« J'ai dû faire preuve d'humilité et pleurer pour l'obtenir ! Pour eux, c'est comme si on ne voulait pas voir son enfant » : gérer la présence dans les maternités en milieu carcéral
DOI :
https://doi.org/10.11606/issn.1981-3341.pontourbe.2025.239578Mots-clés :
maternités, système pénitentiaire, femmes incarcérées, santé, gestion des présencesRésumé
De nombreuses femmes prisonnières – détenues, survivantes d'incarcération ou membres de leur famille – négocient quotidiennement la présence de leurs enfants. Ce faisant, elles articulent leurs relations avec divers acteurs : l'État ; la famille, souvent responsable de la garde de l'enfant ; et les acteurs du milieu carcéral eux-mêmes. La maternité en prison illustre la reconfiguration du rôle maternel avant, pendant et après l'incarcération, révélant les fissures de la structure carcérale qui permettent la production de présence. L'histoire de Janete (son interlocutrice) illustre ces remaniements : en « entrant dans le crime », elle transfère la garde de sa fille à sa mère ; emprisonnée, elle se heurte à des obstacles pour maintenir ce lien, comme la réticence de la mère à emmener sa fille la voir. À travers des « éléments de coprésence » — tels que des appels vidéo et des conversations — et des arrangements (im)possibles, elle démontre que, malgré les impositions de contrôle, de punition et de surveillance au sein du système carcéral, les liens établis « en marge » sont subversifs et puissants.
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