A significância [da] estatística: sobre a formação e as disputas pela ciência política legítima
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2237-2423.v12i1pe00124003Palavras-chave:
Sociologia dos intelectuais, cientistas políticos, métodos de pesquisaResumo
Este artigo pretende examinar a institucionalização dos métodos quantitativos na ciência política brasileira, com especial atenção na Universidade de São Paulo (USP), mobilizando a perspectiva da sociologia dos intelectuais. Analisa-se como esses métodos foram apropriados como instrumentos de legitimação científica em um campo marcado por disputas metodológicas e pela busca de distinção em relação a outras tradições intelectuais. Esta pesquisa combina análise documental e investigação de trajetórias docentes. Os resultados expõem que o papel de uma geração pioneira da Ciência Política brasileira, formada em parte sob influência de instituições norte-americanas, na consolidação da estatística e da modelagem matemática, bem como a atuação do cientista político Fernando Limongi, em especial, foram centrais à difusão de uma perspectiva ontológica que favorece a adoção de uma abordagem empirista na USP. Descreve-se, ainda, a expansão progressiva das disciplinas de métodos oferecidas pelo Departamento de Ciência Política da USP a partir da década de 1990, com predomínio dos quantitativos e forte presença de docentes com formação inicial em Economia. Conclui-se que a incorporação da estatística na ciência política brasileira resulta de disputas acadêmicas e da articulação entre condicionantes históricos, institucionais e teóricos, funcionando simultaneamente como prática de investigação e mecanismo de legitimação no campo.
Downloads
Referências
ALMEIDA, Maria Hermínia Tavares de. Maria Hermínia Tavares de Almeida (depoimento, 2015). Rio de Janeiro, CPDOC /Fundação Getulio Vargas (FGV), (2h 8 min). https://www.youtube.com/watch?v=hGWZ0NPpNYQ
BOURDIEU, Pierre. Homo Academicus. Trad: Ione Ribeiro Valle, Nilton Valle. Florianópolis: Editora da UFSC, 2013.
CARDOSO, Fernando Henrique. Memórias da Maria Antônia. In: SANTOS, Maria Cecília Loschiavo dos (Org). Maria Antônia: uma rua na contramão. São Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, 2018.
DELLA PORTA, D., KEATING, M. Approaches and methodologies in the social sciences: A pluralist perspective. Cambridge University Press, 2008.
DOWDING, K. M. The philosophy and methods of political science. Palgrave Macmillan, 2016
FORJAZ, Maria Cecília Spina. A emergência da Ciência Política acadêmica no Brasil: aspectos institucionais. Revista Brasileira de Ciências Sociais, [S.L.], v. 12, n. 35, p. 1-22, out. 1997. Acesso em: 8 dez. 2023.
HALL, Peter A.; TAYLOR, Rosemary C. R.. As três versões do neo-institucionalismo. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, [S.L.], n. 58, p. 193-223, 2003.
HEY, Ana Paula. Esboço de uma sociologia do campo acadêmico. São Carlos: EdUFSCar, 2008.
JACKSON, Luiz Carlos; BLANCO, Alejandro. Sociologia no espelho: ensaístas, cientistas sociais e críticos literários no Brasil e Argentina (1930-1970). São Paulo: Editora 34, 2014.
KEINERT, Fábio Cardoso; SILVA, Dimitri Pinheiro. A gênese da ciência política Brasileira. Tempo Social, [S.L.], v. 22, n. 1, p. 79-98, jun. 2010. Acesso em: 12 nov. 2023.
LIMONGI, F. Fernando Papaterra Limongi (depoimento, 2015). Rio de Janeiro, CPDOC /Fundação Getulio Vargas (FGV), (3h 13 min). https://www.youtube.com/watch?v=J2dhGOlGuAU
LIMONGI, F. O novo institucionalismo e os estudos legislativos: a literatura norte-americana recente. BIB - Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, [S. l.], n. 37, p. 3–38, 1994. Disponível em: <https://bibanpocs.emnuvens.com.br/revista/article/view/152>. Acesso em: 13 dez. 2023.
LIMONGI, Fernando; ALMEIDA, Maria Hermínia Tavares de; FREITAS, Andrea. Da sociologia política ao (neo) institucionalismo: 30 anos que mudaram a ciência política no Brasil. In: AVRITZER, Leonardo; MILANI, Carlos R. S.; BRAGA, Maria do Socorro (orgs.). A ciência política no Brasil: 1960-2015. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2016. pp. 61-92.
MARINO, Rafael. Lourival Gomes Machado e a ciência política uspiana: notas de pesquisa. Trabalho preparado para apresentação no VIII Seminário Discente da Pós-Graduação em Ciência Política da USP, 2018.
MICELI, Sergio. Condicionantes do desenvolvimento das ciências sociais. In: MICELI, Sergio (Org.) História das ciências sociais no Brasil.
São Paulo: Vértice/Editora Revista dos Tribunais/Idesp, 1989. p. 72 -110.
MICELI, Sergio. A desilusão americana: Relações acadêmicas entre Brasil e Estados Unidos. São Paulo, Sumaré/Idesp, 1990.
NICOLAU, Jairo; OLIVEIRA, Lilian. Political science in Brazil: an analysis of academic articles (1966-2015). Sociologia & Antropologia, [S.L.], v. 7, n. 2, p. 371-393, ago. 2017. Acesso em: 7 dez, 2023.
QUIRINO, C. Departamento de Ciência Política . Estudos Avançados, [S. l.], v. 8, n. 22, p. 337-348, 1994. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/eav/article/view/9718>. Acesso em: 13 dez. 2023.
REIS, Fábio Wanderley. Fábio Wanderley Reis (depoimento, 2015). Rio de Janeiro, CPDOC /Fundação Getulio Vargas (FGV), (2h 21 min). https://www.youtube.com/watch?v=oxk7wT2Zyps
REIS, Fábio Wanderley. Huis clos no Chile e ciência política no Brasil. In: AVRITZER, Leonardo; MILANI, Carlos R. S.; BRAGA, Maria do Socorro (orgs.). A ciência política no Brasil: 1960-2015. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2016. pp. 13-60.
SILVA, Glauco Peres da. Desafios ontológicos e epistemológicos para os métodos mistos na ciência política. Revista Brasileira de Ciências Sociais, [S.L.], v. 30, n. 88, p. 115, 2 jun. 2015. Acesso em: 28 nov. 2023.
SOARES, Gláucio Ary Dillon. O calcanhar metodológico da ciência política no Brasil. Sociologia, Problemas e Práticas, Oeiras , n. 48, p. 27-52, maio 2005 . Disponível em >http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65292005000200004&lng=pt&nrm=iso<. Acesso em: 13 dez. 2023.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Gabinete do Reitor. Portaria No 1053, de 04 de fevereiro de 1970. Dispõe sobre a redistribuição do pessoal docente na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas. In: Processo No 70.1.5546.1.1. REDISTRIBUIÇÃO DO PESSOAL DOCENTE (PORTARIA GR. 1053/70). 04 de fevereiro de 1970. FFLCH. Caixa de arquivo: 169/08-A.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Processo No 87.1.38484.1.1. PROPOSTA DE DIVISÃO DO ATUAL DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS EM TRÊS OUTROS, A SABER: ANTROPOLOGIA SOCIOLOGIA E CIÊNCIA POLÍTICA. 30 de junho de 1987. FFLCH.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Eric Rinaldi, Caio Alves, Tales Mançano

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autorizo a Primeiros Estudos - Revista de Graduação em Ciências Sociais a publicar o trabalho (Artigo, Resenha ou Tradução) de minha autoria/responsabilidade, assim como me responsabilizo pelo uso das imagens, caso seja aceito para a publicação on-line.
Concordo a presente declaração como expressão absoluta da verdade e me responsabilizo integralmente, em meu nome e de eventuais co-autores, pelo material apresentado e atesto o ineditismo do texto enviado.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License. Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
1. Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
2. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
3. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.