Territorialidade e abstração: entre o Quilombo do Saracura e o Parque da Grota
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2317-2762.posfauusp.2025.237873Palavras-chave:
Arquitetura moderna, Quilombo urbano, Paulo Mendes da Rocha, Renovação urbana, Saracura, BixigaResumo
Este artigo analisa o projeto Parque da Grota, coordenado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha entre 1973 e 1974, a partir de seu diálogo com a realidade preexistente na área do Saracura, Bixiga, em São Paulo, e da multiplicidade de camadas envolvidas naquele processo. Aquele plano de renovação urbana – que se inseria em uma cadeia mais ampla de institucionalização do planejamento e de financiamento a obras habitacionais e de infraestruturas que estavam no cerne dos mecanismos de produção do espaço da ditadura militar – tinha em sua natureza o caráter de substituição de populações, bem como de grande parte do ambiente construído naquele local, e atingiria justamente um importante território negro na cidade, herdeiro direto do Quilombo do Saracura. Buscamos analisar aqui as formas ambíguas como tal tensão social foi abordada no projeto apresentado pelos arquitetos e consultores, de modo a refletir – a partir desse caso específico – sobre as apostas, os limites e as contradições internas ao campo disciplinar da arquitetura.
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