Experimentações drag nos espaços urbanos e nos ambientes digitais: notas sobre o trabalho etnográfico desenvolvido em um circuito de práticas on-offline

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.4000/pontourbe.12267

Mots-clés :

etnografia na cidade, etnografia na internet, circuito, mídias digitais, drag

Résumé

Neste artigo discutimos o trabalho etnográfico desenvolvido em um contínuo de espaços urbanos e de ambientes digitais a partir da cidade de Santa Maria (RS/Brasil), e analisamos nosso percurso teórico-metodológico e seus desdobramentos. Entre os anos de 2017 e 2021, mapeamos espaços urbanos reconhecidos como pontos de encontros de artistas Drag perscrutando práticas em torno das suas corporalidades, identificações e dos seus arranjos de sociabilidades. Além disso, direcionadas pelas práticas online des Drags, enfocamos nas suas interações e nas suas experimentações nas mídias digitais, pois esses ambientes se mostraram como laboratórios de experimentações e espaços de performatividades que constituem e configuram as práticas des artistas e a própria cena drag da cidade. Argumentamos, assim, sobre as possibilidades de observação e investigação etnográfica articulando distintos lócus de pesquisa e sugerimos, portanto, a constituição de um circuito de práticas drag materializado nas tramas da cidade, bem como nas mídias digitais.

Téléchargements

Les données relatives au téléchargement ne sont pas encore disponibles.

Biographies des auteurs

  • Rafaela Oliveira Borges, Universidade Federal de Santa Maria

    Bacharela, Mestra e Doutoranda em Ciências Sociais (UFSM). Atualmente é pesquisadora no Núcleo de estudos sobre emoções e realidades digitais (NEERD) em Santa Maria (RS/Brasil).

  • Débora Krischke Leitão, Université du Québec à Montréal

    Licenciada em Ciências Sociais, Mestra e Doutora em Antropologia Social (UFRGS). Atualmente é professora de Sociologia Digital e Novas Mídias no departamento de Sociologia da Université du Québec à Montréal (Canadá). 

  • Monalisa Dias de Siqueira, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

    Doutora em Antropologia Social (UFRGS); Mestra em Sociologia e Bacharela em Ciências Sociais (UFC). Atualmente é pós-doutoranda no PPGAS/UFRGS em Porto Alegre (RS/Brasil); e professora no PPGCS, no PPGeronto e no Curso de Especialização em Estudos de Gênero (UFSM) em Santa Maria (RS/Brasil). 

Références

BELELI, Iara. O imperativo das imagens: construção de afinidades nas mídias digitais. Cadernos Pagu, n. 44, p. 91-114, 2015. Disponível em: <https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8637321> Acesso em: 25 jan. 2022.

BUTLER, Judith. Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.

BUTLER, Judith. Corpos que importam/Bodies that matter. Sapere Aude, v. 6, n. 11, p. 12-16, 2015. Disponível em:

<http://periodicos.pucminas.br/index.php/SapereAude/article/view/9979> Acesso em: 25 jan. 2022.

CANDIDO, Marcia Rangel, CAMPOS, Luiz Augusto. Pandemia reduz submissões de artigos acadêmicos assinados por mulheres. Blog DADOS, 2020. Disponível em: <https://bit.ly/3nTpY8w> Acesso em: 25 jan. 2022.

CARDON, Dominique. Le design de la visibilité. Un essai de cartographie du web 2.0. Réseaux, 6, p. 93-137, 2008. Disponível em: <https://www.cairn.info/revue-reseaux1-2008-6-page-93.htm> Acesso em: 25 jan. 2022.

DA MATTA, Roberto. O oficio de etnólogo, ou como ter anthropological blues.

Boletim do Museu Nacional: Antropologia, n. 27, p.1-12, 1978.[impresso]

FAVRET-SAADA, Jeanne. Ser Afetado. Cadernos de Campo, n 13, p. 155-161, 2005. Disponível em: <https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v13i13p155-161> Acesso em: 25 jan. 2022.

GEERTZ, Clifford. Nova Luz sobre a Antropologia. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2008.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro:

DP&A, 2006.

HINE, Christine. Ethnography for the internet: embedded, embodied and everyday. Huntingdon: Bloomsbury Publishing, 2015a.

HINE, Christine. Por uma etnografia para a internet: transformações e novos desafios. Matrizes, n. 9, p. 167-173, 2015b. Disponível em: <https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v9i2p167-173> Acesso em: 25 jan. 2022.

HINE, Christine. Estratégias para etnografia da internet em estudos de mídia. In: Etnografia e consumo midiático: novas tendências e desafios metodológicos. Rio de Janeiro: Ed. E-papers, v. 1, p. 11-27, 2016.

JESUS, Jaqueline Gomes de. Orientações sobre a população transgênero: conceitos e termos. Brasília: Autora, 2012.

LATOUR, Bruno. Reagregando o social: Uma introdução à teoria do Ator-Rede. Salvador-Bauru: EDUFBA-EDUSC, 2012.

LEITÃO, Débora Krischke; GOMES, Laura Graziela. Estar e não estar lá, eis a questão: pesquisa etnográfica no Second Life. Revista Cronos Dossiê – Pesquisas no pontocom. UFRN, Natal: v. 12, n. 1, p. 25-40, 2013. Disponível em: <https://periodicos.ufrn.br/cronos/article/view/3159> Acesso em: 11 jul. 2022.LEITAO, Débora Krischke; GOMES, Laura Graziela. Gênero, sexualidade e experimentação de si em plataformas digitais on-line. Civitas, Rev. Ciênc. Soc., Porto Alegre: v. 18, n. 1, p. 171-186, 2018. Disponível em:

<https://www.scielo.br/j/civitas/a/nwXnqygKyxd4rsns5YRjvLP/abstract/?lang=pt> Acesso em: 11 jul. 2022.

LOURO, Guacira Lopes. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.

LUPTON, Deborah. Digital Sociology. Routledge, 2015.

MAGNANI, José Guilherme Cantor. De perto e de dentro: notas para uma etnografia urbana. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v.17, n.49, p. 11-29, 2002. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/rbcsoc/a/KKxt4zRfvVWbkbgsfQD7ytJ/abstract/?lang=pt> Acesso em: 25 jan. 2022.

MAGNANI, José Guilherme Cantor. Os circuitos dos jovens urbanos. Tempo social, v.17, n.2, p. 173-205, 2005. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/ts/a/jhj33Qvv3qRmsZtKRSCtGYx/?lang=pt> Acesso em: 25 jan. 2022.

MAGNANI, José Guilherme Cantor. Circuito de Jovens. In: Jovens na Metrópole: etnografias de circuitos de lazer, encontro e sociabilidade. São Paulo: Ed. Terceiro Nome, v.1, p. 11-23, 2007.

MAGNANI, José Guilherme Cantor. Antropologia Urbana: desafios e perspectivas. Revista de Antropologia, v.59, n.3, p. 174-203, 2016. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/ra/article/view/124814> Acesso em: 25 jan. 2022.

MÁXIMO, Maria Elisa et al. A etnografia como método: vigilância semântica e metodológica nas pesquisas no ciberespaço. In: Epistemologia, investigação e formação científica em comunicação. Rio do sul: Editora UNIDAVI, v. 1, p. 293-319, 2012.

MILLER, Daniel. Trecos, Troços e Coisas: estudos antropológicos sobre cultura material. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

MILLER, Daniel; Horst, Heather. A. O Digital e o Humano: prospecto para uma Antropologia Digital. Parágrafo, v.3, n.2, p. 91-112, 2015. Disponível em: <https://revistaseletronicas.fiamfaam.br/index.php/recicofi/issue/view/46> Acesso em: 25 jan. 2022.

MISKOLCI, Richard. Novas conexões: notas teórico-metodológicas para pesquisas sobre o uso de mídias digitais. Revista Cronos, v.12, n.2, p. 9-22, 2013. Disponível em: <https://periodicos.ufrn.br/cronos/article/view/3160> Acesso em: 25 jan. 2022.

OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. O trabalho do antropólogo. Brasília: Unesp, 1998.

OLIVEIRA, Rafaela Borges. Tem babado novo na rede: um mergulho no circuito Drag on-offline de Santa Maria/RS. 2019. 157 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) - Centro de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria. Disponível em:

< https://repositorio.ufsm.br/handle/1/18879 > Acesso em: 11jul.2022. OLIVEIRA, Rafaela Borges. “Quando estou montada posso ser o que eu quiser”: Corporalidades e identificações nas experimentações Drag de Isabelly Popovick. Fotocronografias, vol.7, n.15, p. 66-81, 2021. Disponível em:

https://medium.com/fotocronografias/vol-07-num-15-2021-5a178ceb9f44 Acesso em: 11 jul. 2022.

PEIRANO, Mariza. Etnografia não é método. Horizontes antropológicos, n.42, p. 377-391, 2014. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/ha/a/n8ypMvZZ3rJyG3j9QpMyJ9m/?lang=pt > Acesso em: 25 jan. 2022.

SIQUEIRA, Monalisa Dias de; VÍCTORA, Ceres Gomes. Na sequência da tragédia: sofrimento e a vida após o incêndio da Boate Kiss. Revista Antropolítica, Niterói: n.44, p. 178-201, 2018. Disponível em:

< https://periodicos.uff.br/antropolitica/article/view/41807 > Acesso em: 11 jul.2022.

SPARGO, Tamsin. Foucault e a teoria queer: Ágape e êxtase: orientações pós seculares. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.

URIARTE, Urpi Montoya. O que é fazer etnografia para os antropólogos. Ponto Urbe, n.11, p. 1-13, 2012. Disponível em: <http://journals.openedition.org/pontourbe/300> Acesso em: 25 jan. 2022.

VAN DIJCK, José. La cultura de la conectividad: Uma historia crítica de las redes sociales. Buenos Aires: Siglo Veintiuno Editores, 2016.

VENCATO, Anna Paula. Confusões e estereótipos: o ocultamento de diferenças na ênfase de semelhanças entre transgêneros. Cadernos AEL, v.10, n.18/19, p. 187-215, 2003. Disponível em:

<https://www.researchgate.net/publication/311922194_Confusoes_e_estereotipos_o_ocultamento_de_diferencas_na_enfase_de_semelhancas_entre_transgeneros > Acesso em: 25 jan. 2022.

Téléchargements

Publiée

2024-05-16

Comment citer

Borges, R. O. ., Leitão, D. K. ., & Siqueira, M. D. de . (2024). Experimentações drag nos espaços urbanos e nos ambientes digitais: notas sobre o trabalho etnográfico desenvolvido em um circuito de práticas on-offline. Ponto Urbe, 30(1), 1-21. https://doi.org/10.4000/pontourbe.12267