] eu vi a cara do meu filho com um buraco, todo ensanguentado. Eu pensava que meu filho ia morrer, eu pensei que a bala tinha entrado. (Entrevista com Laíse, em 19 de março de 2020).</p>
			</disp-quote>
			<p>O cotidiano bélico gestado pelo Estado nas periferias de Teresina revela-se nos relatos dos entrevistados, onde mesmo dentro do contexto de Laíse e de sua perspectiva, algumas ações são percebidas como completamente fora do comum, como a cena descrita, muito embora os indivíduos quase sempre não tenham mecanismos para agir contra a violência da polícia, ainda que fora da legalidade, procurando estratégias para sobreviver às ações violentas dos agentes do Estado. Antônio <xref ref-type="bibr" rid="B41">Oliveira (2010</xref>) aponta a complexidade do contexto social que envolve o abuso por parte das forças policiais, que muitas vezes tem a conivência e apoio da população. Segundo o autor, é óbvio que existe a necessidade de uma regulação externa, mas que não perca de vista os elementos constituintes da atividade policial e seu caráter profissional.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O cárcere no Piauí</title>
			<p>Os relatos seguem tocando em temas relevantes dos estudos em violência e do contexto delineado na pesquisa. Ainda na instituição abandonada onde Sanatiel nos concedeu a entrevista, ele rememora: <italic>“já mataram um aí dentro. Não foi só um não, foi três, quatro…”</italic>. E continua contextualizando acerca do envolvimento de seu irmão em um assalto:</p>
			<disp-quote>
				<p>Eles meteram a facada no homem, agora ninguém sabe quem foi, né?! Dizem que foi meu irmão o autor do crime, mas eu acho que não foi porque passaram, eles passaram um tempo no presídio, e descobriram que esse tal de cara que matou esse Macêdo o nome dele coincidia com o nome do meu irmão que era Daniel também. Eles descobriram isso lá dentro, só que quando eles foram atrás do cara descobrir essa história. O pessoal foi e… queimaram o arquivo, mataram o cara e eles ficaram como culpados de latrocínio. Aí pegaram esse veneno todo. (Entrevista com Sanatiel, em 03 de abril de 2019)</p>
			</disp-quote>
			<p>Os problemas de erros judiciais no sistema de justiça criminal é apenas a ponta do iceberg de um processo de criminalização histórico com raízes na formação social do Brasil e do pensamento criminológico do país. Para Silva e Costa (2022), a pobreza parece haver um caminho traçado: encarceramento interminável ou política de extermínio, pois, como encarceramento está associado à racialização daqueles que certamente serão punidos e se configura num grande déficit da questão social, leva-se em consideração a trajetória histórica desse país como sendo o último país do ocidente a abolir a escravidão, e que, cotidianamente - de múltiplas formas - trucida a população negra, que é o segmento social que mais sofre pela dinâmica de desigualdade estrutural no Brasil. </p>
			<p>A sociedade brasileira coexiste com um sistema prisional e de justiça criminal que prende, condena e encarcera a partir da seletividade penal. Conforme os dados expostos através do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias do Ministério da Justiça (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Infopen, 2014</xref>), o Brasil chegou à marca de 607,7 mil presos, desta população, 41% aguardam por julgamento “atrás das grades”. Sendo assim, há 222 mil pessoas encarceradas sem condenação. O encarceramento em massa, como bem chama Juliana <xref ref-type="bibr" rid="B10">Borges (2018</xref>), é produto de um sistema criminal que surge, não para garantir normas e leis, mas na verdade se trata de um sistema que surge já com uma repressão que cria o alvo que intenta reprimir. </p>
			<p>O Piauí conta atualmente com uma taxa média de aumento na população carcerária de 6,8% ao ano, e isso significa que, em 2027, a população carcerária no Estado será de 8.110 encarcerados. Conforme a inspeção nos estabelecimentos penais realizada pelo <xref ref-type="bibr" rid="B3">CNJ (2013)</xref> a população carcerária do Piauí contava com mais de 50% de presos provisórios, e um déficit de 93,08% que equivale a ordem de 2164 de vagas nas carceragens, ficando atrás só do Estado de Pernambuco e do Distrito Federal. Dado que também surge no documentário mencionado por Fleibert: “Se tu chegar dentro de uma custódia, dentro de uma Irmão Guido. Se tu pegar o histórico dos caras lá, a maioria lá é preso provisório, pô”. (Entrevista com Fleibert em 14 de março de 2020). </p>
			<p>Dados do núcleo de estatísticas do Sistema Penitenciário do Piauí (Sejus-PI, 2017) revelam que a população carcerária do Piauí aumentou cerca 21,5% de janeiro de 2015 a junho de 2017. O Estado do Piauí conta com 18 unidades penais<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>14</sup></xref>, que no ano de 2015 tinha em cárcere 3.542, passando para 4.303 presos em junho de 2017, ou seja, nesse período, a população carcerária do Estado aumentou em 761 pessoas. Realidade que, guardada as devidas particularidades, segue a tendência do encarceramento em massa de grupos marginalizados e minorias étnico-raciais (<xref ref-type="bibr" rid="B55">Wacquant, 2001</xref>).</p>
			<p>Segundo o Mapeamento do Perfil da População Carcerária da Região Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina (2015), 24,5% da população carcerária da capital Teresina são detentos que não concluíram o Ensino Fundamental. Além disso, 17,5% dos presos são analfabetos funcionais e 8,9% são analfabetos. Da amostra de 1.626 detentos pesquisados no mapeamento, 772 são presos provisórios (47,5%) e 723 são condenados (46%). Do total de provisórios, 58,7% (447) estão há mais de 180 dias reclusos sem julgamento e 40% dos presos têm de 18 a 25 anos de idade. Ainda de acordo com o mapeamento, 47,6% desses presos não têm antecedentes criminais e 59% dos presos provisórios estão há mais de 180 dias reclusos<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>15</sup></xref>. A pesquisa aponta também que 40,79% das pessoas privadas de liberdade no sistema prisional da Grande Teresina estão na faixa etária de 18 a 25 anos. De 26 a 30 anos, são 21,61%. Com idade de 31 a 35 anos são 14,32%. De 36 a 40 anos, 7,67% dos presos. De 41 a 45 anos, 2,05%. Mais de 46 anos, 3,07%. Sem informações, 10,49%.</p>
			<p>Gunga, um dos entrevistados, cresceu nas redondezas do km 06, uma comunidade conhecida por abrigar gangues e galeras que rivalizam entre si em bailes de reggae na própria comunidade e, nas redondezas dessa comunidade, está a popularmente conhecida Casa de Custódia. Gunga, que cresceu e construiu relações de afetos familiares e territorial, desenvolve um projeto social de capoeira, mas também agita fazendo rap com os amigos nas rodas quando se encontram. Em um de seus versos musicais, deixa explícito a naturalização do ambiente carcerário em sua própria narrativa: </p>
			<disp-quote>
				<p>Mais um maluco dando entrada, bem-vindo ao inferno essa é sua nova casa! Trocou sua liberdade, correndo atrás de fitas por uma fita atrás das grades. Talvez até quem sabe, por necessidade, tentando sobreviver, ou só pra aparecer. Achando que o crime é moda? Seja bem-vindo à casa de custódia. Esteja convidado a fazer parte do cruel, sinistro mundo insano pra sentir o gosto do fel. O réu, lá fora o predador, aqui dentro vira caça. Se tiver devendo alguém aqui, aqui mesmo você paga! (Transcrição da trilha musical composta por Gunga).</p>
			</disp-quote>
			<p>O cárcere, como um lugar com regras próprias, associado ao “inferno” pelo entrevistado, é relatado pela música de autoria do entrevistado Gunga. Regras de convivência, baseadas muitas vezes na palavra, único recurso possível, e a referência a uma justiça paralela, onde o devedor paga com sangue os desvios de conduta condenados pelos grupos dentro da situação carcerária, descrevem o cenário cotidiano vivenciado pelo entrevistado. No espaço entre carcereiros e encarcerados, há que se fazer distinções não só entre eles, mas entre os próprios encarcerados. </p>
			<disp-quote>
				<p>Tipo, na casa de custódia é uma celinha com uma pedrinha, acho que é um metro, pra 13 ou 14 presos. Já na penitenciária feminina não, é uma cela enorme. Seis pedras de dormir, tipo beliche de cimento. Dois banheiros, um pra fazer as necessidades e outro pra tomar banho. (Entrevista com Laíse, em 19 de março de 2020).</p>
			</disp-quote>
			<p>Laíse relata as diferenças entre as penitenciárias femininas e masculinas, e de uma penitenciária para outra, no contexto piauiense a partir de sua própria experiência como encarcerada. O relato da experiência da superlotação nos presídios piauienses e uma experiência fora do comum, que Laíse conta esboçando surpresa, de uma penitenciária com dois banheiros por cela e seis beliches de cimento.</p>
			<disp-quote>
				<p>Aqui na feminina em Teresina só quem entra dentro do pavilhão é as agente penitenciária mulher! Homem quando entra elas avisam: “Quem tiver só de sutiã, não sei o que, veste a farda que vai entrar homem. Lá na Jorge Vieira em Timon, quem comanda lá o presídio feminino é os policial homem, os agente homem. Lá, qualquer coisa, procedimento, dizem que é mão na cabeça, quem não botar spray de pimenta na cara! (Entrevista com Laíse, em 19 de março de 2020).</p>
			</disp-quote>
			<p>A Penitenciária Feminina de Teresina<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>16</sup></xref>, segundo Laíse, também tem uma divisão de trabalho onde somente as agentes penitenciárias de mesmo gênero podem adentrar o pavilhão para inspeções e outros serviços. Uma diferença, segundo Laíse, em relação ao Presídio Jorge Vieira<xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>17</sup></xref> no estado do Maranhão, localizado na cidade de Timon, é que neste há agentes penitenciários do sexo masculino na penitenciária feminina, e eles agem de forma violenta, acima dos limites legais, utilizando de métodos de repressão desproporcionais. Já na Penitenciária Feminina de Teresina há agentes penitenciárias do sexo feminino.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Galeras e gangues e turmas</title>
			<p>Formar uma galera, fazer parte de uma turma, era sobretudo estratégia de fortalecimento e potencialização das ações, agora experimentadas em grupo, como gangue (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Diógenes, 2008</xref>). Gil é um dos entrevistados, que atualmente trabalha como pedreiro e é pai de Guilherme, que gravava as imagens de relatos que, segundo ele, não são revividos com histórias em outras ocasiões. Gil aceita participar da entrevista e relata que quando tudo começou para ele, não havia outros grupos na localidade, mas que havia “galeras” formadas em outros locais. Afirma que, com um grupo grande e forte, já poderia adentrar em espaços com mais respeito e possibilidades de vencer possíveis disputas com outros grupos.</p>
			<disp-quote>
				<p>Rapaz, <bold>bora formar uma galera?</bold> Aí começou assim. Pelo menos lá onde eu moro começou assim, não existia nada, era só… A gente nem sabia. ‘Como é que forma? <bold>Nós tem que linchar alguém</bold>’ [...] Vamos se entrosar com mais gente, se reunir. Aí começamos a botar o nome das pessoas no poste, né? Aí quando pensou que não já tinha 60 pessoas. [...] Já dava pra ir pro reggae, já tava morrendo gente. (Entrevista com Gil, em 15 de março de 2020)</p>
			</disp-quote>
			<p>Durante os relatos, revela-se que na década de 80, havia as turmas da <italic>foice</italic> e do <italic>facão</italic>, conforme as armas usadas por cada grupo. Marcos relata, por exemplo, que naquela época a qual se refere, não existia “covardia de arma de fogo”, se brigava de facão, foice ou com os punhos. Disse que percebe os jovens da “nova geração” como “covardes”, por andarem armados com armas de fogo. Ele nos relata ainda que não gostava de assaltantes em sua turma. Quando descobria que alguém estava roubando, mandava espancar e depois o sujeito era expulso do grupo, destinado apenas a linchamentos, demarcações de território e imposições de regras que definiam a identidade do grupo.</p>
			<p>Quando alguém do grupo era humilhado, ferido ou de qualquer forma alvo de um grupo externo, a constituição de uma turma ou galera definiu de certa forma o potencial de resposta à ação violenta recebida com uma reação ainda mais violenta do grupo agredido indiretamente. Assim, Marcos relata um caso em que sofreu uma tentativa de assassinato, onde um sujeito que foi espancado por ele buscava vingança, porém conseguiu escapar, ao ameaçar o seu inimigo, lembrando que nessa época já tinha uma turma:</p>
			<disp-quote>
				<p>Aí se tu me matar bem aqui é pior, porra. Tu vai me matar bem aqui, ó, o Cléber vai morrer, tu vai morrer, tua mãe vai morrer, tua família todinha vai morrer, até tua vó vai morrer. Porque na hora que a notícia chegar bem ali, vai descer todo mundo. [...] Tu acha que se tu me der uns dois, três tiros, os caras não vão saber já já? Aí meus irmãos não vão descer lá? Nesse tempo eu já tinha a minha turma! (Entrevista com Marcos, em 07 de março de 2020).</p>
			</disp-quote>
			<p>Mesmo reconhecendo as vantagens de fazer parte de uma turma, Marcos relata que segundo sua experiência de vida, é preciso se manter desconfiado, ou seja, não confiar em ninguém. “Não confio. Nunca confiei em ninguém. Nem na minha roupa eu nunca confiei porque se rasgar o cabra anda nu, meu amigo. Quer progredir na vida? Quer viver? Ande só, se garanta. Porque sozinho, sozinho, o que você fizer bem aqui, você só vai saber se eu contar”. (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Nupec, 2021</xref>). Diante dessa ambiguidade, desse e de outros relatos de Marcos, percebe-se que esteve entre ocasiões de traição dentro do grupo, o que o fez desenvolver uma desconfiança.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Estratégias de sobrevivência e reinvenção</title>
			<p>A trajetória de vida de Gunga no filme, diferente dos demais personagens, não é contada a partir do recurso da entrevista. Na cena de Gunga, a forma se altera, sem criar rupturas, para o registro de acontecimentos que nos levam à uma música, composição de Gunga, momento em que ouvimos sua história. <italic>“Dos pinotes da polícia pras rodas de capoeira”</italic>, Gunga reinventa o cotidiano de violências para atuar como educador social em um projeto junto às crianças que participam de suas aulas de capoeira, nesse sentido, ele altera a forma de representação e constituição da <italic>fachada</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Goffman, 2014</xref>) no cotidiano da sua quebrada. Gunga nos conta que toda a comunidade respeita as ações do projeto, inclusive os atores ligados ao crime. Também nos fala sobre as estratégias de barganha com políticos:</p>
			<disp-quote>
				<p>Aqui eles [os políticos] não têm interesse é de nada, cara. [...] Tem uma rua aí que tava há seis anos quebrada, né? Como eu tenho aí esse trabalho de capoeira, eu desenvolvo…[sic] Desenvolvo trabalho de capoeira, eu tenho muito aluno. E tem os pais, tem os parentes, tudo isso é voto, né? Aí rapidamente eu arranjei alguém envolvido com a política pra mandar consertar essa rua. Mas se não fosse isso jamais eles teriam vindo. E também tá perto de período de campanha. (Entrevista com Gunga, em 14 de março de 2020).</p>
			</disp-quote>
			<p>Edvan relata sobre as suas motivações de ingressar e manter-se na vida do crime. A ideia da excitação, da busca por adrenalina está presente no relato de Edvan, a ideia de violência como um constitutivo da vida, muito embora associada ao crime, mas não somente. “Um dos meus maiores motivos mais de eu viver nessa porra toda mais é a adrenalina, era a adrenalina. Eu era louco por adrenalina, me arriscava. Era coisa que tipo me excitava. Mas bem banal, não compensa não. Na minha opinião são poucos os que sobrevivem” (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Nupec, 2021</xref>). Edvan relata também que ao deixar a vida do crime conseguiu experimentar coisas que lhe dão alegria hoje, como aproveitar o cotidiano com as filhas e poder levá-las à escola.</p>
			<disp-quote>
				<p>[Trilha sonora ao fundo: <italic>Last night I dreamt of San Pedro</italic>] A alegria vem porque o cara tá indo, né, pra casa! Seis dias longe da família! É nós! [<italic>I prayed that the days would last, they went so fast</italic>] E ouvindo a Madonna, música da minha infância, porra! É isso aí, hoje é sexta-feira! É dia de alegria! Alegria! Sexta-feira, porra! (Vídeo enviado por Marcos à equipe por <italic>Whatsapp</italic>, em 20 de novembro de 2020).</p>
			</disp-quote>
			<p>O documentário acaba com um vídeo enviado por Marcos à produção, gravado com celular, onde ele está voltando para casa, pedalando uma bicicleta e ouvindo Madonna, em uma pequena caixa de som amarrada ao guidão da bicicleta. Enquanto buscavam-se relatos associados à vida afetada pela violência, Marcos e os demais entrevistados revelaram dimensões da vida referentes às suas estratégias de sobrevivência ao cotidiano bélico. Marcos sentia-se mais motivado ao relatar a forma que vive hoje, com uma piscina em casa, que ele mesmo construiu e uma família embaixo de um teto. É a dignidade como dimensão fundamental da vida que mais importa a todos os entrevistados.</p>
			<p>A ocupação da mídia por uma reinvenção da imagem da violência pelas juventudes a partir do documentário nos coloca diante da relação recíproca entre criação de imagens e imaginários (Maffesoli, 2001). “A composição fotográfica encontra-se, assim, no plano do imaginário, exigindo do pesquisador um trabalho de decomposição e decodificação” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Barreira, 2017</xref>, p. 52). Assim como a experiência da fotografia nas ciências sociais se encontra no plano do imaginário, o cinema, gestado a partir da imagem fotográfica, retém esse elemento. A oposição radical entre imaginário e real, portanto, não se faz verdadeira (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Almeida, 2020</xref>). Borges apud Bell <xref ref-type="bibr" rid="B30">Hooks (2019</xref>) destaca que vivemos em uma época caracterizada por uma &quot;guerra de embates e signos&quot; e uma &quot;sede de representação e visualidades&quot;. <xref ref-type="bibr" rid="B30">Bell Hooks (2019)</xref> cita a diretora Pratibha Parmar e argumenta que as imagens desempenham um papel fundamental no controle político e social que os indivíduos e grupos marginalizados possam ter. Conforme a autora, &quot;a natureza profundamente ideológica das imagens determina não só como outras pessoas pensam a nosso respeito, mas também como pensamos a nosso respeito&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Hooks, 2019</xref>, p. 38). A espetacularização da violência nas mídias televisivas e nas redes, vetores comunicacionais no contexto da “necropolítica”, selecionam os corpos matáveis e as “vidas passíveis de luto” (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Mbembe, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">Butler, 2017</xref>). Diante disso, uma “narrativa contra hegemônica” se insurge a partir de “cinemas-outros” (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Oliveira Jr., 2021</xref>). A construção da imagem se coloca em um lugar onde as relações de poder são centro do palco, lutas de construções simbólicas e narrativas, em um sentido em que se definem aqueles que podem e aqueles que não podem falar (<xref ref-type="bibr" rid="B52">Spivak, 2010</xref>). </p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>Para trazer questões estruturais à tona, relativas à violência e às juventudes, o uso da imagem documental na pesquisa em ciências sociais é abordado a partir da perspectiva da imagem na mediação da construção dos relatos e como instrumento capaz de captar as filigranas das interações. A experiência de realizar o documentário permitiu o contínuo debate metodológico do <italic>como</italic> fazer, na medida em que a pesquisa avançava, estratégias alteravam-se de acordo com o encontro. Além das entrevistas e da análise fílmica, as evidências de dados produzidas pelo Observatório de Segurança do Estado do Piauí e dados de pesquisas empíricas auxiliaram na interpretação e apresentação do contexto no qual são analisados os fatos. </p>
			<p>As imagens fazem parte de um conjunto de representações, imaginários e manifestações sociais historicamente localizadas. A problemática da violência assume lugar em um documentário a partir das superfícies de contato que relacionam a periferia com outros <italic>lócus</italic> narrativos. <italic>Poucos que sobrevivem</italic> traz o relato de pessoas que tiveram suas vidas afetadas pela criminalidade no contexto da juventude. Se por um lado, o documentário auxilia na compreensão do contexto social vivido pelos personagens, com a expressão do racismo, violência policial e controle dos corpos, por outro lado a experiência viva da memória dos tempos das galeras, buscas por excitação e reinvenções da vida revelam uma reelaboração do cotidiano por meio de estratégias diversas.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ABRAMO, Helena Wendel (1994). <italic>Cenas juvenis: punks e darks no espetáculo urbano</italic>. São Paulo: Página Abert.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ABRAMO</surname>
							<given-names>Helena Wendel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1994</year>
					<source>Cenas juvenis: punks e darks no espetáculo urbano</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Página Abert</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>ALMEIDA, Rogério de (2020). <italic>O cinema entre o real e o imaginário</italic>. <italic>Revista USP</italic>. São Paulo. n. 125. p. 89-98.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALMEIDA</surname>
							<given-names>Rogério de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2020</year>
					<article-title>O cinema entre o real e o imaginário</article-title>
					<source>Revista USP</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<issue>125</issue>
					<fpage>89</fpage>
					<lpage>98</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>AGÊNCIA CNJ DE NOTÍCIAS. (2013). cnj.jus. Grande número de presos provisórios será alvo de Mutirão Carcerário no Piauí. online: <italic>CNJ</italic>. Jorge Vasconcellos. Disponível em: <comment>
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.cnj.jus.br/grande-numero-de-presos-provisorios-sera-alvo-de-mutirao-carcerario-no-piaui">https://www.cnj.jus.br/grande-numero-de-presos-provisorios-sera-alvo-de-mutirao-carcerario-no-piaui</ext-link>
					</comment>/. Acesso em: 01 dez. 2023.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>AGÊNCIA CNJ DE NOTÍCIAS</collab>
					</person-group>
					<year>2013</year>
					<article-title>cnj.jus. Grande número de presos provisórios será alvo de Mutirão Carcerário no Piauí</article-title>
					<source>CNJ</source>
					<comment>
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.cnj.jus.br/grande-numero-de-presos-provisorios-sera-alvo-de-mutirao-carcerario-no-piaui">https://www.cnj.jus.br/grande-numero-de-presos-provisorios-sera-alvo-de-mutirao-carcerario-no-piaui</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2023-12-01">01 dez. 2023</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>BARBALHO, Alexandre (2013). <italic>A criação está no ar: Juventudes, política, cultura e mídia</italic>. Fortaleza: EdUECE.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BARBALHO</surname>
							<given-names>Alexandre</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2013</year>
					<source>A criação está no ar: Juventudes, política, cultura e mídia</source>
					<publisher-loc>Fortaleza</publisher-loc>
					<publisher-name>EdUECE</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>BARREIRA, Irlys Alencar Firmo (2017). <italic>O labor criativo na pesquisa: Experiências de ensino e investigação em ciências sociais</italic>. Fortaleza: Imprensa Universitária.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BARREIRA</surname>
							<given-names>Irlys Alencar Firmo</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2017</year>
					<source>O labor criativo na pesquisa: Experiências de ensino e investigação em ciências sociais</source>
					<publisher-loc>Fortaleza</publisher-loc>
					<publisher-name>Imprensa Universitária</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation> BARROSJrFrancisco de Oliveira (2020). <italic>O sociólogo vai ao cinema</italic>. Teresina: EdUFPI.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BARROS</surname>
							<given-names>Francisco de Oliveira</given-names>
							<suffix>Jr</suffix>
						</name>
					</person-group>
					<year>2020</year>
					<source>O sociólogo vai ao cinema</source>
					<publisher-loc>Teresina</publisher-loc>
					<publisher-name>EdUFPI</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>BAUER, Martin W; GASKELL, George (orgs.) (2015). <italic>Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: Um manual prático</italic>. 13.ed. Petrópolis, RJ: Vozes.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>BAUER</surname>
							<given-names>Martin W</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>GASKELL</surname>
							<given-names>George</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2015</year>
					<source>Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: Um manual prático</source>
					<edition>13</edition>
					<publisher-loc>Petrópolis, RJ</publisher-loc>
					<publisher-name>Vozes</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<mixed-citation>BECKER, Howard (1996). Conferência: A Escola de Chicago. Rio de Janeiro, <italic>Mana</italic>, v. 2, n.2, p.177-188.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BECKER</surname>
							<given-names>Howard</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1996</year>
					<article-title>Conferência: A Escola de Chicago</article-title>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<source>Mana</source>
					<volume>2</volume>
					<issue>2</issue>
					<fpage>177</fpage>
					<lpage>188</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B9">
				<mixed-citation>BOM DIA PIAUÍ (2020). <italic>Documentário retrata a violência na periferia de Teresina</italic> - 22/12/2020. (6 min.). Disponível em <comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://globoplay.globo.com/v/9121419">https://globoplay.globo.com/v/9121419</ext-link>
					</comment>/ (Acesso em: 31/01/2023).</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="newspaper">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BOM DIA PIAUÍ</collab>
					</person-group>
					<year>2020</year>
					<source><italic>Documentário retrata a violência na periferia de Teresina</italic> - 22/12/2020</source>
					<comment>Disponível em <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://globoplay.globo.com/v/9121419">https://globoplay.globo.com/v/9121419</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2023-01-31">31/01/2023</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<mixed-citation>BORGES, Juliana (2018). <italic>O QUE É: encarceramento em massa?</italic> Belo Horizonte, MG: Letramento: Justificando.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BORGES</surname>
							<given-names>Juliana</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2018</year>
					<source>O QUE É: encarceramento em massa?</source>
					<publisher-loc>Belo Horizonte, MG</publisher-loc>
					<publisher-name>Letramento: Justificando</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<mixed-citation>BOURDIEU, Pierre (1983). <italic>Questões de Sociologia</italic>. Rio de Janeiro: Marco Zero.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOURDIEU</surname>
							<given-names>Pierre</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1983</year>
					<source>Questões de Sociologia</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Marco Zero</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<mixed-citation>BUTLER, Judith (2017). <italic>Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto?</italic> Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BUTLER</surname>
							<given-names>Judith</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2017</year>
					<source>Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto?</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Civilização Brasileira</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B13">
				<mixed-citation>CÂMARA, Antônio da Silva; LESSA, Rodrigo Oliveira (2013). <italic>Cinema documentário brasileiro em perspectiva</italic>. Salvador: EDUFBA.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CÂMARA</surname>
							<given-names>Antônio da Silva</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>LESSA</surname>
							<given-names>Rodrigo Oliveira</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2013</year>
					<source>Cinema documentário brasileiro em perspectiva</source>
					<publisher-loc>Salvador</publisher-loc>
					<publisher-name>EDUFBA</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<mixed-citation>CANETTI, Ana Lúcia; MAHEIRIE, Kátia (2010). Juventudes e violências: implicações éticas e políticas. <italic>Fractal: Revista de Psicologia</italic>, v. 22, p. 573-590.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CANETTI</surname>
							<given-names>Ana Lúcia</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>MAHEIRIE</surname>
							<given-names>Kátia</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2010</year>
					<article-title>Juventudes e violências: implicações éticas e políticas</article-title>
					<source>Fractal: Revista de Psicologia</source>
					<volume>22</volume>
					<fpage>573</fpage>
					<lpage>590</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B15">
				<mixed-citation>COSTA, Marcondes Brito da (2012). “<italic>O CARA TEM QUE SER. SE NUM FOR, JÁ ERA!”: construção de identidades juvenis em situação de tráfico de drogas</italic>. Dissertação (Mestrado em Políticas Públicas). Centro de Ciências Humanas e Letras, Universidade Federal do Piauí. 2012. (Acesso em 20/02/2023).</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>COSTA</surname>
							<given-names>Marcondes Brito da</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2012</year>
					<source>“<italic>O CARA TEM QUE SER. SE NUM FOR, JÁ ERA!”: construção de identidades juvenis em situação de tráfico de drogas</italic></source>
					<comment content-type="degree">Mestrado em Políticas Públicas</comment>
					<publisher-name>Centro de Ciências Humanas e Letras, Universidade Federal do Piauí</publisher-name>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2023-02-20">20/02/2023</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<mixed-citation>CRUZ, Rossana Reguillo (2006). <italic>Emergencio de culturas juveniles: Estrategias del desencanto</italic>. Bogotá: Norma.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CRUZ</surname>
							<given-names>Rossana Reguillo</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2006</year>
					<source>Emergencio de culturas juveniles: Estrategias del desencanto</source>
					<publisher-loc>Bogotá</publisher-loc>
					<publisher-name>Norma</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B17">
				<mixed-citation>DELEUZE, Gilles (2018). <italic>Cinema 1: A imagem-movimento</italic>. São Paulo: Editora 34.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DELEUZE</surname>
							<given-names>Gilles</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2018</year>
					<source>Cinema 1: A imagem-movimento</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora 34</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B18">
				<mixed-citation>DEPEN - Departamento Penitenciário Nacional. (2014) <italic>Levantamento Nacional: DE INFORMAÇÕES PENITENCIÁRIAS INFOPEN - Dezembro</italic>. BR: MINISTÉRIO DA JUSTIÇA 80 p. Disponível em: <comment>
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.conjur.com.br/dl/in/infopen-dez14.pdf">https://www.conjur.com.br/dl/in/infopen-dez14.pdf</ext-link>
					</comment>. Acesso em: 6 dez. 2023.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>DEPEN - Departamento Penitenciário Nacional</collab>
					</person-group>
					<year>2014</year>
					<source>Levantamento Nacional: DE INFORMAÇÕES PENITENCIÁRIAS INFOPEN - Dezembro</source>
					<publisher-name>BR: MINISTÉRIO DA JUSTIÇA</publisher-name>
					<size units="pages">80</size>
					<comment>
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.conjur.com.br/dl/in/infopen-dez14.pdf">https://www.conjur.com.br/dl/in/infopen-dez14.pdf</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2023-12-06">6 dez. 2023</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B19">
				<mixed-citation>DIÓGENES, Glória (2008). <italic>Cartografias da Cultura e da Violência: gangues, galeras e o movimento hip hop</italic>. 2 ed. São Paulo: Annablume.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DIÓGENES</surname>
							<given-names>Glória</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2008</year>
					<source>Cartografias da Cultura e da Violência: gangues, galeras e o movimento hip hop</source>
					<edition>2 </edition>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Annablume</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B20">
				<mixed-citation>DIÓGENES, Glória (2012). Juventudes, violência e políticas públicas no Brasil: Tensões entre o instituído e o instituinte. <italic>Revista Sinais Sociais</italic>, v.6, n.18. Rio de Janeiro.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DIÓGENES</surname>
							<given-names>Glória</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2012</year>
					<article-title>Juventudes, violência e políticas públicas no Brasil: Tensões entre o instituído e o instituinte</article-title>
					<source>Revista Sinais Sociais</source>
					<volume>6</volume>
					<issue>18</issue>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B21">
				<mixed-citation>FERREIRA, Maria Dalva Macêdo (2005). Juventude, violência e políticas públicas: Entre o direito e a (in)justiça institucionalizada. <italic>II</italic> 
 <italic>Jornada Internacional de Políticas Públicas</italic>. São Luís, Maranhão. 2005.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="confproc">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FERREIRA</surname>
							<given-names>Maria Dalva Macêdo</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2005</year>
					<source>Juventude, violência e políticas públicas: Entre o direito e a (in)justiça institucionalizada</source>
					<conf-name>IIJornada Internacional de Políticas Públicas</conf-name>
					<conf-loc>São Luís, Maranhão</conf-loc>
					<conf-date>2005</conf-date>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B22">
				<mixed-citation>FELTRAN, Gabriel (2018<italic>).</italic> 
 <italic>Irmãos uma história do PCC</italic>. São Paulo: Companhia das Letras.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FELTRAN</surname>
							<given-names>Gabriel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2018</year>
					<source>Irmãos uma história do PCC</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Companhia das Letras</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B23">
				<mixed-citation>FOUCAULT, Michel. (1987). <italic>Vigiar e punir: nascimento da prisão</italic>. tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FOUCAULT</surname>
							<given-names>Michel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1987</year>
					<source>Vigiar e punir: nascimento da prisão</source>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Ramalhete</surname>
							<given-names>Raquel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<publisher-loc>Petrópolis</publisher-loc>
					<publisher-name>Vozes</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B24">
				<mixed-citation>GEERTZ, Clifford. (2008). <italic>A interpretação das culturas</italic>. 1. ed. Rio de Janeiro: LTC.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GEERTZ</surname>
							<given-names>Clifford</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2008</year>
					<source>A interpretação das culturas</source>
					<edition>1</edition>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>LTC</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B25">
				<mixed-citation>GOFFMAN, Erving (2014). <italic>A representação do eu na vida cotidiana</italic>. Tradução de Maria Célia Santos Raposo. 20. ed. Petrópolis: Vozes .</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GOFFMAN</surname>
							<given-names>Erving</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2014</year>
					<source>A representação do eu na vida cotidiana</source>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Raposo</surname>
							<given-names>Maria Célia Santos</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<edition>20</edition>
					<publisher-loc>Petrópolis</publisher-loc>
					<publisher-name>Vozes</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B26">
				<mixed-citation>GOFFMAN, Erving (1975). <italic>Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada</italic>. Márcia Bandeira de Mello Leite Nunes (Trad.). Rio de Janeiro: LTC .</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GOFFMAN</surname>
							<given-names>Erving</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1975</year>
					<source>Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada</source>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Nunes</surname>
							<given-names>Márcia Bandeira de Mello Leite</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>LTC</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B27">
				<mixed-citation>GOFFMAN, Erving (2011). <italic>Ritual de interação: ensaios sobre o comportamento face a face</italic>. Tradução de Fábio Rodrigues Ribeiro da Silva. Petrópolis, RJ: Vozes .</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GOFFMAN</surname>
							<given-names>Erving</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2011</year>
					<source>Ritual de interação: ensaios sobre o comportamento face a face</source>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Silva</surname>
							<given-names>Fábio Rodrigues Ribeiro da</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<publisher-loc>Petrópolis, RJ</publisher-loc>
					<publisher-name>Vozes</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B28">
				<mixed-citation>GROPPO, Luís Antônio (2000). <italic>Juventude: Ensaios sobre sociologia e história das juventudes modernas</italic>. Rio de Janeiro: Difel.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GROPPO</surname>
							<given-names>Luís Antônio</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2000</year>
					<source>Juventude: Ensaios sobre sociologia e história das juventudes modernas</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Difel</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B29">
				<mixed-citation>GUIMARÃES, Isabel Padilha (2013). A imagem da violência no documentário cinematográfico brasileiro. <italic>Revista Interamericana de Comunicação Midiática</italic>. v. 12, n. 23. Universidade Federal de Santa Maria.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GUIMARÃES</surname>
							<given-names>Isabel Padilha</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2013</year>
					<article-title>A imagem da violência no documentário cinematográfico brasileiro</article-title>
					<source>Revista Interamericana de Comunicação Midiática</source>
					<volume>12</volume>
					<issue>23</issue>
					<publisher-name>Universidade Federal de Santa Maria</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B30">
				<mixed-citation>HOOKS, Bell (2019). <italic>Olhares negros: raça e representação</italic>. São Paulo, Elefante.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>HOOKS</surname>
							<given-names>Bell</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2019</year>
					<source>Olhares negros: raça e representação</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Elefante</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B31">
				<mixed-citation>IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (2023). Teresina. Disponível em: <comment>
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/pi/teresina.html">https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/pi/teresina.html</ext-link>
					</comment>. Acesso em: 6 dez. 2023.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA</collab>
					</person-group>
					<year>2023</year>
					<source>Teresina</source>
					<comment>
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/pi/teresina.html">https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/pi/teresina.html</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2023-12-06">6 dez. 2023</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B32">
				<mixed-citation>MAFFESOLI, Michel (2002). <italic>O tempo das tribos: O declínio do individualismo nas sociedades de massa</italic>. 3ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MAFFESOLI</surname>
							<given-names>Michel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2002</year>
					<source>O tempo das tribos: O declínio do individualismo nas sociedades de massa</source>
					<edition>3ª </edition>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Forense Universitária</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B33">
				<mixed-citation>MANNHEIM, Karl. (1968). <italic>O problema da juventude na sociedade moderna</italic>, in: Britto, Sulamita (org.). Sociologia da juventude I - da Europa de Marx à América Latina de hoje. Rio de Janeiro: Zahar.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MANNHEIM</surname>
							<given-names>Karl</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1968</year>
					<chapter-title>O problema da juventude na sociedade moderna</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>Britto</surname>
							<given-names>Sulamita</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Sociologia da juventude I - da Europa de Marx à América Latina de hoje</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Zahar</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B34">
				<mixed-citation>MANSO, Bruno Paes; DIAS, Camila Nunes (2018). <italic>A guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil</italic>. São Paulo: Editora Todavia SA.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MANSO</surname>
							<given-names>Bruno Paes</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>DIAS</surname>
							<given-names>Camila Nunes</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2018</year>
					<source>A guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora Todavia SA</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B35">
				<mixed-citation>MARTINS, José de Souza (2017). <italic>Sociologia da fotografia e da imagem</italic>. 2ª ed. 4ª reimpressão. São Paulo: Contexto.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MARTINS</surname>
							<given-names>José de Souza</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2017</year>
					<source>Sociologia da fotografia e da imagem</source>
					<edition>2ª ed. 4ª reimpressão</edition>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Contexto</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B36">
				<mixed-citation>MBEMBE, Achille (2020). <italic>Necropolítica</italic>. 6ª reimpressão. n-1 edições: São Paulo.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MBEMBE</surname>
							<given-names>Achille</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2020</year>
					<source>Necropolítica</source>
					<edition>6ª reimpressão. n-1 edições</edition>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B37">
				<mixed-citation>MENEZES, Paulo Roberto Arruda de (2004). O cinema documental como representificação: verdades e mentiras nas relações (im)possíveis entre representação, documentário, filme etnográfico, filme sociológico e conhecimento. Escrituras da imagem. São Paulo: FAPESP/EDUSP. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://biblio.fflch.usp.br/Menezes_PRA_30_1483554_OCinemaDocumentalComoRepresentificacao.pdf">https://biblio.fflch.usp.br/Menezes_PRA_30_1483554_OCinemaDocumentalComoRepresentificacao.pdf</ext-link>.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MENEZES</surname>
							<given-names>Paulo Roberto Arruda de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2004</year>
					<source>O cinema documental como representificação: verdades e mentiras nas relações (im)possíveis entre representação, documentário, filme etnográfico, filme sociológico e conhecimento</source>
					<series>Escrituras da imagem</series>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>FAPESP/EDUSP</publisher-name>
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://biblio.fflch.usp.br/Menezes_PRA_30_1483554_OCinemaDocumentalComoRepresentificacao.pdf">https://biblio.fflch.usp.br/Menezes_PRA_30_1483554_OCinemaDocumentalComoRepresentificacao.pdf</ext-link>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B38">
				<mixed-citation>MILLS, Charles Wright (1965). <italic>A Imaginação Sociológica</italic>. 1.ª ed. Tradução de Waltensir Dutra. Rio de Janeiro, Zahar.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MILLS</surname>
							<given-names>Charles Wright</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1965</year>
					<source>A Imaginação Sociológica</source>
					<edition>1</edition>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Dutra</surname>
							<given-names>Waltensir</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Zahar</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B39">
				<mixed-citation>MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.) (2021). <italic>Pesquisa social: teoria, método e criatividade</italic>. 5ª reimpressão. Petrópolis, RJ: Vozes .</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>MINAYO</surname>
							<given-names>Maria Cecília de Souza</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2021</year>
					<source>Pesquisa social: teoria, método e criatividade</source>
					<edition>5ª reimpressão</edition>
					<publisher-loc>Petrópolis, RJ</publisher-loc>
					<publisher-name>Vozes</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B40">
				<mixed-citation>NUPEC (2021). <italic>POUCOS que sobrevivem</italic>. Dir. Oliver. Produção NUPEC e LABCINE. Mídia Digital. Cor. (24 min.) . Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.youtube.com/watch?v=bxyVAW-yDsE&amp;gt">https://www.youtube.com/watch?v=bxyVAW-yDsE&amp;gt</ext-link>
				</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>NUPEC</collab>
					</person-group>
					<year>2021</year>
					<source>POUCOS que sobrevivem</source>
					<comment>Dir. Oliver. Produção NUPEC e LABCINE. Mídia Digital. Cor. (24 min.)</comment>
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.youtube.com/watch?v=bxyVAW-yDsE&amp;gt">https://www.youtube.com/watch?v=bxyVAW-yDsE&amp;gt</ext-link>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B41">
				<mixed-citation>OLIVEIRA, Antônio (2010). Os policiais podem ser controlados?. <italic>Sociologias</italic>, Porto Alegre, ano 12, n.23, p. 142-175.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>OLIVEIRA</surname>
							<given-names>Antônio</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2010</year>
					<article-title>Os policiais podem ser controlados?</article-title>
					<source>Sociologias</source>
					<publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
					<volume>ano 12</volume>
					<issue>23</issue>
					<fpage>142</fpage>
					<lpage>175</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B42">
				<mixed-citation>OLIVEIRA Jr, Francisco Alves de (2021). <italic>Narrativas contra-hegemônicas: A Sociologia e o Cinema das imagens de resistência em Bacurau</italic>. Dissertação (Mestrado em Sociologia). 2021. Centro de Ciências Humanas e Letras, Universidade Federal do Piauí.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>OLIVEIRA</surname>
							<given-names>Francisco Alves de</given-names>
							<suffix>Jr</suffix>
						</name>
					</person-group>
					<year>2021</year>
					<source>Narrativas contra-hegemônicas: A Sociologia e o Cinema das imagens de resistência em Bacurau</source>
					<comment content-type="degree">Mestrado em Sociologia</comment>
					<publisher-name>Centro de Ciências Humanas e Letras, Universidade Federal do Piauí</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B43">
				<mixed-citation>OLIVEIRA, Francisco Mesquita de; JÚNIOR, Castro Vila Magno (2019). Possibilidades do uso da fotografia e da filmagem na pesquisa social qualitativa. In: <italic>Cienc.Cult</italic>. vol.71 no.4 São Paulo. Disponível em: doi: 10.21800/2317-66602019000400017 (Acesso em: 04 jan, 2023). </mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>OLIVEIRA</surname>
							<given-names>Francisco Mesquita de</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>JÚNIOR</surname>
							<given-names>Castro Vila Magno</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2019</year>
					<article-title>Possibilidades do uso da fotografia e da filmagem na pesquisa social qualitativa</article-title>
					<source>Cienc.Cult</source>
					<volume>71</volume>
					<issue>4</issue>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<pub-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602019000400017</pub-id>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2023-01-04">04 jan, 2023</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B44">
				<mixed-citation>QUIVY, Raymond; CAMPENHOUDT, Luc Van (1998). <italic>Manual de investigação em ciências sociais</italic>. 2 ed. Lisboa: Gradiva.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>QUIVY</surname>
							<given-names>Raymond</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>CAMPENHOUDT</surname>
							<given-names>Luc Van</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1998</year>
					<source>Manual de investigação em ciências sociais</source>
					<edition>2 </edition>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
					<publisher-name>Gradiva</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B45">
				<mixed-citation>RAMOS, Sílvia et al. (2022). <italic>Pele alvo: a cor que a polícia apaga</italic>. Rio de Janeiro: CESeC.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>RAMOS</surname>
							<given-names>Sílvia</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<year>2022</year>
					<source>Pele alvo: a cor que a polícia apaga</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>CESeC</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B46">
				<mixed-citation>RODRIGUES, Laécio Ricardo de Aquino (2015). Notas sobre o dispositivo no documentário contemporâneo. <italic>Galaxia (São Paulo, Online)</italic>, n. 30, p. 138-148, 10.1590/1982-25542015220160.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>RODRIGUES</surname>
							<given-names>Laécio Ricardo de Aquino</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2015</year>
					<article-title>Notas sobre o dispositivo no documentário contemporâneo</article-title>
					<source>Galaxia (São Paulo, Online)</source>
					<issue>30</issue>
					<fpage>138</fpage>
					<lpage>148</lpage>
					<pub-id pub-id-type="doi">10.1590/1982-25542015220160</pub-id>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B47">
				<mixed-citation>RODRIGUES, Laécio Ricardo de Aquino (2016). Do encontro previsível à cena revigorada: a entrevista no documentário contemporâneo (parte 1). <italic>Doc On-line</italic>, n. 19, DOI: 10.20287/doc.d19.ar1.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>RODRIGUES</surname>
							<given-names>Laécio Ricardo de Aquino</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2016</year>
					<article-title>Do encontro previsível à cena revigorada: a entrevista no documentário contemporâneo (parte 1)</article-title>
					<source>Doc On-line</source>
					<issue>19</issue>
					<pub-id pub-id-type="doi">10.20287/doc.d19.ar1</pub-id>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B48">
				<mixed-citation>SANTOS, Hélio Secretário dos. (2019). Os crimes em Teresina não têm donos: Sociedade, sexualidade e violência na década de 1970. In: <italic>ANPUH-Brasil. Simpósio nacional de História</italic>, <italic>30º</italic>, 2019. Recife.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="confproc">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SANTOS</surname>
							<given-names>Hélio Secretário dos</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2019</year>
					<source>Os crimes em Teresina não têm donos: Sociedade, sexualidade e violência na década de 1970</source>
					<conf-name>ANPUH-Brasil. Simpósio nacional de História, 30º</conf-name>
					<conf-date>2019</conf-date>
					<conf-loc>Recife</conf-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B49">
				<mixed-citation>SCHUTZ, Alfred (1979). Fundamento da fenomenologia. In: Wagner, H. (org). <italic>Fenomenologia e relações sociais: textos escolhidos de Alfred Schütz</italic>. Rio de Janeiro.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SCHUTZ</surname>
							<given-names>Alfred</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>1979</year>
					<chapter-title>Fundamento da fenomenologia</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>Wagner</surname>
							<given-names>H</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Fenomenologia e relações sociais: textos escolhidos de Alfred Schütz</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B50">
				<mixed-citation>SILVA, Elton Guilherme dos Santos; COSTA, Marcondes Brito da. (2021). PENSAMENTO CRIMINOLÓGICO BRASILEIRO: consequências práticas e teóricas em um apartheid à brasileira. In: <italic>CONGRESSO-INTERNACIONAL-DE-CIENCIAS-CRIMINAIS</italic>, 133., 2021, PUCRS. Disponível em: <comment>
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://ebooks.pucrs.br/edipucrs/acessolivre/anais/congresso-internacional-de-ciencias-criminais/assets/edicoes/2021/arquivos/134.pdf">https://ebooks.pucrs.br/edipucrs/acessolivre/anais/congresso-internacional-de-ciencias-criminais/assets/edicoes/2021/arquivos/134.pdf</ext-link>
					</comment>. Acesso em: 7 dez. 2023.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="confproc">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SILVA</surname>
							<given-names>Elton Guilherme dos Santos</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>COSTA</surname>
							<given-names>Marcondes Brito da</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2021</year>
					<source>PENSAMENTO CRIMINOLÓGICO BRASILEIRO: consequências práticas e teóricas em um apartheid à brasileira</source>
					<conf-name>CONGRESSO-INTERNACIONAL-DE-CIENCIAS-CRIMINAIS, 133</conf-name>
					<conf-date>2021</conf-date>
					<conf-sponsor>PUCRS</conf-sponsor>
					<comment>
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://ebooks.pucrs.br/edipucrs/acessolivre/anais/congresso-internacional-de-ciencias-criminais/assets/edicoes/2021/arquivos/134.pdf">https://ebooks.pucrs.br/edipucrs/acessolivre/anais/congresso-internacional-de-ciencias-criminais/assets/edicoes/2021/arquivos/134.pdf</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2023-12-07">7 dez. 2023</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B51">
				<mixed-citation>SONTAG, Susan (2003). <italic>Diante da dor dos outros</italic>. Tradução: Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SONTAG</surname>
							<given-names>Susan</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2003</year>
					<source>Diante da dor dos outros</source>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Figueiredo</surname>
							<given-names>Rubens</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Companhia das Letras</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B52">
				<mixed-citation>SPIVAK, Gayatri Chakravorty (2010). <italic>Pode o subalterno falar?</italic> tradução de. Sandra Regina Goulart Almeida et al. Belo Horizonte: Editora UFMG.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SPIVAK</surname>
							<given-names>Gayatri Chakravorty</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2010</year>
					<source>Pode o subalterno falar?</source>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Almeida</surname>
							<given-names>Sandra Regina Goulart</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<publisher-loc>Belo Horizonte</publisher-loc>
					<publisher-name>Editora UFMG</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B53">
				<mixed-citation>SILVA, Arnaldo Eugênio Neto (2005). <italic>A Bruxa Má de Teresina: um estudo sobre o estigma oficial de “lugar violento” para com a vila Irmã Dulce (1998 - 2005)</italic>.135f. Dissertação de Mestrado. Programa de Mestrado em Políticas Públicas da Universidade Federal do Piauí. Teresina (PI) 2005.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SILVA</surname>
							<given-names>Arnaldo Eugênio Neto</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2005</year>
					<source>A Bruxa Má de Teresina: um estudo sobre o estigma oficial de “lugar violento” para com a vila Irmã Dulce (1998 - 2005)</source>
					<size units="pages">135</size>
					<comment content-type="degree">Mestrado</comment>
					<publisher-name>Programa de Mestrado em Políticas Públicas, Universidade Federal do Piauí</publisher-name>
					<publisher-loc>Teresina, PI</publisher-loc>
					<publisher-loc>Teresina, PI</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B54">
				<mixed-citation>VINUTO, Juliana (2014). A abordagem em bola de neve na pesquisa qualitativa: um debate em aberto. <italic>Temática</italic>, Campinas, v. 22, n.44, p.203-220.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>VINUTO</surname>
							<given-names>Juliana</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2014</year>
					<article-title>A abordagem em bola de neve na pesquisa qualitativa: um debate em aberto</article-title>
					<source>Temática</source>
					<publisher-loc>Campinas</publisher-loc>
					<volume>22</volume>
					<issue>44</issue>
					<fpage>203</fpage>
					<lpage>220</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B55">
				<mixed-citation>WACQUANT, Loïc (2001). <italic>As prisões da Miséria</italic>. Tradução: André Telles. Rio de Janeiro: Zahar Editora.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>WACQUANT</surname>
							<given-names>Loïc</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2001</year>
					<source>As prisões da Miséria</source>
					<person-group person-group-type="translator">
						<name>
							<surname>Telles</surname>
							<given-names>André</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Zahar</publisher-name>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>1</label>
				<p>O NUPEC atua há mais de 30 anos no Piauí em pesquisas sobre crianças, adolescentes e jovens nas mais diversas interfaces, especialmente relacionadas a violências.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>2</label>
				<p>Ver: SILVEIRA, M. C. T. F.; JÚNIOR, F. A. D. O. .; LUZ, L. C. X. . Vivências de jovens transmasculinos na universidade federal do piauí. CSOnline - Revista eletrônica de ciências sociais, [S. l.], n. 35, p. 211-230, 2022. DOI: 10.34019/1981-2140.2022.37160. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://periodicos.ufjf.br/index.php/csonline/article/view/37160">https://periodicos.ufjf.br/index.php/csonline/article/view/37160</ext-link>. Acesso em: 17 out. 2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>3</label>
				<p>O filme está disponível para visualização em &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://youtu.be/bxyVAW-yDsE?si=GppdjYfZTWBoHI2A">https://youtu.be/bxyVAW-yDsE?si=GppdjYfZTWBoHI2A</ext-link>&gt; Acesso em: 17 out. 2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>4</label>
				<p>O município de Teresina é a capital do Estado do Piauí no Brasil, com extensão territorial de 1.391,293 km<sup>2</sup> e 866.300 habitantes (IBGE, 2002), faz fronteira com o Estado do Maranhão.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>5</label>
				<p>Um registro de pessoas físicas para colecionar armas de fogo, tiros esportivos e caça.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>6</label>
				<p>O documentário é um tipo de filme que abrange o campo não-ficcional, no sentido dramatúrgico, ressalvando que no cinema contemporâneo as fronteiras entre ficção e documentário são cada vez mais tênues.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>7</label>
				<p>Teresina ocupa a 40ª posição no ranking das 50 cidades mais violentas do mundo segundo levantamento de 2022 da ONG Consejo Ciudadano de Seguridad Pública y Justicia Penal. C.f.: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://consejociudadanomx.org">https://consejociudadanomx.org</ext-link>/&gt; (Acesso em 30/05/2023) </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>8</label>
				<p>Ver TERESINA INDEFESA À MERCÊ DOS MARGINAIS. <italic>O Estado</italic>, Teresina, terça-feira, 6 de julho de 1971, p.08. “O jornal O Estado abordou que foi a partir da capital que se projetou uma imagem negativa do estado do Piauí no resto do país.” (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Santos, 2019</xref>, p. 1)</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>9</label>
				<p>“Para os jornais, Segurança Pública se resume a polícia” (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Ramos, 2022</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>10</label>
				<p>Equipe de reportagem local afiliada à <italic>Record TV</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>11</label>
				<p>“A imaginação sociológica capacita seu possuidor a compreender o cenário histórico mais amplo, em têrmos de seu significado para a vida íntima e para carreira exterior de numerosos indivíduos.” (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Mills, 1965</xref>, p. 11).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>12</label>
				<p>A denominada Escola de Chicago se trata de como é chamado uma tradição de pesquisadores surgida na Universidade de Chicago que tinham em comum a maneira de abordar problemas de investigação, não se tratando de um pensamento homogêneo, mas com perspectivas que, partia inicialmente de uma concepção que envolvia observação participante, em uma perspectiva mais antropológica, até posteriormente com pesquisas <italic>survey</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Becker, 1996</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>13</label>
				<p>Ver: <xref ref-type="bibr" rid="B33">Karl Mannheim (1968)</xref>. O problema da juventude na sociedade moderna.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>14</label>
				<p>Dados sobre as unidades penais podem ser encontrados no endereço eletrônico: &lt; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.sejus.pi.gov.br/unidades-penais">http://www.sejus.pi.gov.br/unidades-penais</ext-link>/&gt; Acesso em: 24/10/2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>15</label>
				<p>Ver mais: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.sejus.pi.gov.br/materia/noticias/sejus-divulga-dados-do-primeiro-mapeamento-sobre-a-populacao-carceraria-da-grande-teresina-96.html">http://www.sejus.pi.gov.br/materia/noticias/sejus-divulga-dados-do-primeiro-mapeamento-sobre-a-populacao-carceraria-da-grande-teresina-96.html</ext-link> Acesso: 05/02/2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn19">
				<label>16</label>
				<p>Localizada na BR 316, km 7, Bairro Santo Antônio, em Teresina, Piauí, Brasil.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn20">
				<label>17</label>
				<p>O presídio está localizado a 450 km de São Luís, capital do Estado do Maranhão, na cidade de Timon-MA, que faz fronteira com a cidade de Teresina, Piauí, separadas pelo rio Parnaíba.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
</article>