NYPD Blues

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DOI :

https://doi.org/10.4000/pontourbe.9917

Résumé

Quando George W. Bush veio para a cidade para a Convenção Nacional Republicana de 2004, o Departamento de Polícia da Cidade de Nova Iorque (New York City Police Department) - conhecido como NYP, ou “o Melhor de Nova Iorque (e hoje o Mais Corajoso)” - recolheu milhares de pessoas que protestavam das ruas dia após dia, realizando grandes arrastões, apesar da maior parte das pessoas não estarem realizando nenhuma atividade ilegal. Isso foi confirmado por extensas evidências em vídeo, algumas das quais foram adulteradas pela polícia e pelo Ministério Público. As pessoas foram “processadas” em “celas” quimicamente poluídas, montadas rapidamente no Pier 57, perto do rio Hudson, conhecido hoje como Guantanamo-no-Hudson, um procedimento que normalmente dura no máximo algumas horas. Contudo, para a maior parte das 1800 pessoas que foram apreendidas, demorou até três dias, nos quais receberam pouca comida e água. Muitos desenvolveram irritações de pele alarmantes e que eram resultado do resíduo químico que ficou no chão em que tiveram que dormir. Outros desenvolveram distúrbios corporais sistêmicos. Mas as ruas da cidade de Nova Iorque foram mantidas livres dos protestos durante toda a convenção. Esse era o objetivo. Nova Iorque tinha sido convertida em uma vila Potemkin, como um cenário, um lugar artificial com pessoas felizes e sorridentes recepcionando com rosas seus libertadores de armas em punho, do mesmo modo como era esperado quando eles adentraram em Bagdá.

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Biographies des auteurs

  • Carolina Parreiras, Universidade de São Paulo

    Antropóloga, pesquisadora de pós-doutorado do departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP). Foi Visiting Scholar do Institute of Latin American Studies da Columbia University, sob supervisão do professor Michael Taussig.

  • Juliana B. Valente, CUNY Graduate Center

    Doutoranda no programa de antropologia cultural da CUNY Graduate Center (EUA).

Références

BUTLER, Judith. Corpos em aliança e a política das ruas. Notas para uma teoria performativa da assembleia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

PARREIRAS, Carolina. Entre a prática, a teoria, a escrita e a experimentação etnográficas: entrevista com Michael Taussig. In: Revista de Antropologia. 63(3), 2020. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/ra/article/view/177099

SILVA, Evandro C. O assassinato como política pública. In: Le Monde Diplomatique. 14/02/2020. Disponível em: https://diplomatique.org.br/o-assassinato-como-politica-publica/

TAUSSIG, Michael. NYPD Blues. In: Walter Benjamin’s Grave. Chicago: University of Chicago Press, 2006.

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______. Terror as Usual. In: The Nervous System. New York/London: Routledge, 1992.

______. Tom, The Naturalist, conferência apresentada na 32ª Reunião Brasileira de Antropologia, novembro de 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=KvuqFGwe4bI&t=8s

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Publiée

2020-12-10

Numéro

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Traduções

Comment citer

Taussig, M. (2020). NYPD Blues (C. . Parreiras & J. B. . Valente, Trad.). Ponto Urbe, 27, 1-19. https://doi.org/10.4000/pontourbe.9917