Gênero da Bola: futebol e poder no Brasil e na Argentina
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1981-3341.pontourbe.2025.234435Palavras-chave:
Futebol de Mulheres, Futebol Feminino, Futebol Feminista, Estudos de Gênero, Gênero da BolaResumo
Este artigo analisa como as relações de poder no futebol são moldadas por gênero e sexualidade e como essa construção impacta a modalidade no Brasil e na Argentina. A pesquisa baseia-se em uma revisão teórica e em dados etnográficos coletados em dois momentos distintos: entre 2013 e 2018, no Brasil, e entre 2024 e 2025, na Argentina, com destaque para o coletivo La Nuestra Fútbol Feminista. Os resultados indicam que o futebol de mulheres foi historicamente marcado por exclusões e disputas, revelando profundas intersecções entre gênero, sexualidade e poder. O conceito de gênero da bola (PISANI, 2018) demonstra como a heteronormatividade estrutura as relações no futebol, regulando quem pode jogar e sob quais condições. O artigo conclui que o futebol feminista emerge como uma estratégia de resistência e transformação social, reconfigurando as dinâmicas do esporte e ampliando a luta por reconhecimento, equidade e visibilidade no campo futebolístico.
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