O Rosto Pós-humano: Interfaces entre práticas de Harmonização Facial e processos contemporâneos de Ciborguização do feminino
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1981-3341.pontourbe.2025.229348Palabras clave:
ciborguização, harmonização facial, telas, mulherResumen
Certa vez, uma amiga me apresentou, no Instagram, Rupi Kaur (@rupikaur), poetisa feminista indiano-canadense, e estes versos seus me afetaram tão profundamente que me levaram a escrever uma tese: “Se você vê beleza aqui, não significa que há beleza em mim. Significa que há beleza enraizada tão fundo dentro de você, que é impossível não ver beleza em tudo”. Tecendo reflexões sobre isso, este artigo é resultado de reflexões etnográficas sobre práticas da harmonização facial e a constituição de subjetividade feminina na sociedade contemporânea. Na relação entre corpo e tecnologia, com base na clássica teoria do ciborgue preconizada por Donna Haraway (2009) e nas considerações fundamentais sobre uma antropologia da cibercultura propostas por Escobar (2005), busco desenvolver um olhar sobre estas ações “ciborguianas” e “ciborguizantes”. Desenvolvendo a categoria pós-rosto, observo possibilidades de construções entre transformações biossociais (Foucault, 1999), subjetividades (Turkle, 2005) e agenciamentos (Ortner, 2001) de mulheres e suas respectivas poéticas estéticas e pessoais imersas em uma sociedade entendida como “pós-orgânica” (Thomas, 1991).
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