Future paths of ayahuasca: an ethnographic account of a public hearing
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1981-3341.pontourbe.2026.244927Keywords:
Ayahuasca, Indigenous Peoples, Regulation, Cultural Heritage, OntologiesAbstract
This article provides an ethnographic analysis of a public hearing held in Rio Branco, Acre, in November 2025, convened by the Federal Public Prosecutor's Office to discuss the regulation and protection of ayahuasca use in Brazil. The event brought together representatives of ayahuasca religions, Indigenous peoples, state agents, researchers, and activists, revealing tensions between different ontological and epistemological regimes. The text examines two central axes: the persistence of police repression regarding the transportation of the brew and the impasses in the cultural heritage recognition process. The analysis reveals fundamental disputes over categories such as "religion," "drug," "commerce," and "therapy," highlighting Indigenous peoples' rejection of the religious framework and their claim for a differentiated status based on original rights. The article demonstrates how the Brazilian regulatory framework, historically constructed without consultation with Indigenous peoples, produces paradoxical effects: while protecting certain uses, it creates administrative constraints and reproduces power asymmetries. The hearing is presented as a symptom of transformations in the contemporary ayahuasca scene, marked by the global expansion of the brew, intellectual property disputes, and the growing protagonism of Indigenous peoples in defining the terms of public debate.
Downloads
References
ALMEIDA, Mauro William Barbosa de. Guerras culturais e relativismo cultural. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 14, n. 41, p. 5–14, 1999.
ANTUNES, Henrique Fernandes. Droga, religião e cultura: um mapeamento da controvérsia pública sobre o uso da ayahuasca no Brasil. 2012. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
ANTUNES, Henrique Fernandes. Políticas públicas, religião e patrimônio cultural: mapeando a controvérsia pública sobre o uso da ayahuasca no Brasil. In: MONTERO, Paula (Org.). Religiões e controvérsias públicas: experiências, práticas sociais e discursos. São Paulo; Campinas: Terceiro Nome; Editora da Unicamp, 2015. p. 163–180.
ANTUNES, Henrique Fernandes. O uso da ayahuasca como problema público: um contraponto entre os casos do Brasil e dos Estados Unidos. 2019. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019.
ANTUNES, Henrique Fernandes. “It Is Not Solved Just by Writing It Down on Paper”: Patrimonialization Policies and the Religious Use of Ayahuasca as a Brazilian Intangible Cultural Heritage. In: MONTERO, Paula; NICÁCIO, Camila; ANTUNES, Henrique Fernandes (Eds.). Religious Pluralism and Law in Contemporary Brazil. Cham: Springer, 2023. p. 111–140.
ANTUNES, Henrique Fernandes. O uso religioso da ayahuasca como problema público no Brasil. In: RODRIGUES, T. H.; FERNANDES, E. G.; SILVA, M. K. (Orgs.). Ações coletivas no espaço público: mobilizações, intervenções e gestões. Curitiba: Editora CRV, 2024.
ANTUNES, Henrique Fernandes. Religion, drug or cult? Ayahuasca’s legal path in Brazil, the United States, and France. New York: Springer, 2025.
ASAD, Talal. Genealogies of religion: discipline and reasons of power in Christianity and Islam. Baltimore; London: Johns Hopkins University Press, 1993.
CARNEIRO DA CUNHA, Manuela. Cultura com aspas e outros ensaios. São Paulo: Cosac Naify, 2009.
CEFAÏ, Daniel. Como nos mobilizamos? A contribuição de uma abordagem pragmatista para a sociologia da ação coletiva. Dilemas: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, v. 2, n. 4, p. 11–48, 2009.
CEFAÏ, Daniel. Públicos, problemas públicos, arenas públicas: O que nos ensina o pragmatismo (Parte 1). Novos Estudos Cebrap, v. 36, n. 1, p. 187–213, 2017.
Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD). Relatório Final – Grupo Multidisciplinar de Trabalho Ayahuasca. Brasília, 2006. Disponível em: https://www.bialabate.net/pdf/texts/gmt_conad_port.pdf.
Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD). Resolução no 01 – 25/01/2010. Brasília, 2010. Disponível em: https://www.bialabate.net/wp-content/uploads/2008/08/Resolucao-Conad-_1_25_01_2010.pdf.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Organização e seleção de textos de Roberto Machado. Tradução de Roberto Machado et al. Rio de Janeiro: Graal, 1979.
GOULART, Sandra Lúcia. Contrastes e continuidades em uma tradição amazônica: as religiões da ayahuasca. 2004. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2004.
KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
LABATE, Beatriz Caiuby. A reinvenção do uso da ayahuasca nos centros urbanos. Campinas: Mercado de Letras, 2004.
LABATE, Beatriz Caiuby; COUTINHO, Tiago. “O meu avô deu a ayahuasca para o Mestre Irineu”: reflexões sobre a entrada dos índios no circuito urbano de consumo de ayahuasca no Brasil. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 57, n. 2, p. 215–250, 2014.
LABATE, Beatriz Caiuby; ANTUNES, Henrique Fernandes; ANTUNES, Igor Fernandes. “Authorization? That’s outrageous”: ayahuasca environmental legislation and Indigenous populations. In: LABATE, Beatriz Caiuby; CAVNAR, Clancy (Orgs.). Religious freedom and the global regulation of ayahuasca. London; New York: Routledge, 2023.
LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Tradução de Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.
MACRAE, Edward. Guiado pela lua: xamanismo e uso ritual da ayahuasca no culto do Santo Daime. São Paulo: Brasiliense, 1992.
MACRAE, Edward John Baptista das Neves. A elaboração das políticas públicas brasileiras em relação ao uso da ayahuasca. In: LABATE, Beatriz Caiuby et al. (Orgs.). Drogas e cultura: novas perspectivas. Salvador: EDUFBA, 2008. MAHMOOD, Saba. Religious difference in a secular age: a minority report. Princeton: Princeton University Press, 2015.
MONTERO, Paula. Religião, pluralismo e esfera pública no Brasil. Novos Estudos Cebrap, n. 74, p. 47–65, mar. 2006.
MONTERO, Paula. Secularização e espaço público: a reinvenção do pluralismo religioso no Brasil. Etnográfica, v. 13, n. 1, p. 7–16, maio 2009.
MONTERO, Paula (Org.). Religiões e controvérsias públicas: experiências, práticas sociais e discursos. São Paulo: Terceiro Nome; Campinas: Editora da Unicamp, 2015.
SAHLINS, Marshall. O “pessimismo sentimental” e a experiência etnográfica: por que a cultura não é um “objeto” em via de extinção. Mana, v. 3, n. 1, p. 41-73, 1997.
VEYNE, Paul. Acreditavam os gregos em seus mitos? São Paulo: Brasiliense, 1984.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. A inconstância da alma selvagem e outros ensaios de antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2002.
VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Perspectival anthropology and the method of controlled equivocation. Tipití: Journal of the Society for the Anthropology of Lowland South America, v. 2, n. 1, p. 3–22, 2004.
