Diadorim é o meu clarão: autoetnografia da minha transição de gênero de bicha não binária
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2237-2423.v12i1pe00122003Palavras-chave:
Autoetnografia, transição de gênero, não binariedadeResumo
Este artigo busca, através da autoetnografia, refletir sobre os processos de subjetivação que constroem a minha transição de gênero, como, por exemplo, a importância do romance Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa (2019). Dessa forma, metodologicamente, sustento o meu artigo a partir da tríade de orientações, proposto por Chang (2008): (1) orientação metodológica - baseia-se na análise; (2) orientação cultural, que possui como base a interpretação; (3) a orientação do conteúdo, que relaciona o caráter da autobiografia à reflexão crítica. E também a partir de dois diários que mantive durante o período de transição. À parte disso, organizo o meu processo de transição de gênero a partir de três momentos-chave do romance já referido: a travessia do menino Riobaldo, o pacto fáustico e o Liso do Sussuarão. Conclui-se que a transição de gênero é um estar-sendo constante, imbricada em inúmeros fatores e que cada pessoa trans possui o seu modo de fazer existir a sua transgeneridade.
Downloads
Referências
ARUANA, M. F. L. B.. O direito à cidade em uma perspectiva travesti: uma breve autoetnografia sobre socialização transfeminina em espaços urbanos. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://pdfs.semanticscholar.org/5ccf/ab529949e8e48824142d6dc087408e177e27.pdf>. Acesso em: 22 jul. 2024.
BENTO, B.. Na escola se aprende que a diferença faz a diferença. Revista Estudos Feministas, v. 19, n. 2, p. 549–559, maio 2011.
BUTLER, Judith. Desdiagnosticando o gênero. Physis Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 19, n. 1, p. 95 – 126, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/physis/ v19n1/v19n1a06.pdf>. Acesso em: 22/07/2024.
BUTLER, Judith. Os atos performativos e a constituição do gênero: um ensaio sobre fenomenologia e teoria feminista. Chão da Feira, Caderno n. 78, p. 1-16, 2018b. Disponível em http://chaodafeira.com/wp-content/uploads/2018/06/caderno_de_leituras_n.78-final.pdf. Acesso em: 18 de julho de 2024.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade / Judith P. Butler; tradução Renato Aguiar. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018a.
CAVALCANTI, Céu; SANDER, Vanessa. Contágios, fronteiras e encontros: articulando analíticas da cisgeneridade por entre tramas etnográficas em investigações sobre prisão. Cadernos Pagu (55), Campinas, 2019.
CHANG, Heewon. Autoethnography as method. Walnut Creek, CA: Left Coast Press, 2008.
EVARISTO, Conceição. Insubmissas lágrimas de mulheres. 2.ed. Rio de Janeiro: Malê, 2016.
EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio. 3ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2017.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: o nascimento das prisões. Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis, Vozes, 1987. 288p.
JONES, S. H.; ADAMS, T. E.; ELLIS, C. (Eds.) Handbook of autoetnography. New York, London: Routledge, 2016.
LEMEBEL, Pedro. Poco Hombre. (1986). Disponível em: <https://www.elboomeran.com/upload/ficheros/obras/poco_hombre_boomerang.pdf>. Acesso em: 23/07/2024.
LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. 1ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
LOPES, Bernardo Mota. Arquivo transmasculino: uma autoetnografia sobre transmasculinidade no Brasil. 2022. 125 f., il. Dissertação (Mestrado em Comunicação) — Universidade de Brasília, Brasília, 2022.
MEIRA, Vanessa Sander Serra E. Entre Manuais E Truques: Etnografando Travestis Nas Redes Do Trabalho Sexual. 2015.
ORLANDO - Minha Biografia Política. Direção de Paul B. Preciado. Brasil: Filmes do Estação, 2023. (98 min).
PRECIADO, Paul B. Um apartamento em Urano: crônicas da travessia. 1ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
PRECIADO, Paul B.. Eu sou o monstro que vos fala: relatório para uma academia de psicanalistas. 1ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.
PRECIADO, Paul. Testo junkie: sexo, drogas e a biopolítica da era farmacopornográfica. 1ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2023a.
RÉGIO, José. Cântico Negro. (2022). Disponível em:<https://estadodaarte.estadao.com.br/jose-regio-cantico-negro/>. Acesso em: 25/07/2024.
ROSA, João Guimarães. A terceira margem do rio. In: Primeiras estorias. 15. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, [2004].
ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. 22ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
ROSA, João Guimarães. Manuelzão e Miguilim: Corpo de baile. 12ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.
RUBIN, Gayle. Pensando o sexo: Notas para uma Teoria Radical das Políticas da Sexualidade. In: Políticas do sexo. São Paulo: Ubu, 2017. 141 p. (Coleção argonautas). ISBN 9788592886486.
SANTOS, Silvio Matheus Alves. O método da autoetnografia na pesquisa sociológica: atores, perspectivas e desafios. Plural - Revista de Ciências Sociais, vol. 24, núm. 1, 2017, Janeiro-Junho, pp. 214-241 Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
SENNA, Ariane Moreira de. A solidão da mulher trans, negra e periférica: uma (auto) etnografia sobre relações socioafetivas em uma sociedade cisheteropatriarcal. 2021.
TAKAKI, Nara. (2020). Por uma autoetnografia/autocrítica reflexiva. Revista Transdisciplinar de Letras, Educação e Cultura da UNIGRAM - a InterLetras. 8. 10.29327/214648.8.31-17.
VILLADA, Camila Sosa. A viagem inútil: trans/escrita. Tradução: Silvia Massimini Felix. São Paulo, Fósforo, 2024.
VILLADA, Camila Sosa. Sou uma tola por te querer. São Paulo: Planeta do Brasil, 2022.
WITTIG, Monique; GALVÃO, Maíra Mendes. O pensamento heterossexual e outros ensaios. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2022. 141 p.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2025 Diadorim Maria Rodrigues

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autorizo a Primeiros Estudos - Revista de Graduação em Ciências Sociais a publicar o trabalho (Artigo, Resenha ou Tradução) de minha autoria/responsabilidade, assim como me responsabilizo pelo uso das imagens, caso seja aceito para a publicação on-line.
Concordo a presente declaração como expressão absoluta da verdade e me responsabilizo integralmente, em meu nome e de eventuais co-autores, pelo material apresentado e atesto o ineditismo do texto enviado.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License. Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
1. Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
2. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
3. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.