Do traço ao desenho: percurso de um nome
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2317-2762.posfauusp.2026.248243Palavras-chave:
Transdução, Dibujo, Texto, Diseño, Processo de criaçãoResumo
A língua portuguesa impõe um desafio epistemológico ao unir sob o vocábulo “desenho” tanto o ato material de traçar (dibujo) quanto a ideação (diseño). Este artigo discute como as noções de desenho, texto e projeto se tensionam no processo de criação. Diante da cooptação do projeto pela tecnocracia de mercado, que o reduz à “solução de problemas” e esvazia sua função social, este trabalho propõe o resgate do seu potencial emancipatório. Para tal, aproxima o ato de desenhar à escritura, compreendendo ambos como processos cognitivos corporificados que demandam um tempo de suspensão, dúvida e maturação, avessos à aceleração mercantil. Com apoio da transdução de Gilbert Simondon e das reflexões de Roland Barthes e Mário de Andrade, argumenta-se que a experimentação tátil do traço atua como uma operação transdutiva. Essa dinâmica não repudia as contradições, mas as utiliza como motor inventivo de individuação. O dibujo, como laboratório crítico do diseño, é, assim, o elemento essencial para restaurar a capacidade de intervenção ético-política da disciplina projetual.
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