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				<journal-title>Psicologia USP</journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0103-6564</issn>
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				<publisher-name>Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/0103-656420170100</article-id>
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					<subject>Artigos originais</subject>
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				<article-title><italic>Crack</italic>! A redução de danos parou, ou foi a pulsão de morte?</article-title>
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					<trans-title><italic>Crack</italic>! Veut-t-on arrêter la réduction des dommages ou la pulsion de mort?</trans-title>
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					<trans-title><italic>Crack</italic>! La reducción de daños paró, o fue la pulsión de muerte?</trans-title>
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						<given-names>Adriana Dias de Assumpção</given-names>
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					<institution content-type="original">Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil</institution>
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					<label>*</label> Endereço para correspondência: <email>adrianadab@gmail.com</email>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>May-Aug</season>
				<year>2018</year>
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			<volume>29</volume>
			<issue>2</issue>
			<fpage>212</fpage>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O que a psicanálise tem a dizer sobre tantas questões que envolvem as drogas, que de longe ultrapassam a questão de seu uso? Questões, diríamos, históricas, clínicas e políticas. O objetivo desse texto é discutir vicissitudes que as perpassam. Não apenas nos acercarmos do “problema drogas”, mas pensar como a presença da psicanálise pode fazer frente a determinados discursos que se presentificam nesse campo de atuação e que estão longe de pôr o sujeito em questão. Trabalhar com a psicanálise é levar em conta a pulsão de morte. É lançar mão de um saber que nos permite uma orientação de tratamento que leve em conta o que há de mortífero no uso de drogas nas toxicomanias, pondo em relevo a posição de gozo do sujeito. É, além disso, pôr em questão o que há de mortífero em determinados direcionamentos políticos que transformam o sujeito em objeto.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="fr">
				<title>Résumé</title>
				<p>Qu’est-ce que la psychanalyse a à dire au sujet de nombreuses questions concernant la drogue, qui dépassent de loin la question de son utilisation? Questions historiques, cliniques et politiques. Le but de cet article est de discuter des vicissitudes qui les traversent. Non seulement nous approcher du « problème drogues », mais comment penser que la présence de la psychanalyse peut faire face à certains discours qui se présentifient dans ce champ d’activité, et qui sont loin de poser le sujet en question. Travailler avec la psychanalyse est de tenir compte de la pulsion de mort. Est de prendre en compte un savoir qui nous oriente vers un traitement qui tient compte du versant meurtifère dans l’utilisation des drogues dans les toxicomanies, mettant en évidence la position de jouissance du sujet. Par ailleurs, c’est mettre en question ce qui est mortifère dans certaines directions politiques qui transforment le sujet en objet.</p>
			</trans-abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>Resumen</title>
				<p>¿ Lo que el psicoanálisis tiene que decir sobre tantas cuestiones que involucran a las drogas, que de lejos sobrepasan la cuestión de su uso? Cuestiones históricas, clínicas y políticas. El objetivo de este texto es discutir las vicisitudes que las atravesan. No sólo nos acercar al “problema drogas”, sino pensar cómo la presencia del psicoanálisis puede hacer frente a determinados discursos que pueden ser encuentrados en ese campo de actuación, y que están lejos de poner al sujeto en cuestión. Trabajar con el psicoanálisis es tener en cuenta la pulsión de muerte. Se trata de un saber que nos permite una orientación de tratamiento que tenga en cuenta lo que hay de mortífero en el uso de drogas en las toxicomanías, poniendo de relieve la posición de goce del sujeto. Es, además, poner en cuestión lo que hay de mortífero en determinados direccionamientos políticos que transforman al sujeto en objeto.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>psicanálise</kwd>
				<kwd>redução de danos</kwd>
				<kwd>políticas públicas</kwd>
				<kwd>toxicomania</kwd>
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				<title>Mots clés:</title>
				<kwd>Psychanalyse</kwd>
				<kwd>Réduction des dommages</kwd>
				<kwd>Politiques publique</kwd>
				<kwd>Toxicomanie</kwd>
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				<title>Palabras-clave:</title>
				<kwd>Psicoanálisis</kwd>
				<kwd>Reducción de daños</kwd>
				<kwd>Políticas públicas</kwd>
				<kwd>Toxicomanía</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Para o psicanalista, ou para o sujeito que depara com o irremediável “Mal-estar na cultura” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Freud,1930/2004</xref>) -, seja ele poeta, cientista, professor, político ou uma pessoa comum -, não há meios de revogar a pulsão de morte, pelo simples fato de que toda pulsão é, fundamentalmente, de morte (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Lacan, 1998</xref>), e como o ser falante é um ser pulsional - e não instintivo -, é a pulsão de morte que está na base da cultura, do sujeito, de toda prática que empreendemos e, de um modo, diz Freud, que é sem que nos apercebamos (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Freud, 1920/2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B54">Pernot, n.d.</xref>). Encarar esse fato não é fácil, pois isso promove angústia, desestabiliza certezas, exige uma dialetização e, sobretudo, na lida com outros seres falantes, nossos semelhantes, impõe trabalharmos advertidos de que retrocessos são sempre possíveis, assim como haverá sempre dissociações, desintrincações, desconstruções e, por que não dizer?, desmantelamentos. Associar, intrincar, construir serão, a partir daí, investimentos de esforços a mais, à altura dos quais estaremos sempre mais bem preparados quanto maior for nosso reconhecimento da existência da pulsão de morte, justamente.</p>
			<p>Em 1914, <xref ref-type="bibr" rid="B34">Freud (1914/2006</xref>) se vê convocado a fazer uma modificação na sua teoria original das pulsões porque se deparara, na clínica, tanto com o fato de o eu ser também um objeto pulsional - o que não estava até então contemplado - quanto com o fato de a repetição ser a forma princeps de busca da satisfação da pulsão: “A compulsão de repetir substitui . . . o impulso de recordar” (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Freud, 1914/2005</xref>, p. 153, tradução nossa). Tal modificação abriu a via para a grande reformulação, em 1920, mais uma vez impulsionada pelos fatos clínicos que, agora, lhe indicavam que havia um <italic>Mais além do princípio de prazer</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Freud, 1920/2004</xref>), experiências que se impunham como uma compulsão à repetição. A pulsão de morte seria o que está na base dessa compulsão, ela “trabalha muda dentro do ser vivo” (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Freud, 1930/2004</xref>, p. 115, tradução nossa), ao contrário do modo das pulsões de vida, “chamativas e ruidosas” (p. 115) que, ao ligarem as coisas entre si, produzem a cultura, nos encantam por meio da arte, nos fazem pesquisar e até amar. Mas são apenas segundas, já que originalmente, como dito, está a pulsão de morte, decorrente do fato de que, em suas palavras, “<italic>A meta de toda a vida é a morte</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Freud, 1920/2004</xref>, p. 38, tradução nossa, grifo do autor), impossível de contrariar.</p>
			<p>Quando Lacan retomou Freud, foi um dos poucos psicanalistas que, à época, assumiu como fundamental para a psicanálise o conceito de pulsão de morte. Trabalhou em sua base desde seus primeiros textos e seminários para, na última fase de seu ensino, associar esse conceito freudiano com a noção de gozo, noção que também implicava um <italic>Mais além do princípio do prazer</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Alberti, 2007</xref>), um <italic>impossível</italic>. Tanto Freud quanto Lacan sustentam a teoria nesse dualismo pulsional no qual a pulsão de morte não é a vilã que deve ser extirpada, ela é constituinte do ser falante. Pulsão de morte e pulsões de vida trabalham em conjunto quando se leva em conta o sujeito do modo como a psicanálise o propõe. É justamente quando não trabalham em conjunto que, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B39">Freud (1923/2004</xref>), assistimos a uma desfusão, desintrincação das pulsões (1923/2004, p. 253). É nesse contexto que, muitas vezes, aparece o ódio, a “pura cultura da pulsão de morte” (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Freud, 1923/2006</xref>, p. 54, tradução nossa), como também o que revela a clínica das toxicomanias em que essa <italic>pura cultura</italic> pode arrebatar o sujeito em sua relação com a droga.</p>
			<p>É dever ético do psicanalista, em sua clínica, assim como no seu exercício político - enquanto atua, na sua especificidade prática -, perceber as manifestações da pulsão de morte, levá-las em conta, para oferecer a possibilidade de localizá-las e encontrar instrumentos de se haver com esse impossível conforme a própria escolha de cada um, mas visando sua associação com as pulsões de vida.</p>
			<p>Assim como o psicanalista, também políticas públicas têm o dever ético de reconhecer a presença de um impossível, de modo a constituir diretrizes para a sociedade que permitam estabelecer as orientações das instituições que nela se erigem. Reconhecê-lo é não negar a pulsão de morte. É claro que não esperamos que as políticas públicas a conceituem do modo como o faz a psicanálise, mas é fundamental que tais políticas partam do princípio ético de um dualismo absolutamente distinto de todo e qualquer maniqueísmo. Esse dualismo não exclui um lado em detrimento do outro, ou seja, leva em conta o fato de que há um Bem em todo Mal e um Mal em todo Bem, dependendo do ângulo em que se olha. Um exemplo desse dualismo absolutamente distinto de todo e qualquer maniqueísmo é, justamente, a política da redução de danos que, embora reconheça os danos causados pelo uso de drogas, entende que nem todo uso é danoso. Nessa visão, o mundo sem drogas não corresponde ao mar de rosas em contraposição ao mundo com drogas. Leva-se em conta o fato de que a droga está no mundo, que em si mesma ela não faz mal, não é um demônio que tenta o ser humano, mas que pode haver um uso que seja danoso. Essa política visa não a erradicar o mal - isto é, a droga - mas a diminuir os danos de um uso quando o uso é danoso para o sujeito. Levantamos a hipótese de que toda e qualquer orientação maniqueísta nas políticas públicas, em particular aquelas que sustentam um proibicionismo quanto ao uso da droga, adviria da ignorância da pulsão de morte.</p>
			<p>Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B63">Teixeira, Ramôa, Engstrom e Ribeiro (2017</xref>), o proibicionismo equivale a uma guerra às drogas, e numa guerra nunca houve nem haverá qualquer preocupação com a singularidade de cada um, enquanto uma política da redução de danos (RD) “tem como princípio o respeito à autonomia dos sujeitos”, tratando-se de “uma alternativa aos modelos moral/criminal e de doença” (p. 1.457). Essa hipótese sustentar-se-ia, mormente, no fato de que “O modelo da RD é entendido como uma estratégia norteadora do cuidado, um paradigma ético, clínico e político” (p. 1.457). Teixeira et al. (2017) propõem que “a RD . . . rompe com a ideia de uso abusivo de drogas, afirma que o mesmo pode ou não ser prejudicial” (p. 1.457), no que se lê que ela deve visar o bem de cada ser humano submetido a essa mesma política por razões de cidadania, o que evidentemente também distingue essa visada daquela que sustenta a ética do psicanalista, que, de forma estrita, não se ocupa do cidadão e, menos ainda, com um bem comum, na medida em que o psicanalista está advertido do fato de que nem sempre o que é bom para a sociedade o é também para cada um.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O problema drogas brevemente historizado</title>
			<p>Convém lembrar que as substâncias psicoativas (<xref ref-type="bibr" rid="B46">MacRae, 2010</xref>) são usadas pela sociedade de uma forma geral. Para <xref ref-type="bibr" rid="B5">Albuquerque (2010</xref>), “as ‘drogas’ são discursos apresentados, de forma variável, no decorrer da história” (p. 14). Esse autor se baseia na noção foucaultiana de discurso, ou seja, “esse conjunto regular de fatos linguísticos em determinado nível, e polêmicos e estratégicos em outro” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Foucault, 2002</xref>, p. 9), que implica uma correlação de forças entre os diversos agentes na cultura, como ocorre nos “jogos (<italic>games</italic>), jogos estratégicos, de ação e de reação, de pergunta e de resposta, de dominação e de esquiva, como também de luta” (p. 9). Isso porque a legalidade ou ilegalidade da droga é estabelecida muito mais por interesses internacionais ou nacionais do que propriamente por suas qualidades psicoativas intrínsecas. Se nas diretrizes do Ministério da Saúde (2003) o álcool é destacado das outras drogas no próprio título da lei, isso não se deve ao estatuto da legalidade/ilegalidade, mas sim ao fato de que o álcool e o tabaco eram, e ainda são, considerados as substâncias psicoativas que mais causam agravos à saúde e consequentemente são mais onerosas ao Estado. Nesse sentido, é possível verificar a importância que o crack toma no cenário brasileiro quando passa a ser nomeado, ao lado do álcool, em 2011, no texto da Raps que “institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Brasil, 2011b</xref>).</p>
			<p>Como observa <xref ref-type="bibr" rid="B31">Freitas (2014</xref>), “Tão certo quanto a história da humanidade, existe o fato de que o ser humano sempre fez uso de substâncias que alterassem seu estado de humor, seja o álcool, o ópio, etc.” (não paginado), e já no Brasil Colônia havia uma preocupação com a incriminação do uso, porte e venda de drogas, como se lê nas <italic>Ordenações Filipinas</italic> de 1603 (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Pedrinha, 2008</xref>). Mas foi no século XX que se estabeleceram as primeiras leis do país com relação ao <italic>problema drogas</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Alves, 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Fonseca &amp; Bastos, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B45">Machado &amp; Boarini, 2013</xref>).</p>
			<p>Em verdade, no início do século XX, vimos tomar corpo a política de repressão às drogas que ficou conhecida como proibicionismo, responsável pelos tratados internacionais antidrogas, sendo essa a orientação hegemônica também no Brasil durante quase todo o século XX. Foi o questionamento sobre os danos advindos do próprio proibicionismo, bem como as configurações políticas, econômicas e sanitárias das duas últimas décadas do século XX que permitiram a entrada em cena do discurso da RD como uma forma possível de tratamento do <italic>problema drogas</italic> no Brasil.</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B58">Ribeiro e Araujo (2006</xref> citado por <xref ref-type="bibr" rid="B6">Alves, 2009</xref>, p. 2.310), o proibicionismo data do crescimento exponencial da industrialização de bebidas alcoólicas no início do século XIX, nos Estados Unidos, tendo se propagado de tal forma que foi fundado, em 1869, o Partido Proibicionista. A lei seca norte-americana, que promulgou o álcool como droga ilícita nos Estados Unidos, vigorou de 1920 até 1932. Todo esse movimento se contrapunha à ampla difusão da “produção, comercialização e o consumo de substâncias hoje classificadas como drogas, como a cocaína e o ópio e seus derivados” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Fonseca &amp; Bastos, 2012</xref>, p. 17) no século XIX, no mundo, e que produziu, entre 1834-1843 e 1856-1858, a conhecida <italic>guerra do ópio</italic> entre uma China que lucrava com esse comércio e uma Inglaterra que tinha outros interesses. Perdedora, a China firmara o Tratado de Nanquim, de acordo com o qual surgiu “uma tentativa de regulação de produção, comercialização e consumo do ópio” (Fonseca &amp; Bastos, 2012, p. 18), modelo de outros tratados internacionais de regulação de substâncias que surgiram depois.</p>
			<p>A <italic>guerra do ópio</italic> lastreou a subsequente <italic>guerra às drogas</italic>. À Inglaterra associaram-se os Estados Unidos e, ainda que tenham necessitado de um tempo para chegarem a um acordo que levasse em conta os interesses econômicos dos dois países, foi do interesse de ambas essas potências um discurso hegemônico sobre a regulação das substâncias psicoativas e que acabou incrementando os movimentos proibicionistas. De tudo isso, resultou a Conferência Internacional de 1912, ocorrida em Haia, e sua ratificação completa, em 1919, que deixou de fora do proibicionismo apenas o uso médico da morfina (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Fonseca &amp; Bastos, 2012</xref>). Daí nasceu o “atual sistema de controle de diferentes drogas” (Fonseca &amp; Bastos, 2012, p. 19), que depois gerou uma série de Tratados Internacionais, ratificados por 160 nações, visando a eliminação do consumo e propondo que o único tratamento eficaz para aqueles que usam drogas é a total abstinência.</p>
			<p>No contexto nacional, observa-se a oscilação entre políticas que ora associavam, ora discriminavam o usuário do traficante, ou seja, respectivamente, uma oscilação quanto ao <italic>problema drogas</italic> ser exclusivamente da alçada da criminologia, ou de alçada tanto da criminologia quanto da saúde. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B11">Batista (1997</xref>), pelo Decreto 14.969 de 1921, determinava-se a criação de sanatórios para toxicômanos e, enquanto não fossem implantados, os usuários deveriam ser interditados na Colônia de Alienados - espécie de <italic>sistema médico-policial</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Pedrinha, 2008</xref>) que impunha a interdição ao mesmo tempo em que propunha um tratamento, e “embora os usuários de drogas não fossem considerados criminosos, o tratamento para com os mesmos não pode ser considerado um mar de rosas” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Freitas, 2014</xref>, não paginado).</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B45">Machado e Boarini (2013</xref>), o Decreto nº 891, de 1938, regulamentou a fiscalização do uso de entorpecentes, que compreendiam não só o ópio e a cocaína, mas também a maconha e a heroína, além de classificar “a toxicomania como ‘doença de notificação compulsória’” (p. 583). Em consequência, ditava a “internação <italic>obrigatória ou facultativa</italic> por tempo determinado ou não” dos “toxicômanos ou os intoxicados habituais, por entorpecentes” (Machado e Boarini, 2013, p. 583, grifo nosso). Esse decreto foi incorporado ao código penal em 1941, pois, de acordo com Garcia, Leal e Abreu (2008 citados por Machado &amp; Boarini, 2013), esse decreto “correspondia às aspirações do Governo Getúlio Vargas para conter comportamentos desviantes, tendo como foco o trabalhador” (p. 583). Note-se que, malgrado aventar a possibilidade de internações, o Decreto nº 891 não as impunha sumariamente. Isso porque estava submetido ao Código Penal que vigorou até 1976, no qual “o consumo de drogas não era considerado crime, o que demonstrava a característica da prevenção sanitária da drogo dependência” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Freitas, 2014</xref>, não paginado).</p>
			<p>Contudo, após a institucionalização da última Ditadura Militar no Brasil, o Decreto nº 54.216, de 1964 promulgou uma Convenção Única sobre Entorpecentes, identificando traficantes e usuários (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Carvalho, 1996</xref>) e, em 1971, equiparando suas penas. Foi somente em 1976, com a Lei nº 6.368, que voltou a se distinguir “as figuras penais do tráfico e do usuário, especialmente no tocante à duração das penas” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Freitas, 2014</xref>, não paginado). Se por um lado, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B45">Machado e Boarini (2013</xref>), em 1976 a lei revogou “o caráter compulsório dos tratamentos hospitalares” (p. 583), por outro, produziu um empuxo à medicalização da <italic>dependência química</italic>, dando legitimidade a que o saber médico se apropriasse do setor de segurança, separando criminosos de doentes.</p>
			<p>Ainda então, a política, no que diz respeito ao <italic>problema drogas</italic> no Brasil, tendia a ser unívoca, sustentada por ideologias de cunho moral, sendo o isolamento e, portanto, a internação, a prática corrente na época (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon, 2012</xref>). Mas a crítica ao manicômio havia se tornado cada vez mais acirrada naqueles anos e, com a promulgação da nova Constituição, de 1988, que, entre outros, instituiu o Sistema Único de Saúde (SUS), foi possível introduzir, em 2003, uma nova diretriz, em termos de saúde pública, para o <italic>campo de atenção</italic> aos usuários de álcool e outras drogas, campo adscrito à saúde mental e consequentemente à Política Nacional de Saúde - separando-se, portanto, o setor médico da segurança pública.</p>
			<p>Com o SUS, a nova Constituição introduziu, antes de tudo, uma preocupação com a saúde da população e de forma bastante progressista:</p>
			<disp-quote>
				<p>(Art. 196.) A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas <italic>que visem à redução do risco de doença e de outros agravos</italic> e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Brasil, 1988</xref>, p. 116, grifo nosso).</p>
			</disp-quote>
			<p>Efetivando essa abordagem igualitária e democrática - porque não coercitiva, ao contrário -, criou-se e implementou-se, em 2003, uma política que retomou a ideia da RD que já tinha sido experimentada antes. A primeira vez foi em 1926, quando, na Inglaterra, houve a proposta de uma prescrição legal de opinácios para o tratamento de usuários de droga (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alarcon, 2012</xref>). A segunda, na Holanda, onde, na década de 1970, visava-se “afastar os usuários habituais de Cannabis dos riscos oferecidos pelo mercado negro . . . e apenas secundariamente, como tática acessória, inclui-se o ponto de vista médico de redução de danos físicos e psicológicos” (Alarcon, 2012, p. 57). Nossa Constituição orienta, em seu Artigo 198, que “As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Brasil, 1988</xref>, p. 117). Tendo em vista essa orientação constitucional, também as Reformas Sanitária e Psiquiátrica, e a <italic>Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras Drogas,</italic> implementaram novas estratégias possibilitando uma maior eficácia com relação à inclusão social e contrárias à, até então vigente, imposição de uma <italic>abstinência</italic> para todos pela via do tratamento moral e da internação.</p>
			<p>Além disso, desde o final do século XX, já se começava a lutar contra o antes inimaginável monstro da aids que ceifava cada vez mais vidas por falta de tratamento adequado, tendo na população usuária de drogas injetáveis (UDI) tantas e tantas vítimas, sendo, portanto, alvo das primeiras ações de RD no Brasil. <xref ref-type="bibr" rid="B9">Andrade (2011</xref>) observa que “Em várias partes do mundo [as] políticas públicas de saúde começavam a se voltar para as pessoas que usavam drogas, pela ameaça de que a epidemia de HIV/aids fugisse ao controle a partir desta população” (p. 4.665). Reduzir os danos implicava, internacionalmente, uma nova orientação nas políticas públicas: já não tanto explicitamente coibir o uso das drogas - o que se mostrava sem efeito -, mas, antes, orientar a população usuária para sobreviver! Cuidar dessa população, a ponto de vários países terem legalizado o uso, distribuído seringas descartáveis<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>, criado centros de atenção aos usuários em que estes pudessem buscar orientação para um consumo de drogas menos letal.</p>
			<p>Eis, pois, como surgiu uma orientação política que não negava a impossibilidade da extinção do uso da droga, uso que Freud (1930/2004) já observava como sendo uma das apenas três possibilidades que o sujeito tem de fazer frente ao mal-estar na cultura, mas, ao contrário, levando essa impossibilidade em conta, buscou dialetizá-la, do modo como quer a nossa hipótese: é somente levando em conta a pulsão de morte que, com alguns esforços a mais, podemos instrumentalizar cada sujeito a associar, intrincar, desejar… na contramão da pura cultura da pulsão de morte.</p>
			<p>Para avançar nesse sentido, a criação do SUS exigia separar o setor de saúde da segurança, no que tange o <italic>problema drogas</italic>. O Decreto Presidencial nº 4.345, de 26 de agosto de 2002 (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Brasil, 2002</xref>), instituiu a primeira Política Nacional Antidrogas (PNAD) que, de um lado, imprescinde da repressão internacional ao tráfico de drogas, política sustentada no proibicionismo ao qual o Brasil se alia, sendo, como quase todos os países do mundo, signatário da Convenção única sobre entorpecentes de 1961 (<xref ref-type="bibr" rid="B65">United Nations Office on Drugs and Crime, n.d.</xref>). Mas, de outro lado, em consonância com a Lei nº 10.216/2001 que “dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental”, o Ministério da Saúde foi levado a redirecionar o campo de práticas para usuários de álcool e outras drogas, para uma <italic>Política do Ministério da Saúde para atenção integral a usuários de álcool e outras drogas</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Brasil, 2003</xref>). É essa segunda política que abre as portas para a prática da política da RD na clínica, em particular, da saúde mental (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">Andrade, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B57">Ramminger, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B62">Silva, 2014</xref>).</p>
			<p>Como tão bem nos mostram os autores supracitados, o campo das políticas públicas quanto à saúde mental, <italic>álcool e outras drogas</italic> teve vários avanços, mas também retrocessos, e que tanto uns como outros influenciam diretamente o tipo de tratamento efetivamente oferecido desde 2003. Às vezes pudemos avançar na direção progressista que deu origem ao texto constitucional, às vezes observamos retrocessos que implicam que se cedeu em relação aos avanços. Ressaltamo-lo porque foi no movimento de descriminalização que assistimos, nos primeiros anos do século XXI, à inserção da psicanálise nos serviços de atenção aos usuários de droga. Não foi o único avanço, houve outros igualmente importantes, mas é com ele que trabalhamos e é em função desse trabalho com ele que nos posicionamos quanto à situação atual. Se meio século depois de Getúlio Vargas muita coisa mudou no Brasil, com uma visada bastante progressista, nessa segunda década do século XXI, quando novamente somos testemunhas da internação obrigatória, ou melhor, compulsória, perguntamos: a que aspirações esse retrocesso de quase um século corresponde?</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Crack</title>
			<p>Apesar de criado por Oswald de Andrade (1924/1971) em referência aos prenúncios da quebra da Bolsa de Valores em 1929, intitulando com ele um de seus poemas, “Crackar”, utilizamos aqui o, dito por Oswald, verbo irregular para associar as políticas públicas mediante o uso da droga - tantas vezes reduzida, nos discursos, ao crack - à quebra da orientação anteriormente identificada como progressista, a que somos hoje confrontados no país. “Crackar” o fogo na pedra a faz estalar, som que se ouve e que dá nome à droga. Ao “crackar” a droga, o fogo no cachimbo muitas vezes leva aquele que acende a penetrar por várias <italic>quebradas</italic><xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>, por vezes quebra seus laços sociais e, outras, até a própria vida. Mas há também outras <italic>quebradas</italic>, outras alternativas, nem todo uso de crack leva à morte. Os discursos sobre o crack, esses sim têm causado segregação e ódio. O crack tem sido inclusive um ponto de quebra nas políticas públicas, pois no imaginário social - <italic>usou uma vez fica-se viciado para sempre</italic>.</p>
			<p>Aqui retomamos nossa hipótese inicial: é necessário levar em conta a pulsão de morte, pois talvez não seja o crack que quebra o sujeito, mas o sujeito dele se utiliza para satisfazer sua compulsão à repetição. Se não se considera essa escolha do sujeito, mesmo se ela pode ser mortífera - satisfação pulsional que responde à posição de gozo de cada um -, acaba-se por oferecer um tratamento que entra em um outro tipo de repetição: internação - abstinência - recaída - internação. O posicionamento político ancorado no posicionamento moral ou orgânico (doença) imprime um desígnio: <italic>Se tu és usuário de drogas, és um criminoso ou és doente</italic>, tomando o outro como um objeto, com “‘falência’ moral e espiritual, descrita em termos psicológicos ou existenciais” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">De Leon, 2014</xref>, p. 41). Ao tomar o usuário de drogas como objeto, não se considera o cidadão e, menos ainda, o sujeito do inconsciente e suas escolhas.</p>
			<p>O uso de drogas, tanto no que diz respeito ao tratamento como de suas implicações jurídicas e também em sua face mais violenta, a saber, a <italic>guerra às drogas</italic>, na qual estão inseridas as questões referentes ao tráfico de drogas, é tema que frequenta nosso cotidiano. Verifica-se que há uma tendência, em termos de mídia se assim podemos dizer, a associar atos de violência ao uso de drogas (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Agência de Notícias dos Direitos da Infância, 2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B59">Rommanini &amp; Roso, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B60">Roso et al., 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B62">Silva, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B64">Tomm &amp; Roso, 2013</xref>). E sabemos como o discurso veiculado na mídia produz efeitos e, por vezes, quase instantâneos! Quem trabalha em Centros de Atenção Psicossocial álcool e outros drogas (CAPSad) - mas pensamos que isso também seja verdadeiro em outros serviços -depara, geralmente na segunda-feira, com uma grande demanda por internação toda vez que, no domingo à noite, aparece publicada uma matéria sobre os ditos <italic>dependentes químicos</italic>. Ora, quando supomos que a <italic>guerra às drogas</italic> ignora a pulsão de morte, quando então predomina a <italic>cultura da pulsão de morte</italic>, visamos ao fato de que, como em toda guerra, o outro fica reduzido a objeto que pode ser torturado, isolado, encarcerado. . .</p>
			<disp-quote>
				<p>A interdição às drogas e sua manutenção através da militarização do processo repressivo alimentam os lucros de organizações criminosas que financiam e distribuem as drogas no atacado e diversificam suas atividades, incluindo o tráfico de armas, seres humanos, de espécies animais e vegetais, de objetos preciosos etc. (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon, Belmonte, &amp; Jorge, 2012</xref>, p. 77)</p>
			</disp-quote>
			<p>Nossa experiência ensina que, na maioria das vezes, as demandas por internação surgem de uma ligação direta entre violência e uso de drogas, criminalizando e taxionomizando o usuário, produzindo e/ou reforçando “subjetividades e modos de viver” (<xref ref-type="bibr" rid="B60">Roso et al., 2010</xref>, p. 1), sem levar em conta a diversidade de fatores implicados tanto na questão da violência como no uso de drogas (<xref ref-type="bibr" rid="B51">Minayo &amp; Deslandes, 1998</xref>), ignorando a advertência da política do Ministério da Saúde, em 2003, contra os <italic>Principais fatores que reforçam a exclusão social dos usuários de drogas</italic>:</p>
			<p>1. <italic>Associação do uso de álcool e outras drogas à delinqu</italic>ência, sem critérios mínimos de avaliação; 2. O estigma atribuído aos usuários, promovendo a sua segregação social; 3. Inclusão do tráfico como uma alternativa de trabalho e geração de renda para as populações mais empobrecidas, em especial à utilização de mão de obra de jovens neste mercado; 4. A ilicitude do uso impede a participação social de forma organizada desses usuários; 5. O tratamento legal e de forma igualitária a todos os integrantes da “cadeia organizacional do mundo das drogas” é desigual em termos de penalização e alternativas de intervenção. (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Brasil, 2003</xref>, p. 25, grifo nosso)</p>
			<p>O <italic>Seminário mídia e drogas - O perfil do uso e do usuário na imprensa brasileira em 2004</italic> verificou que a mídia faz uma relação estreita das drogas “com a violência urbana, levando o tema a adquirir proporções gigantescas, com reações da mesma ordem, traduzidas em ações cada vez mais repressivas” (Agência de Notícias dos Direitos da Infância, 2005, p. 6). A noção de <italic>epidemia de crack</italic><xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> - que estamos colocando em destaque, na medida em que se alega “tratar de uma ‘epidemia’, mesmo na ausência de dados epidemiológicos que corroborassem essa afirmação” (<xref ref-type="bibr" rid="B62">Silva, 2014</xref>, p. 59) - veiculada pela mídia (<xref ref-type="bibr" rid="B60">Roso et al., 2010</xref>, p. 5) retrocede da direção progressista que as reformas sanitária e psiquiátrica vinham imprimindo ao <italic>problema-drogas</italic>. Aliás, esse sintagma foi inicialmente utilizado por <xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon (2012</xref>), visando tanto designar com ele “os danos que elas podem causar no organismo humano em virtude do eventual uso inadequado”, quanto “os danos produzidos por todas as consequências inerentes às políticas antidrogas, à cultura da violência que lhe é subjacente e que perdura, paradoxalmente, em nome da saúde da população” (p. 46). A <italic>epidemia de crack</italic> serve como mote tanto para o alarde da mídia (<xref ref-type="bibr" rid="B57">Ramminger, 2014</xref>; Silva, 2014), que o toma como causador da violência, fazendo “falta à sociedade meios que proporcionem um olhar realista e ponderado sobre o assunto, que evite cair nos estereótipos mais comuns das visões romantizadas ou associadas unicamente à violência” (Roso et al., 2010, p. 7), como a um retrocesso nas políticas voltadas para o campo de álcool e drogas. Esse é o caso das internações compulsórias que, desde maio de 2017, voltaram a ser notícia<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>. É digno de atenção o fato de que ações como estas, cuja justificativa é dada pelo sintagma <italic>epidemia de crack</italic>, veiculado - propagandeado - discursivamente e sustentado pelos meios de comunicação, manipulam a opinião pública em direção a uma associação imediata do uso de crack e drogas em geral e violência.</p>
			<disp-quote>
				<p>Pressupõe-se que os meios de comunicação podem estar colaborando com a manutenção de visões “distorcidas” sobre o tema, quando estabelecem uma relação causal entre violência e uso de crack, restringindo-se, na maioria das matérias, a apresentar “fatos”, não apresentando uma discussão mais aprofundada sobre as causas e consequências do fenômeno. (<xref ref-type="bibr" rid="B60">Roso et al., 2010</xref>, p. 7)</p>
			</disp-quote>
			<p>É digno de atenção que esse modo de tratar a questão acaba por gerar pânico na população, com a consequente promoção de discursos cada vez mais segregacionistas, traduzindo-se, finalmente, na expressiva aprovação da internação compulsória por uma boa parte da população.</p>
			<p>A operação policial na <italic>cracolândia</italic>, em São Paulo (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Gonçalves, 2017</xref>), por um lado, fere a Lei nº 10.216, de 2001, que afirma no artigo 4º que “a internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Brasil, 2001</xref>, não paginado). Por outro lado, mostra como a propaganda de que aquelas pessoas não têm condições de responder por si - posto que é o crack que fala por elas - incide sobre a população<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>, que acredita que a internação compulsória seja a única saída para esses <italic>possuídos pelo crack</italic>. É como se o uso de crack anulasse de um só golpe o sujeito, tanto no sentido psicanalítico do termo, sujeito do inconsciente, ao virar objeto de uso possuído pelo crack, como também o sujeito de direito que, diferentemente dos demais, não deve então circular na rua.</p>
			<p>Entretanto, “uma revisão sistemática sobre a eficácia dos tratamentos compulsórios para o consumo de drogas concluiu que não há evidências de melhoras em tratamentos compulsórios”, identificando, “por outro lado, estudos que sugerem o risco de ampliação dos danos” (<xref ref-type="bibr" rid="B66">United Nations Office on Drugs and Crime, 2017</xref>).</p>
			<p>A política de saúde mental é embasada na inclusão, mas o que se escuta na <italic>polis</italic>, quando se trata do uso de drogas, sobretudo do crack, é a demanda por segregação, e o que é pior, muitas vezes sustentada no discurso de políticas suportadas pelo discurso religioso e/ou biologizante. Não se está questionando a vulnerabilidade dessas pessoas, inclusive à violência, doenças etc., mas sim a forma de intervenção pública de que são alvo. E, ainda, ancorados no referencial psicanalítico, apontamos para o fato de que não há tratamento possível das toxicomanias sem que se leve em conta, para além do sujeito de direito, do cidadão, o sujeito do gozo.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A política da redução de danos e a psicanálise</title>
			<p>Vários autores (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Conte, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B48">Melman, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B55">Queiroz, 2001</xref>) já trabalharam a importância que teve a política da RD para o avanço da psicanálise no campo da saúde mental na primeira década depois de 2003. Como diz <xref ref-type="bibr" rid="B58">Ribeiro (2010</xref>, não paginado), a “redução de danos implica um conjunto de intervenções que visam prevenir as conseqüências negativas do uso de drogas, sem haver a exigência da abstinência”, de modo que vários autores estimaram que tal política contribuiu para uma interlocução com a psicanálise. Isso porque ambas, a política da RD e a política da psicanálise, “combatem a demissão subjetiva implicada nos modelos de desintoxicação” (Ribeiro, 2010, não paginado). Cada uma a seu modo se contrapõe ao movimento de excluir o sujeito ativo e capaz de fazer escolhas, proposto pela orientação que apenas visa à abstinência, e cada uma atua na contramão da foraclusão do sujeito que o discurso biologizante impõe.</p>
			<p>No entanto, há particularidades, e houve quem as sublinhasse. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B10">Araujo e Costa (2012</xref>), “As políticas públicas priorizam a redução de danos e o usuário acaba sendo visto como um doente ou marginal”, pois “a política brasileira foca seu olhar na droga e não no sujeito, evidenciando o estigma ao usuário de drogas” (p. 1), enquanto, para a psicanálise, o que é preciso pôr em evidência é que o sujeito usuário faz da droga uma forma de vivenciar “o mal-estar, o excesso próprio da cultura contemporânea, percebendo que é preciso ouvir o que o toxicômano tem a dizer sem estigmatizá-lo” (Araujo &amp; Costa, 2012, p. 1). O sujeito usuário é, para a psicanálise, no que diz respeito ao que há de mais genuíno nele, um sujeito capaz de responder de sua posição de gozo. Como tratar psicanaliticamente um sujeito se o que lhe é mais genuíno deve, <italic>a priori</italic>, ser deixado do lado de fora?</p>
			<p>Quanto à crítica que Araujo e Costa fazem à RD, é preciso ressaltar que apesar de eles se basearem nas diretrizes do Ministério da Saúde (Brasil, 2003), também utilizadas pela saúde mental, o foco sobre o qual recai sua análise é a Política Nacional Sobre Drogas (PNAD) modificada, a partir de 2006, quando incorporou a RD, <italic>aliando-a ao proibicionismo</italic>. Portanto, parece-nos que o texto promove certa confusão ao chamar a PNAD de política de RD, pois ela não o é. A PNAD distorce, no texto de sua lei, o termo RD advindo do campo da saúde, adequando-o a seus próprios princípios, o que, aliás, constatam Araujo e Costa (2012) quando dizem que “as políticas públicas para o uso abusivo de álcool e outras drogas remetem-se à questão da abstinência forçada, redução de danos e proibicionismo” (p. 16). A associação da RD às políticas proibicionistas cria um abismo, de fato, por nela não se levar em conta nem o sujeito de direito, que dirá o do inconsciente! Mas não era isso o que visava a Lei do Ministério da Saúde que, portanto, não levava - como dizem os autores - à produção de <italic>estereótipos</italic> ou <italic>estigmas</italic>. Ao contrário, nela o estigma é um dos problemas mais enfatizados no que tange os usuários de drogas, sendo considerado produtor de agravos. A política original de RD não é contrária à da psicanálise, mas sua associação ao proibicionismo sim.</p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B61">Santiago (2001</xref>) - sua referência é lacaniana e não foucaultiana, com a qual trabalha <xref ref-type="bibr" rid="B5">Albuquerque (2010</xref>) -, as toxicomanias são efeito de discurso. Aqui, a noção de discurso implica a produção do gozo, ou seja, o modo como os sujeitos se relacionam numa dada cultura promovendo o gozo de cada um, nas diferentes posições que tal promoção se dá a partir do agenciamento que um indivíduo impõe a um outro. A psicanálise, de forma alguma, se desinteressa pela cultura e pelos discursos nela forjados, nem mesmo desconsidera o fato de que o estigma produz segregação, ela apenas não deixa escapar o fato de que entre o sujeito e o Outro há um <italic>a</italic> mais, um mais e mais e mais… que se repete no ato de se drogar. Se para alguns psicanalistas isso quer dizer, na prática, que “esse sujeito de que trata a psicanálise é freqüentemente eclipsado pelo cidadão de direitos preconizado pela abordagem político-social do sofrimento psíquico” (<xref ref-type="bibr" rid="B58">Ribeiro, 2010</xref>, não paginado), eclipsado, sobretudo, numa prática que não leva em conta o caso a caso, não podemos deixar de levar em conta a possível abertura da RD para a clínica psicanalítica na política.</p>
			<p>Na realidade, há sim uma preocupação no texto da Lei de 2003 quanto ao caso a caso, apesar de ser uma lei universalizante, posto que é para todos. Senão, vejamos. A Lei é clara no que tange a caracterizar o uso de drogas como <italic>multifatorial</italic> e <italic>heterogêneo</italic>, frisando a necessidade de se levar em conta as diversidades, pois afirma: “quando se trata de cuidar de vidas humanas, temos que, necessariamente, lidar com as singularidades, com as diferentes possibilidades e escolhas que são feitas” (Brasil, 2003, p. 10).</p>
			<p>Afirmando-se como <italic>clínico-política</italic> (Brasil, 2003, p. 11), a Lei preconiza que “a abordagem da redução de danos nos oferece um caminho promissor” justamente por reconhecer “cada usuário em suas singularidades”, o que permite traçar “com ele estratégias que estão voltadas não para a abstinência como objetivo a ser alcançado, mas para a defesa de sua vida” (p. 10). Já o fato de reconhecer a necessidade de defender a vida, esse texto testemunha levar em conta a existência da pulsão de morte. A Lei aponta a RD como um <italic>método</italic>, no sentido de caminho, que não exclui outros, “vinculado à direção do tratamento e, aqui, tratar significa aumentar o grau de liberdade, de corresponsabilidade daquele que está se tratando” (Brasil, 2003, p. 11). Implica, ainda, “no estabelecimento de vínculo com os profissionais, que também passam a ser corresponsáveis pelos caminhos a serem construídos pela vida daquele usuário, pelas muitas vidas que a ele se ligam e pelas que nele se expressam” (p. 11). Na política, a singularidade que está em jogo é a da história e das escolhas de cada pessoa, que irá perceber, à sua maneira, a subjetividade decorrente da “integração e inter-relação de vários fenômenos de manifestação biopsicossocial, sendo ainda o local de entrecruzamento para estas variáveis” (Brasil, 2003, p. 28).</p>
			<p>Há, sim, particularidades que dizem respeito ao tratamento analítico - e talvez essa seja justamente sua força de resistência - que não se confundem com a RD. A psicanálise é subversiva na medida em que descentraliza o eu, privilegia a determinação inconsciente, reconhece o campo do gozo e visa um tratamento pela retomada do caminho do desejo. Mas à sua maneira, a redução de danos também é subversiva, pois questiona, aos moldes da reforma psiquiátrica, a dominação dos corpos pelo discurso moral/biológico. Também inverte a noção de dano associado às drogas, na medida em que assume que nem todo uso é prejudicial. A RD faz parte de toda uma estratégia de saúde pública e é nesse contexto que ela toma força, no que se articula com o conceito de clínica ampliada, que também tem em sua especificidade sua possibilidade de resistência, como nos lembra L. Elia:</p>
			<disp-quote>
				<p>É preciso manter a atenção psicossocial em sua especificidade, que se especifica por não ser afeita a nenhuma especialidade: todos os profissionais, todos os atores, todos os agentes podem e devem intervir na ação e cuidado, na ação clínica que é política ao mesmo tempo, pois sempre visa a posição do sujeito em relação ao corpo social concreto, ao laço social, à cidade e à cidadania. (comunicado em mesa, Rio de Janeiro, 6 de outubro de 2015)</p>
			</disp-quote>
			<p>Tanto a psicanálise como a política de RD partem do princípio de que é preciso escutar o outro, pois dele nada se sabe <italic>a priori</italic>. Na prática, vemos como é difícil para os profissionais não saberem o que é melhor para o paciente, a clínica com as toxicomanias gera muita angústia na própria equipe, particularmente quando a vida está em risco. Daí, mesmo que não seja necessário que os trabalhadores em saúde mental sejam psicanalistas - e provavelmente isso nem seria aconselhável, posto não tratar-se de uma clínica das especialidades, como afirmado por L. Elia (comunicado em mesa, Rio de Janeiro, 6 de outubro de 2015), e por ser uma clínica multidisciplinar, para a qual devem concorrer diferentes saberes e aportes teórico-técnicos (Brasil, 2003, p. 7), sendo o psicanalista um entre os vários atores que constituem o campo da atenção psicossocial -, a psicanálise tem muito a contribuir com a RD, dando voz sim ao sujeito de direito, pois é preciso que ele a tenha, como queria a reforma psiquiátrica. E para que isso não faça eclipsar o sujeito do inconsciente, é preciso que os psicanalistas não recuem diante dos impasses e participem dessa clínica, sendo apenas alguns.</p>
			<p>Cada sujeito encontra no uso da droga uma relação muito particular com seu gozo e com o Outro, e isso não se universaliza, não funciona conforme as leis que - estas sim - precisam ser universalizantes. . . há um impossível entre a política universalizante e uma clínica do sujeito, ou seja, um não compreende o outro, mesmo se a lei pode ser mais ou menos coercitiva no que tange a inclusão ou exclusão de cada sujeito a ela, necessariamente, submetido. Pois, como já dizia Freud (1937/2004), governar (ou mandar), educar e psicanalisar são impossíveis.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B44">Lacan (1997</xref>) formula a própria ética da psicanálise como sendo aquela do desejo. Na prática, não ceder de apontar o sujeito ali onde ele é negligenciado, emudecido e inclusive, por vezes, literalmente calado. E, para calá-lo, não faltam discursos. Não é apenas o do tratamento psiquiátrico que, quando utiliza a droga lícita, não tem outra intenção senão impedir a manifestação fenomenológica dos conflitos subjetivos, orientação clínica colada à ideologia da remissão dos sintomas. Estes, já o dizia Freud (1926/1977), são manifestações subjetivas e seriam os últimos fenômenos a querermos, como psicanalistas, fazer desaparecer, pois o sintoma é signo da presença do sujeito (<xref ref-type="bibr" rid="B56">Quinet, 2000</xref>, p. 144), signo de cifra de gozo, do modo como cada sujeito pode cifrá-lo, na sua singularidade. E é com isso que a psicanálise trabalha.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>Saúde <italic>
 <bold>
 <italic>versus</italic>
</bold> segurança</italic>
</bold></title>
			<p>Apesar das críticas que a política da RD pode ter sofrido por não levar em conta a singularidade da posição de gozo do sujeito, em razão de ser uma política pública - mas abrindo caminho para uma clínica que incluía a psicanálise -, ela possibilitou um verdadeiro questionamento do unilateral <italic>tratamento</italic> que impunha a abstinência para todos e, consequentemente, em termos de tratamento, a internação. Insistiu na necessidade de descriminalizar o uso de drogas na medida em que isso gera estigma aos usuários de drogas ilícitas. Abriu caminho, sobretudo, para que uma clínica pudesse avaliar, na singularidade de cada caso, de que maneira o sujeito utiliza a droga, dela goza, de que modo, para alguns, a abstinência talvez não seja a melhor solução terapêutica. Para além do campo da saúde mental, isso também implicou uma mudança no campo da segurança, não sem fazer surgir uma tensão entre ambas.</p>
			<p>Um dos preceitos básicos das práticas de segurança é “buscar, incessantemente, atingir o ideal de construção de uma sociedade livre do uso de drogas ilícitas e do uso indevido de drogas lícitas” (Brasil, 2002, não paginado). Com a inclusão, em 2003, das práticas de promoção da saúde que visam à RD, entendendo o tratamento como singularizado, não tendo a abstinência como precondição e prevendo a responsabilidade do usuário por seu tratamento, passamos a ter dois grandes atores: de um lado, o Ministério da Saúde, de outro, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas - Senad (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Andrade, 2011</xref>). Inicialmente Gabinete de Segurança institucional da Presidência da República, a partir de 2011 o Senad faz parte do Ministério da Justiça (MJ) e, já em 2006, instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad), que não descriminaliza o uso para o qual, conforme o Art. 28, prevendo as “seguintes penas: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo”. Com a implantação do Sisnad, surge uma nova abordagem da RD, identificando esta ao modelo higienista! (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon et al., 2012</xref>, p.78). Isso porque o Sisnad tomou o dano como fato, ligando diretamente o uso de drogas ilícitas a danos.</p>
			<p>Foi aí que se deu a transposição do conceito de RD do campo da saúde para o da segurança e, posteriormente, em 2011, para o da justiça. Ao ser assimilada pelo campo jurídico, a RD perdeu a força de reduzir os danos do próprio proibicionismo que, conforme nossa hipótese, advém da ignorância da pulsão de morte. A cultura, de acordo com a psicanálise, é uma forma de organizar as relações entre os seres falantes. Não é possível a um fazer simplesmente do outro - seu objeto pulsional - aquilo que quer, pois há regras. A cultura, ou se preferirmos, os discursos prevalentes em uma determinada cultura, ditam a forma como o outro será tratado. Se na forma de tratar o outro prevalece a rivalidade, isto é, se o outro é tratado como objeto e não como sujeito, então o diferente será alvo de segregação. O proibicionismo gera um discurso de ódio, fruto da desintrincação pulsional que, na contramão das pulsões de vida, tem efeitos concretos. Efeitos esses fartamente alardeados pelos trabalhadores de saúde mental referidos à RD, tal como sua proposta original, e que retomamos a seguir.</p>
			<p>Em primeiro lugar, as mortes causadas pela <italic>guerra às drogas</italic>. Combater as drogas introduz uma série de consequências que são totalmente desconsideradas, associadas ao próprio termo <italic>guerra</italic>. Numa guerra, se está num campo de batalha, é preciso vencer um inimigo; este, por sua vez, se arma para defender-se e contra-atacar. Numa guerra, incalculáveis baixas se justificam pelo fim almejado que, normalmente, é consequência de enorme devastação. Numa guerra, tudo é permitido em nome de um avanço para a vitória e as mais vis reações humanas; aquelas mesmas que fazem do homem o lobo do homem não são apenas desculpabilizadas como, muitas vezes, até mesmo incentivadas. Uma guerra jamais é desencadeada sem objetivos econômicos, e estes pululam no campo das drogas, não apenas na disputa entre os traficantes por uma maior faixa de comércio para seus lucros, como inconfessáveis interesses financeiros que sustentam indústrias e governos - a guerra do ópio já mencionada é apenas um exemplo disso, sem os requintes que vieram depois.</p>
			<p>Em segundo lugar, o alto potencial de dano que as substâncias misturadas às drogas provocam no organismo, e que podem ser bem mais prejudiciais do que as próprias drogas. Reduz-se a guerra às drogas sem levar-se em conta que é preciso esclarecer a população de que há tais substâncias que em nada contribuem para o prazer que a droga, em si, proporciona. Ignora-se a possibilidade de haver muitos usuários que poderiam optar por não se drogarem em função do acréscimo dessas substâncias, essas, sim, muito prejudiciais. Esse foi o mote da RD na Holanda − ao se controlar o produto vendido, diminui-se o dano causado por substâncias a ele adicionadas.</p>
			<p>Em terceiro lugar, os danos do preconceito e do estigma. Tema desenvolvido por Freud (1921/2004) no ano seguinte ao da redação do texto em que conceituou a pulsão de morte, a segregação de um grupo por outro, promove em ambos um espelhamento de eus fortalecidos nos embates entre grupos - justamente por fazerem Um como grupo -, que entre si não identificam diferenças, fazendo do outro - aquele que não é do grupo - o marginal, o segregável, o intratável. Qualquer que seja a ligação de um usuário com a droga, não interessa nessa segregação se o sujeito é com a droga muito comprometido, ou apenas a utiliza de vez em quando. A RD, para ser mais potente, deveria poder contrariar tudo isso, contrariar a própria maneira de se tomar todo usuário de drogas ilícitas como, não apenas criminoso, mas necessariamente como alguém que, se não é, será <italic>dependente</italic>.</p>
			<p>Mas o que se vê hoje é que o que poderia ser um risco, passa a ser necessário, fazendo da droga <italic>A Causa</italic><xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>, e se é na substância que mora o perigo, a única coisa a fazer é erradicá-la (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon, 2012</xref>). Poderíamos dizer que esse discurso toma o possível como necessário excluindo qualquer contingência. Ele é fruto também do fato de que a Lei nº 11.343 (Brasil, 2006) amenizou “a lógica ampliada da redução de danos como antípoda do proibicionismo” (Alarcon et al., 2012, p. 80), reaproximando os dois campos, o da saúde e o da justiça, introduzindo a possibilidade de, em 2010, ser lançado o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas (Brasil, 2011a), que deu origem ao plano Crack é Possível Vencer e a discussão sobre o financiamento das comunidades terapêuticas. Conforme L Elia: “Pelo viés de um suposto combate ao uso abusivo de drogas, as forças conservadoras da sociedade” (comunicado em mesa, Rio de Janeiro, 6 de outubro de 2015), transferindo o Senad ao Ministério da Justiça, passaram a promover judicializações, criminalizações e recolhimentos em comunidades terapêuticas com internações compulsórias, ganhando “significativa parcela do terreno” (2015).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title><bold>
 <italic>Crack</italic>! A pulsão de morte parou ou foi a redução de danos?</bold></title>
			<p>O consumo de substâncias psicoativas ao longo da história da humanidade “sempre esteve sob regulação social” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Alves, 2009</xref>, p. 2.310). Mais recentemente, porém, com o isolamento científico das substâncias psicoativas e sua consequente potencialização, bem como a industrialização da droga para uso tanto terapêutico como recreativo, extrapolaram a capacidade daquela regulação, gerando “um conjunto de questões sociais e de saúde a ele associado” (Alves, 2009, p. 2.310), que culminaram em uma “intervenção reguladora do Estado” (p. 2.310).</p>
			<p>Conforme vimos desenvolvendo no texto, mais especificamente no item “O <italic>problema drogas</italic> brevemente historizado”, essa <italic>intervenção</italic> do Estado - e aqui nos referimos à história da política de drogas no Brasil, ainda que esta tenha sido construída em consonância com as políticas internacionais de regulamentação do uso de drogas - foi eminentemente proibicionista. No que tange à formulação de políticas públicas sobre drogas no país, como vimos, os dois grandes atores são: a segurança e a saúde. Os paradigmas sobre os quais cada um deles se sustenta podem incluir um antagonismo, tensões ou ainda uma aproximação. A esse respeito, <xref ref-type="bibr" rid="B63">Teixeira et al. (2017</xref>) são bastante precisos:</p>
			<disp-quote>
				<p>No setor da justiça e da segurança pública dois paradigmas, o do proibicionismo e o do antiproibicionismo, se encontram em disputa. Já no campo da saúde e assistência social, os paradigmas asilar, psicossocial e de redução de danos (RD) sustentam as práticas em saúde mental/álcool e outras drogas. (p. 1.456)</p>
			</disp-quote>
			<p>O proibicionismo, ou a <italic>guerra às drogas</italic>, já amplamente discutido no texto, visa um mundo livre de drogas, tendo, portanto, um compromisso com “a prevenção do consumo e a repressão da produção e da oferta” (<xref ref-type="bibr" rid="B63">Teixeira et al., 2017</xref>, p. 1.456), contrapondo-se ao antiproibicionismo que tem como debate principal a descriminalização e a legalização das drogas, compreendendo que o uso de drogas “não deve ser considerado crime; assim, ao usuário deve ser ofertado tratamento e cuidado e não reclusão em ambiente prisional” (p. 1.456).</p>
			<p>O paradigma asilar, aquele que no campo da saúde e na assistência social mais se alia ao proibicionismo da segurança, enfatiza a dimensão orgânica em detrimento de outras, contrapondo-se assim à atenção psicossocial e redução de danos (<xref ref-type="bibr" rid="B63">Teixeira et al., 2017</xref>, p. 1456), que entende o uso de drogas como <italic>multifatorial</italic> (Brasil, 2003). A abordagem asilar tem como modelo de tratamento a internação e sua instituição típica é o manicômio, a doença é justificativa para o isolamento e para a impossibilidade de o sujeito ser responsável por si, quem dirá por seu tratamento. Proposta absolutamente oposta à da atenção psicossocial que, baseada na reforma psiquiátrica, principalmente naquela proposta por Basaglia, visa a um cuidado territorializado e à integralidade, sendo essa</p>
			<disp-quote>
				<p>considerada tanto em relação ao ambiente, quanto ao ato terapêutico com o indivíduo, no qual seus efeitos não visam à supressão sintomática e a necessária abstinência e sim à redução de riscos e danos. Esse modelo de cuidado centra-se no respeito às diferenças, à defesa da vida e ao direito à liberdade e à dignidade da pessoa. (<xref ref-type="bibr" rid="B63">Teixeira et al., 2017</xref>, p. 1.456)</p>
			</disp-quote>
			<p>Ora, em termos de tratamento oferecido aos usuários de drogas, o proibicionismo e a abordagem asilar preconizam a abstinência como paradigma, sendo necessário esclarecer que</p>
			<disp-quote>
				<p>Por paradigma da abstinência entendemos algo diferente da abstinência enquanto uma direção clínica possível e muitas vezes necessária. Por paradigma da abstinência entendemos uma rede de instituições que define uma governabilidade das políticas de drogas e que se exerce de forma coercitiva na medida em que <italic>faz da abstinência a única direção de tratamento possível, submetendo o campo da saúde ao poder jurídico, psiquiátrico e religioso</italic>. (<xref ref-type="bibr" rid="B52">Passos &amp; Souza, 2011</xref>, p. 157, grifo nosso)</p>
			</disp-quote>
			<p>Apesar da aliança entre esses campos, <xref ref-type="bibr" rid="B52">Passos e Souza (2011</xref>) demonstram que “a relação entre criminologia e psiquiatria não foi harmônica e complementar” (p. 157), de tal forma que “É dentro deste jogo de poder que o usuário de drogas ora se vê perante o poder da criminologia, ora diante do poder da psiquiatria; ora encarcerado na prisão, ora internado no hospício” (p. 157). Isso porque o consumo de drogas encontra-se na política proibicionista atrelado a dois modelos explicativos: “o modelo moral/criminal e o modelo de doença” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Alves, 2009</xref>, p. 2.311). Seja como imoral ou como doente, o destino do consumidor é o encarceramento em instituições totais: <italic>Manicômios, prisões e conventos</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Goffman, 1974</xref>), ou ainda, o que atualmente poderíamos, talvez, considerar um amálgama dessas instituições: as comunidades terapêuticas (CT).</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B41">Goffman (1974</xref>), as instituições têm “tendências de ‘fechamento’” (p. 16), entretanto algumas são mais fechadas do que outras. “Seu ‘fechamento’ ou seu caráter total é simbolizado pela barreira à relação social com o mundo externo e por proibições à saída que muitas vezes estão incluídas no esquema físico” (Goffman, 1974, p. 16). As comunidades terapêuticas para usuários de drogas, como vem sendo apontado em vários relatórios - por exemplo: <xref ref-type="bibr" rid="B22">Comitê de Prevenção à Tortura do Estado do Rio de Janeiro (2013</xref>); <xref ref-type="bibr" rid="B23">Conselho Federal de Psicologia - CFP (2011</xref>); <xref ref-type="bibr" rid="B24">Conselho Regional de Psicologia - CRP-SP (2016</xref>) -, apresentam características das instituições totais descritas por Goffman. Antes de mais nada, porque entendem o uso de drogas como uma questão tanto moral como de doença, acrescentando o fator espiritual, tendo a abstinência como paradigma e o isolamento (internação) como tratamento, que aos moldes dos manicômios, bem como de todas as instituições totais, é exercido por um pequeno grupo de supervisão sobre “um grande grupo controlado, que podemos denominar o grupo dos internados” (Goffman, 1974, p. 18).</p>
			<p>Cabe esclarecer que sob o atual nome comunidades terapêuticas não figuram mais as reformas institucionais que fizeram parte da história da reforma psiquiátrica. As diferentes propostas de reformas psiquiátricas se deram a partir da reflexão social sobre a natureza humana e sua crueldade (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Amarante, 2007</xref>), posto que esta havia exposto sua face mais agressiva nas duas grandes guerras mundiais. Podemos aqui conjeturar que o pós-guerras foi um momento propício a se admitir a <italic>cultura da pulsão de morte</italic>, que nelas se verificara na medida da destruição causada. Ao admitir a pulsão de morte, pôde-se pensar novas formas de fazer frente a ela. Foi assim que “a sociedade dirigiu seus olhares para os hospícios e descobriu que as condições de vida oferecidas aos pacientes psiquiátricos ali internados em nada se diferenciavam daquelas dos campos de concentração . . . assim nasceram as primeiras reformas psiquiátricas” (Amarante, 2007, p. 40).</p>
			<p>Entre as diferentes orientações de reformas psiquiátricas que se deram naquele momento, a de Maxwel Jones melhor sintetiza o que estamos assinalando: em sua proposta, a comunidade terapêutica dizia respeito a “um processo de reformas institucionais que continham em si mesmas uma luta contra a hierarquização ou verticalidade dos papéis sociais, ou, enfim, um processo de horizontalidade e ‘democratização’ das relações, nas palavras do próprio Maxwel Jones” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Amarante, 2007</xref>, p. 43). Não há aí nenhuma identidade entre a proposta de Maxwel Jones e as atuais comunidades terapêuticas para usuários de drogas, “afora a designação” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">De Leon, 2014</xref>, p. 14). Aquela proposta original e inovadora já não tem</p>
			<disp-quote>
				<p>relação com as atuais “fazendas” e “fazendinhas” de tratamento de dependência a álcool e drogas, geralmente de natureza religiosa, que se denominam - de forma oportunista e fraudulenta - “comunidades terapêuticas” para ganharem legitimidade social e científica. (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Amarante, 2007</xref>, p. 43)</p>
			</disp-quote>
			<p>Com efeito, como nos lembram <xref ref-type="bibr" rid="B52">Passos e Souza (2011</xref>), tanto sob o viés da criminologia como da psiquiatria, o princípio do poder do tratamento proposto pelas “comunidades terapêuticas” atuais é disciplinar - do modo como <xref ref-type="bibr" rid="B28">Foucault (1987</xref>) o teoriza -, uma “normalização de condutas desviantes” (Passos &amp; Souza, 2011, p. 157), em que se privilegiam, “como objeto de intervenção, o criminoso, o louco, o delinquente, o ‘drogado’” (p. 157). Sem excluírem a disciplinarização dos corpos (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Foucault, 1990</xref>), as “ditas Comunidades Terapêuticas e Fazendas Terapêuticas trazem outro elemento que não exclui a disciplina, mas a complementa: a moral religiosa” (Passos &amp; Souza, 2011, p. 157).</p>
			<p>É por se verificar que as comunidades terapêuticas compactuam com o modelo criminal/moral e o modelo de doença, modelos que sustentam o proibicionismo, ancorados no paradigma da abstinência, e em nada podendo equivaler à proposta do modelo psicossocial e de redução de danos, que podemos pensar que o incremento ao financiamento dessas comunidades é uma quebra na direção progressista das reformas sanitária e psiquiátrica. Reformas essas que deram origem a uma nova forma de tratamento ao sofrimento humano, entre eles, o advindo do uso abusivo de drogas.</p>
			<p>No site <italic>Infogr</italic>á<italic>ficos - Estadão</italic>, lê-se que</p>
			<disp-quote>
				<p>União e Estado não têm a mesma política. Enquanto a primeira prioriza o tratamento domiciliar, com acompanhamento nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), o segundo aposta na Justiça terapêutica, com internações - involuntárias ou não - em hospitais especializados e comunidades terapêuticas para interromper o consumo de vez. Um descompasso que só prejudica quem tenta vencer o drama da dependência (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Brandt, 2017</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Com efeito, alguns trabalhos já observam o recrudescimento das internações de usuários de drogas, inicialmente por incentivos locais, em particular das comunidades terapêuticas que, como sabemos, têm importante associação com instituições religiosas. Atualmente as comunidades terapêuticas, apesar de muitas vezes autônomas entre si (<xref ref-type="bibr" rid="B26">De Leon, 2014</xref>), surgiram todas de uma orientação comum, “de uma abordagem de autoajuda esotérica e alternativa para uma modalidade de atenção humana” (p. 27), visando proporcionar “limites e expectativas morais e éticas de desenvolvimento pessoal” (p. 30) com a seguinte metodologia: o uso do “reforço positivo, a vergonha, a punição, o sentimento de culpa, o exemplo e o modelo de comportamento” (p. 27).</p>
			<p>Aos poucos, é política também da União internar usuários, como se fazia antes da Constituinte e, de acordo com o atual ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, “Os Caps não têm resultado prático… no dia seguinte, eles estão usando droga de novo, porque nos Caps dizem: ‘não tem problema, só não fume na latinha, use cachimbo de vidro, use seringa descartável’” (<xref ref-type="bibr" rid="B47">Mariz, 2017</xref>, não paginado). Ridicularizado todo o trabalho dos CAPSad, o atual ministro milita na direção da criminalização do usuário e do pequeno traficante, já que, segundo ele, “tem que ter algum tipo de punição, senão [o usuário] vai consumir mais” (<xref ref-type="bibr" rid="B49">Melo, 2016</xref>, não paginado). Ministro e médico, é “autor do projeto de lei que prevê aumento da pena para tráfico e internação compulsória de usuários”, tendo sua primeira intervenção após nomeação diretamente afetado o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad). “Com o argumento de que o órgão estaria dominado por um pensamento ideológico pró-legalização” (Melo, 2016, não paginado), substituiu o representante da pasta no Conselho, Rodrigo Delgado, e exonerou o sociólogo do cargo de coordenador-geral na Secretaria Nacional de Assistência Social do MDS. Age como se fosse possível erradicar, por decreto, a pulsão de morte, pois, revendo as capacitações de “profissionais de saúde, justiça, assistência social, líderes comunitários e outros agentes envolvidos no tema das drogas” (Mariz, 2017, não paginado), o ministro julga que as atuais “não incentivam o tratamento e a abstinência, e só se concentram na política de redução de danos”, e se o que se prega não é a abstinência, então, para Terra, “é um dinheiro jogado fora” (Mariz, 2017, não paginado). O que espanta sobremaneira nessa observação é que ela é dita por um médico . . . O que testemunha um enorme abismo que se instalou nesse campo: de um lado, os militantes do higienismo - dos quais o ministro é evidentemente partidário -, do outro, o cotidiano dos trabalhadores da saúde, em particular a mental, buscando sustentar a RD. Para os primeiros, o cidadão é um objeto de biotecnologias, ignorante de si mesmo, a ser submetido às disciplinas - no sentido foucaultiano do termo -, avesso do sujeito da psicanálise. Para os segundos, a psicanálise pode vir a seus alcances, ali onde muitas vezes falta uma sustentação teórica de uma prática que se sabe inserida no mal-estar da cultura. Mas fica uma pergunta que não quer calar: se pôr dinheiro nos CAPS é jogar dinheiro fora, para onde deveria ir o financiamento público? Para as novas comunidades terapêuticas? Os novos manicômios?</p>
			<p>De posse do conceito de pulsão de morte introduzido por Freud e de sua retomada por Lacan, principalmente a partir do campo do gozo, a psicanálise pode ajudar a sustentar um posicionamento ético que permita trabalhar com o sujeito do gozo que é cada cidadão. Mesmo sem estar embasada nos conceitos psicanalíticos, a RD, do modo como era praticada antes de sua associação com essa nova política higienista, sustentava as pulsões de vida, pois previa como tratamento o reatamento dos laços, possibilitando novos investimentos a partir do que é possível para cada um. Apesar de trabalhar com prevenção, reabilitação etc., na clínica cotidiana ela se dava no um a um, no possível de cada caso. Estaríamos hoje assistindo a seu contrário? Em que um Ministro visa subjugar um cidadão, assujeitá-lo, fazer daquele que não corresponde ao que dele se espera nos discursos de dominação, objeto de segregação? Isso não seria, no mínimo, tão letal quanto considera a droga? Ou será que ele crê possível também acabar com a pulsão de morte por decreto?</p>
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			<title>Referências</title>
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						<collab>Agência de Notícias dos Direitos da Infância</collab>
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					<conf-loc>Santa Maria, RS</conf-loc>
					<conf-sponsor>Sepe-Unifra</conf-sponsor>
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				<mixed-citation>Santiago, J. (2001). A droga do toxicômano: uma parceria cínica na era da ciência. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Silva, C (2014). Da punição ao tratamento: rupturas e continuidades na abordagem do uso de drogas. In: Mais substâncias para o trabalho em saúde com usuários de drogas. In T. Ramminger &amp; M. Silva (Orgs.) Porto Alegre, RS: Rede Unida. p. 51-68.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Teixeira, M., Ramôa, M., Engstrom, E., &amp; Ribeiro, J. (2017). Tensões paradigmáticas nas políticas públicas sobre drogas: análise da legislação brasileira no período de 2000 a 2016. Ciência &amp; Saúde Coletiva, 22(5), 1455-1466. doi: 10.1590/1413-81232017225.32772016</mixed-citation>
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			<ref id="B64">
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		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B50">Mesquita (1994</xref>), já em 1989 teria havido, no Brasil, uma tentativa de implementação de um programa assim na cidade de Santos, mas era contrária à legislação vigente e, portanto, foi reprimida pelas autoridades brasileiras.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Quebrada na gíria significa lugar sinistro, com pouca segurança, mas também um lugar alternativo.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B12">Bertoni e Bastos (2014</xref>) “não podemos afirmar se há ou não no país uma epidemia do uso de crack e/ou similares, uma vez que uma epidemia só pode ser caracterizada tecnicamente a partir de resultados obtidos de uma série histórica de registros de estimativas/contagens do fenômeno sob análise” (p. 145).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>As internações compulsórias são previstas na Lei nº 10.216, de 2001. De acordo com esta, esse tipo de internação se dá por determinação da justiça. O Art. 4º dessa mesma lei afirma que: “A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes” (Brasil, 2001, não paginado). Vários episódios de intervenção do Estado em cracolândias suscitaram a discussão sobre a internação compulsória, tendo em vista a notória insuficiência – ou mesmo frequente ausência na aplicação – de <italic>recursos extra-hospitalares</italic>. Identificamos a operação policial ocorrida em 21 de maio de 2017, na cracolândia da Estação da Luz em São Paulo, como marco do recrudecimento das internações forçadas. O sucedido foi amplamente noticiado nos meios de comunicação, gerando uma grande discussão a respeito das internações compulsórias propostas, não só em meios acadêmicos ou sustentada pelos profissionais de saúde, mas no bojo da sociedade como um todo.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Segundo pesquisa Datafolha, “60% dos moradores de SP aprovam ação na Cracolândia” ainda que 80% sejam “a favor da internação à força para tratamento de usuários” (Brandt, 2017).</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Com o grifo e a letra maiúscula, procuramos frisar <italic>A Causa</italic> aqui tomada como única, uma causa plena, total.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
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			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title><italic>Crack</italic>! Harm reduction has stopped, or was the death drive?</article-title>
			</title-group>
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				<contrib contrib-type="author">
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						<surname>Bastos</surname>
						<given-names>Adriana Dias de Assumpção</given-names>
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					<xref ref-type="corresp" rid="c2">*</xref>
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						<surname>Alberti</surname>
						<given-names>Sonia</given-names>
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					<label>a</label>
					<institution content-type="original">Rio de Janeiro State University, Rio de Janeiro, RJ, Brazil</institution>
				</aff>
			<author-notes>
				<corresp id="c2">
					<label>*</label> Corresponding address: <email>adrianadab@gmail.com</email>
				</corresp>
			</author-notes>
			<abstract>
				<title>Abstract</title>
				<p>What does psychoanalysis have to say about so many issues involving drugs, which far outpass the question of their use? Historical, clinical and political issues, as we could say. The purpose of this text is to discuss vicissitudes that pervade them. We do not only approach the “drug problem,” but also think about how the presence of psychoanalysis can deal with certain discourses that can be found in this field and which are far from questioning the subject. Working with psychoanalysis is to take the death drive into account. It is to use a knowledge that allows us a treatment orientation that considers what is deadly in the use of drugs in drug addiction, highlighting the position of jouissance of the subject. It is, moreover, to question what is deadly in certain political directions that transform the subject into an object.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Psychoanalysis</kwd>
				<kwd>harm reduction</kwd>
				<kwd>public policies</kwd>
				<kwd>drug addiction</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<sec sec-type="intro">
				<title>Introduction </title>
				<p>For psychoanalysts, or for subjects that face the hopeless “civilization and its discontents” (Freud, 1930/2004) - whether poets, scientists, teachers, politicians, or an ordinary person -, there is no way to revoke the death drive, for the simple fact that every drive is, fundamentally, of death (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Lacan, 1998</xref>), and since the speaker is a drive - and not instinctive - being, the death drive is in the basis of culture, of subjects, of every practice we undertake and, in a way, according to Freud, without us being aware of it (Freud, 1920/2004; Pernot, n.d.). Facing such fact is difficult, because it promotes anxiety, it destabilizes certainty, it requires a dialectic process and, especially, when dealing with other speakers, our fellows, it imposes working aware that setbacks are always possible, as well as there will always be dissociation, plainness, deconstruction, and why not, dismantlement. To associate, intricate, and construct will be, hence, investments of additional efforts, to which we will always be better prepared the greater our recognition of the existence of the death drive, precisely.</p>
				<p>In 1914, Freud (1914/2006) finds himself summoned to make a change in his original drive theory because he faced, in the clinic, both the fact that the I is also a drive object - which, so far, was not contemplated - and the fact that repetition is the main way to seek drive's satisfaction: “The compulsion to repeat replaces [. . .] the drive to remember” (Freud, 1914/2005, p. 153, author’s translation). [free translation] Such modification opened the way for the great reformulation, in 1920, once again driven by clinical facts that, then, indicated there was a <italic>Beyond the pleasure principle</italic> (Freud, 1920/2004), experiences which were translated as a compulsion to repeat. Death drive would be what underpins this compulsion, it “works quietly within the living being” (Freud, 1930/2004, p. 115, author’s translation) [free translation], unlike life drives, which are “flashy and noisy” (p. 115) that, connecting things among each other, produce culture, enchant us through art, make us research and even love. But they are secondary, since originally, as aforementioned, we cannot go against the death drive, as for, in his words, “<italic>the goal of all life is death”</italic> (Freud, 1920/2004, p. 38, author’s translation, emphasis added) [free translated].</p>
				<p>When Lacan resumed Freud, he was one of the few psychoanalysts who, at the time, considered the concept of death drive as fundamental to psychoanalysis. Based on it since his early writings and seminars, and in the last stage of his teaching, he associated this freudian concept witht he notion of jouissance, which also implied a <italic>Beyond the pleasure principle</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Alberti, 2007</xref>), an <italic>impossible</italic>. Both Freud and Lacan support the theory of this drive dualism, in which death drive is not the villain that should be extirpated, but part of speaking being. Death drive and life drives work together when considering the subject the way psychoanalysis proposes. It is precisely when they are not working together that, according to Freud (1923/2004), we witness a defusion, plainness of drives (1923/2004, p. 253). In this context, often, emerges the hate, the “pure culture of death drive” (Freud, 1923/2006, p. 54, author’s translation) [free translated], as well as what the clinic of drug addiction reveals, in which this pure culture can daze the subject in their relationship with drugs.</p>
				<p>It is the ethical duty of psychoanalysts, in their clinics, as well as in their political exercise - when working, in their specific practice - to understand the manifestations of the death drive, take them into account, in order to offer the possibility of locating them and finding instruments to deal with this impossible according to their own choice, but aiming at its association with life drives.</p>
				<p>As well as psychoanalysts, public policies also have the ethical duty to recognize the presence of an impossible, in order to provide guidelines for the society which enable establishing the guidelines of its institutions. To recognize it is not to deny the death drive. Of course we do not expect public policies to define the death drive as psychoanalysis does, but it is essential that such policies consider the ethical principle of a dualism absolutely distinct from any Manichaeism. This dualism does not exclude one side to harm the other, that is, it considers the fact that there is Good in every Evil and Evil in every Good, depending on the angle at which you look. An example of this dualism absolutely distinct from any Manichaeism is precisely the harm reduction policy which, while acknowledging the damage caused by the use of drugs, understands that not every use is harmful. According to this vision, a world without drugs does not match the bed of roses against the world with drugs. It takes into account the fact that drugs are part of the world, that there is no harm in themselves, they are not a demon who tempts human beings, but there may be a use that is harmful. This policy aims not to eradicate evil - that is, the drug -, but to diminish the damage of a use when such is harmful to the subject. We raised the hypothesis that any Manichean orientation in public policies, in particular those that support prohibitionism on the use of drugs, would emerge from the ignorance of the death drive.</p>
				<p>As <xref ref-type="bibr" rid="B63">Teixeira, Ramôa, Engstrom and Ribeiro (2017</xref>) state, prohibitionism is similar to a war on drugs, and in a war there never has been and never will be any concern with the uniqueness of each, whereas a harm reduction policy (HR) “has as its principle the respect to the autonomy of the subjects,” configuring as “an alternative to the moral/criminal models and those of disease” (p. 1,457). This hypothesis is based, specially, on the fact that “the HR model is understood as a guiding strategy of care, an ethical, clinical, and political paradigm” (p. 1,457). Teixeira et al. (2017) propose that “HR . . . dismisses the idea of harmful use of drugs, states that the same may or may not be harmful” (p. 1,457), which we understand that it should aim the wellbeing of each human subjected to this policy for citizenship reasons, which certainly also distinguishes this vision from that sustaining the ethics of psychoanalysts, which, strictly, is not concerned with the citizens and, even less, with a common good, to the extent that psychoanalysts are aware of the fact that what is good for society is not necessarily good for each individual.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>A brief history of the drug problem </title>
				<p>It is worth mentioning that psychoactive substances (<xref ref-type="bibr" rid="B46">MacRae, 2010</xref>) are used by society overall. For <xref ref-type="bibr" rid="B5">Albuquerque (2010</xref>), “’drugs’ are discourses presented, in several ways, in the course of history” (p. 14). This author is based on the Focaultian notion of discourse, i.e., “on one hand, this regular set of linguistic facts, and controversial and strategic on the other” (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Foucault, 2002</xref>, p. 9) [free translation], which implies a correlation of forces between the several agents in the culture, as in “games, strategic games, those of action and reaction, question and answer, domination and elusive games, as well as fighting ones” (p. 9). That is because the legality or illegality of drugs is established much more due to international or national interests than its intrinsic psychoactive qualities. If in the guidelines of the Brazilian Ministry of Health (2003) alcohol is highlighted from the other drugs in the very title of the law, this is not due to the legality/illegality status, but to the fact that alcohol and tobacco were, and still are, considered psychoactive substances that most cause harms to health, and therefore are more costly to the State. In this sense, we can perceive the importance that crack assumes in the Brazilian scenario when it is named alongside alcohol, in 2011, in the text of the Psychosocial Support Center (from Portuguese, <italic>Rede de Atenção Psicossocial</italic> - RAPS), that “assign the RAPS for people with suffering or mental disorder and needs arising from the use of crack, alcohol, and other drugs, within the Brazilian Unified Health System (SUS)” (Brasil, 2011b).</p>
				<p>As noted by <xref ref-type="bibr" rid="B31">Freitas (2014</xref>), “As sure as the history of mankind, there is the fact that the human being has always made use of substances that change their mood, whether is alcohol, opium etc.” (no page numbers), and already in the Colonial Brazil there was a concern with the criminality of the use and sale of drugs, as we can read in the <italic>Ordenações Filipinas</italic> of 1603 (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Pedrinha, 2008</xref>). But it was in the 20th century that the first laws of the country concerning the drug problem were established (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Alves, 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Fonseca &amp; Bastos, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B45">Machado &amp; Boarini, 2013</xref>).</p>
				<p>In fact, at the beginning of the 20th century, we saw the drug enforcement policy being formed, which became known as prohibitionism, responsible for international anti-drug treaties, and this was guideline hegemonic also in Brazil for most of the 20th century. It was the questioning about the damage arising from prohibitionism itself, as well as the political, economic, and health configurations of the last two decades of the 20th century, that enabled the HR discourse as a possible way for dealing with the drug problem in Brazil.</p>
				<p>According to Ribeiro and Araujo (2006, cited by <xref ref-type="bibr" rid="B6">Alves, 2009</xref>, p. 2,310), prohibitionism dates to the exponential growth of industrialization of alcoholic beverages at the beginning of the 19th century, in the United States of America, being propagated in such a way that it was founded, in 1869, the Prohibition Party. The American prohibition law, which established alcohol as an illegal drug in the USA, was effective from 1920 to 1932. This whole movement opposed to the wide dissemination of the “production, marketing, and consumption of substances nowadays classified as drugs, such as cocaine and opium and its derivatives” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Fonseca &amp; Bastos, 2012</xref>, p. 17) in the 19th century, in the world, and which produced, between 1834-1843 and 1856-1858, the famous <italic>Opium War</italic> between China, which profited from this trade, and England, which had other interests. Loser, China signed the Treaty of Nanjing, according to which there was “an attempt to regulate the production, marketing, and consumption of opium” (Fonseca &amp; Bastos, 2012, p. 18), model for other international treaties to regulate substances that arose later.</p>
				<p>The <italic>Opium War</italic> gave strength to the subsequent <italic>War on drugs</italic>. The USA joined England and, although they needed some time to reach an agreement that would consider the economic interests of the two powers, both countries were interested in a hegemonic discourse about the regulation of the psychoactive substances and which developed the prohibition movements. From all this, resulted the International Opium Convention, held in the Hague, in 1912, and its full ratification, in 1919, which left out of prohibitionism only the medical use of morphine (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Fonseca &amp; Bastos, 2012</xref>). Then, the “current system of control of different drugs” was born (Fonseca &amp; Bastos, 2012, p. 19), which later generated a series of International Treaties, ratified by 160 Nations, aiming at the elimination of consumption and proposing that the only effective treatment for those who use drugs is total abstinence.</p>
				<p>In the Brazilian context, we perceive an oscillation between policies that sometimes associated, sometimes discriminated the dealer, that is, respectively, an oscillation considering the <italic>drug problem</italic> as a concern pertaining solely to criminology, or both criminology and health. According to <xref ref-type="bibr" rid="B11">Batista (1997</xref>), the Decree no. 14,969, of 1921, stipulated the creation of sanatoriums for drug addicts and, while they were not created, users should be interdicted in the <italic>Colônia de Alienados</italic> - a kind of medical-political system (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Pedrinha, 2008</xref>) that imposed the interdiction at the same time it proposed a treatment, and “although drug users were not considered criminals, the treatment of the same is not a bed of roses” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Freitas, 2014</xref>, no page numbers).</p>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B45">Machado and Boarini (2013</xref>), Decree no. 891, of 1938, regulated the use of narcotics, which comprised not only opium and cocaine, but also marijuana and heroin, in addition to classifying “drug addiction as a ‘compulsory notification disease’” (p. 583). As a result, it imposed the “<italic>compulsory or optional</italic> hospitalization for a given time or not” of “drug addicts because of narcotics” (Machado and Boarini, 2013, p. 583, emphasis added). This decree was incorporated into the criminal code in 1941, because, according to Garcia, Leal and Abreu (2008 apud Machado &amp; Boarini, 2013), this decree “corresponded to the aspirations of the Getúlio Vargas’ Government to contain deviant behaviors, focusing on the worker” (p. 583). It should be noted that, despite presenting the possibility of hospitalization, Decree no. 891 did not impose it summarily. That is because it was subjected to the Criminal Code that were effective until 1976, according to which “drug use was not considered a crime, which demonstrated the characteristic of health prevention of drug addiction” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Freitas, 2014</xref>, no page numbers).</p>
				<p>However, after the institutionalization of the last Brazilian Military Regime, Decree no. 54,216, of 1964, established a Single Convention on Narcotic Drugs, identifying drug dealers and users (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Carvalho, 1996</xref>) and, in 1971, equating their sentences. It was only in 1976, with Law no. 6,368, that “criminal traffic members and users, especially with regard to the duration of the sentences” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Freitas, 2014</xref>, no page numbers) returned to be distinguished. If on one hand, according to <xref ref-type="bibr" rid="B45">Machado and Boarini (2013</xref>), in 1976 the law revoked “the compulsory character of hospital treatments” (p. 583), on the other hand, it produced a thrust towards medicalization of drug addiction, attributing legitimacy for the medical knowledge to be aware of the safety industry, separating criminals from sick people.</p>
				<p>Still, the policy, regarding the drug problem in Brazil, tended to be univocal, underpinned by ideologies of moral nature, being isolation and, therefore, hospitalization, the current practice at the time (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon, 2012</xref>). But the criticism about lunatic asylums had become increasingly fierce in those years and, with the promulgation of the new Constitution of 1988, which, among others, established the Brazilian Unified Health System (SUS), it was possible to introduce, in 2003, a new guideline, in terms of public health, for the field of care directed to users of alcohol and other drugs, field which is attached to mental health and consequently to the National Health Policy - thus separating the medical sector from the public safety.</p>
				<p>With SUS, the new Constitution introduced, first of all, a concern with the health of the population and in fairly progressive way:</p>
				<disp-quote>
					<p>(Art. 196.) Health is everyone’s right and duty of the State, guaranteed by social and economic policies <italic>aimed at reducing the risk of disease and other complications</italic> and universal and equal access to the actions and services for its promotion, protection, and recovery (Brasil, 1988 , p. 116, emphasis added).</p>
				</disp-quote>
				<p>Effecting this egalitarian and democratic approach - why not coercive, on the other hand -, in 2003 a policy that has taken over the idea of HR was created and implemented, and such had already been experienced before. The first time was in 1926, when, in England, there was a proposal for a legal prescription of opium for the treatment of drug users (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon, 2012</xref>). The second time, in the Netherlands, in the 1970s, it aimed to “keep way the frequent users of <italic>Cannabis</italic> from the risks offered by the black market [. . .] and only secondarily as an additional tactic, included the medical point of view of the reduction of physical and psychological harms” (Alarcon, 2012, p. 57). Our Constitution guides, in its Article 198, that “Public health actions and services integrate a regionalized and hierarchical network and constitute a single system” (Brasil, 1988, p. 117). Considering this constitutional orientation, Health and Psychiatric Reforms, as well as the <italic>Atenção Integral a Usuários de</italic> Álcool <italic>e outras Drogas</italic> [Integral Care to Users of Alcohol and Other Drugs] policy, have implemented new strategies enabling greater effectiveness in relation to social inclusion and contrary to the imposition of <italic>abstinence</italic> for everyone through moral treatment and hospitalization, in force until then.</p>
				<p>In addition, since the end of the 20th century, the fight against the before unimaginable Aids monster has begun, a monster which increasingly took lives due to lack of proper treatment, especially of injecting drugs users (IDU) - who, therefore, were the target of the first HR actions in Brazil. <xref ref-type="bibr" rid="B9">Andrade (2011</xref>) notes that “In several parts of the world, public health policies were beginning to turn to people who used drugs, because of the threat of the HIV/aids epidemic of getting out of control from this population” (p. 4,665). Reducing the harms implied, internationally, a new approach in public policies: to not explicitly prohibit the use of drugs - which had no effect -, but first, to guide the user population for them to survive! Taking care of this population, to the extent several countries have legalized the use, distributed disposable syringes<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>, created care centers to users where they could seek guidance for a less-lethal drug consumption.</p>
				<p>Thus, it emerged a political guidance that did not deny the impossibility of the extinction of drug use, use which Freud (1930/2004) has already observed as one of the only three possibilities that subjects have before the civilization and its discontents in the culture, but, on the contrary, taking this impossibility into account, he sought to make it dialectical, as we aim with our hypothesis: it is only considering the death drive that, with some additional effort, we can make each subject associate, intricate, desire [. . .] against the pure culture of death drive.</p>
				<p>To advance in this sense, the creation of SUS demanded separating the health care sector from safety, regarding the drug problem. The Presidential Decree no. 4,345, from August 26, 2002 (Brasil, 2002), instituted the first National Anti-drug Policy (from Portuguese, <italic>Política Nacional Antidrogas</italic> - PNAD) that, on one hand, emerged from the international drug trafficking repression, sustained in the prohibition policy to which Brazil is allied, being, as almost all countries worldwide, signatory to the Single Convention on Narcotic Drugs of 1961 (United Nations Office on Drugs and Crime, n.d.). But, on the other hand, in line with Law no. 10,216/2001, which “regulates the protection and rights of people with mental disorders and redirects the care model in mental health,” the Brazilian Ministry of Health redirected the field of practices for users of alcohol and other drugs towards a <italic>policy of the Brazilian Ministry of Health for integral care to users of alcohol and other drugs</italic> (Brasil, 2003). This is the second policy that opens the door to the practice of HR policy in clinics, in particular, of mental health (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Andrade, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B57">Ramminger, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B62">Silva, 2014</xref>).</p>
				<p>According to the aforementioned authors, the field of public policies regarding mental health, alcohol and other drugs had several advances, but also setbacks, and both have directly influenced the type of treatment effectively provided since 2003. Sometimes we were able to move towards the progressive direction that gave rise to the constitutional text, sometimes we observed setbacks implying what was not done regarding such improvements. We emphasize it because it was in the decriminalization movement that we saw, in the first years of the 21st century, the insertion of psychoanalysis in the care services to drug users. It was not the only improvement, there were others equally important, but we work with it and it is due to this work that we positioned ourselves concerning the current situation. If half a century after Getúlio Vargas a lot has changed in Brazil, with a quite progressive vision, in the second decade of the 21st century, when again we are witnesses of mandatory hospitalization, or rather, compulsory, we ask: to which aspirations does this retrocession from almost a century ago correspond?</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Crack</title>
				<p>Although created by Oswald de Andrade (1924/1971) to make a reference to the signs of the Stock Market Crash in 1929, <italic>Crackar</italic> (something like “to crack”, considering “crack” as the drug), verb created by him and title of one of his poems, here we make use of such verb to associate public policy through the drug use - often reduced to crack in the discourses - to the crash of the guideline previously identified as progressive, to which we are faced today in the country. “To crack” the fire in the stone makes it crack, the sound we hear and which names the drug. When “cracking” the drug, the fire in the pipe often leads those who light it up to penetrate through several <italic>quebradas</italic><xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref> (rough areas), sometimes breaking their social bonds and, sometimes, even their own lives. But there are also other rough areas, other alternatives, not every crack use leads to death. Discourses about crack, these, in fact, have been causing segregation and hatred. Crack has been even a rupture point in public policies, since, for the social imaginary, once you have used, you are addicted for good.</p>
				<p>Here we resume our initial hypothesis: it is necessary to consider the death drive, because maybe it is not the crack that <italic>cracks</italic> the subjects, but they use it to satisfy their compulsion to repetition. If we disregard this choice of the subjects, even if it can be deadly - drive satisfaction that responds to the jouissance of each -, the treatment provided goes into another type of repetition: hospitalization - abstinence - relapse - hospitalization. The political positioning based on the moral or organic positioning (disease) implies an idea: If you are a drug user, you are a criminal or you are sick, taking the other as an object, with “moral and spiritual ‘failure,’ described in psychological or existential terms” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">De Leon, 2014</xref>, p. 41). [free translation] When taking the drug user as an object, the citizen is disregarded and, even more, the subject of the unconscious and their choices.</p>
				<p>The use of drugs, regarding both the treatment and legal implications, in addition to its more violent aspect, namely, the <italic>War on drugs</italic>, in which are included the issues related to drug trafficking, is the issue part of our everyday lives. We verify there is a tendency, in terms of the media, if we may say, to associate acts of violence with drug use (Agência de Notícias dos Direitos da Infância, 2005; Rommanini &amp; Roso, 2012; Roso et al., 2010; <xref ref-type="bibr" rid="B62">Silva, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B64">Tomm &amp; Roso, 2013</xref>). And we know how the discourse spread in the media produces effects, sometimes, almost instantaneous! Those who work in Psychosocial Support Centers for Use of Alcohol and other Drugs (from Portuguese, <italic>Centros de Atenção Psicossocial álcool e outros drogas</italic> - CAPSad) - but we believe that this is also applied to other services - are faced, generally on Mondays, with a great demand for hospitalization whenever, on Sunday nights, there are TV programs about the so-called drug addicts. Well, when we assume that the <italic>War on drugs</italic> ignores the death drive, and then the culture of death drive predominates, we aim at the fact that, as in any war, the other is reduced to an object that can be tortured, isolated, imprisoned . . .</p>
				<disp-quote>
					<p>Prohibition on drugs and its maintenance through the militarization of the repressive process feed the profits of criminal organizations that finance and distribute the drugs wholesale and diversify its activities, including trafficking of guns, human beings, animal and plant species, precious objects etc. (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon, Belmonte, &amp; Jorge, 2012</xref>, p. 77) </p>
				</disp-quote>
				<p>Our experience has shown that, in most cases, demands for hospitalization arise from a direct link between violence and drug use, criminalizing and classifying the user, producing and/or strengthening “subjectivities and ways of living” (<xref ref-type="bibr" rid="B60">Roso et al., 2010</xref>, p. 1), without considering the diversity of factors involved both in the issue of violence and in the use of drugs (<xref ref-type="bibr" rid="B51">Minayo &amp; Deslandes, 1998</xref>), ignoring the warning of the Brazilian Ministry of Health policy, in 2003, against the <italic>Main factors that reinforce the social exclusion of drug users:</italic></p>
				<p>1. <italic>Association of use of alcohol and other drugs with delinquency, without minimum evaluation criteria</italic>; 2. The stigma assigned to users, promoting their social segregation; 3. Inclusion of trafficking as a work and income generation alternative for the most impoverished populations, in particular the use of young work force in this market; 4. Unlawfulness of the use prevents the social participation in an organized manner of these users; 5. The legal and equal treatment to all members of the “organizational chain of the drug world” is uneven in terms of penalties and intervention alternatives. (Brasil, 2003, p. 25, emphasis added)</p>
				<p>In the seminar <italic>Seminário mídia e drogas - O perfil do uso e do usuário na imprensa brasileira em 2004</italic> [Media and drugs - profile of the use and the user on Brazilian press in 2004], researchers found that the media closely relates drugs “to urban violence, leading the issue to reach huge proportions, with similar reactions, translated into more and more repressive actions” (Agência de Notícias dos Direitos da Infância, 2005, p. 6). The notion of a <italic>crack epidemic</italic><xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref> - that we are highlighting, to the extent it claims to be “an ‘epidemic,’ although lacking epidemiological data that could corroborate such statement” (<xref ref-type="bibr" rid="B62">Silva, 2014</xref>, p. 59) - disseminated by the media (<xref ref-type="bibr" rid="B60">Roso et al., 2010</xref>, p. 5) moves away from the progressive direction that health and psychiatric reforms have been implementing regarding the <italic>drug problem</italic>. In fact, this syntagma was initially used by <xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon (2012</xref>), aiming both to designate “the harms that they can cause to the human body due to possible misuse,” and “the harms produced by all the consequences inherent in anti-drug policies, their culture of violence, which continues, paradoxically, on behalf of the health of the population” (p. 46). The crack epidemic serves as the motto for both the media fuss (<xref ref-type="bibr" rid="B57">Ramminger, 2014</xref>; Silva, 2014), which takes it as that as that which causes violence, making “society lacks the means to provide a realistic and thoughtful look about it, to avoid falling into the most common stereotypes of the romanticized visions or associated solely with violence” (Roso et al., 2010, p. 7), and a retrogression in policies directed to the field of alcohol and drugs. This is the case of compulsory hospitalizations that, since May 2017, became news once again.<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref> It is worth mentioning that actions like these, whose justification is given by the <italic>crack epidemic</italic> syntagma, discursively disseminated - by advertisements - and supported by the media, manipulate the public opinion toward an immediate association of the crack use and drugs overall with violence.</p>
				<disp-quote>
					<p>It is assumed that the media might be collaborating with the maintenance of “distorted” visions on the topic, when establishing a causal relationship between violence and crack use, being restricted, in most articles, to present “facts”, and no further discussion about the causes and consequences of the phenomenon. (<xref ref-type="bibr" rid="B60">Roso et al., 2010</xref>, p. 7)</p>
				</disp-quote>
				<p>It is noteworthy that this way of addressing the question turns out to generate panic in the population, with the consequent promotion of increasingly segregationists, which is finally translated into the expressive approval of compulsory hospitalization for most part of the population.</p>
				<p>The police operation in <italic>cracolândia</italic>, in São Paulo (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Gonçalves, 2017</xref>), on one hand, violates the Law no. 10,216, of 2001, which states in Article 4 that “Hospitalization, of any kind, will only be recommended when non-hospital treatment resources may be insufficient” (Brasil, 2001, no page numbers). On the other hand, it shows us how the advertisement that those people are unable to respond for themselves - since it is the crack that speaks for them - focuses on the population,<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref> who believes compulsory hospitalization is the only way out for those <italic>possessed by crack</italic>. It is as if the use of crack invalidated, at once, the subject, both in the psychoanalytical sense of the term (subject of the unconscious) when becoming the object of use, possessed by crack; and regarding the subject of the law who, unlike the others, must not walk on the streets.</p>
				<p>However, “a systematic review of the effectiveness of compulsory treatments for drug use concluded there was no evidence of improvement in compulsory treatments,” identifying, “on the other hand, studies that suggest the risk of increasing the harms” (United Nations Office on Drugs and Crime, 2017).</p>
				<p>The mental health policy is based on inclusion, but what we heard in the city, when it comes to the use of drugs, especially crack, is the demand for segregation, and worse, often supported by the discourse of policies which, in its turn, are supported by religious/biological discourses. The vulnerability of these people is not being discussed, in addition to violence, disease, etc., but the way of public intervention to which they are the target. And, moreover, based on psychoanalytic reference, we point to the fact there is no possible treatment for drug addiction without considering, in addition to the subject of law, of the citizen, the subject of jouissance.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>The harm reduction policy and psychoanalysis</title>
				<p>Several authors (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Conte, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B48">Melman, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B55">Queiroz, 2001</xref>) have studied the importance of HR policy for the advancement of psychoanalysis in the field of mental health in the first decade after 2003. According to <xref ref-type="bibr" rid="B58">Ribeiro (2010</xref>, no page numbers), “harm reduction implies a set of interventions that aim to prevent the negative consequences of drug use, without requiring abstinence,” in such a way that many authors have estimated that such policy has contributed for a dialogue with psychoanalysis. That is because both the HR and psychoanalysis policies “fight the subjective dismissal involved in detoxification models” (Ribeiro, 2010, no page numbers). Each one, with their characteristics, are opposed to the exclusion of the subject alive and capable of making choices, proposed by the guidance that only aims at abstinence, and each acts against the forclusion of the subject that the biological discourse imposes.</p>
				<p>However, there are some particularities. According to <xref ref-type="bibr" rid="B10">Araujo and Costa (2012</xref>), “public policies prioritize harm reduction and the user ends up being seen as sick or marginal,” because “the Brazilian policy is focused on drugs and not on the subjects, highlighting the stigma to the drug user” (p. 1) whereas, for psychoanalysis, what needs to be highlighted is that the subject - the user -, makes the drug a way to experience “the malaise, the excess of contemporary culture, realizing that we must hear what the drug addict has to say without stigmatizing them” (Araujo &amp; Costa, 2012, p. 1). Subjects are, for psychoanalysis, concerning what is most genuine in them, subjects capable of responding from their jouissance position. How to psychoanalytically treat subjects if what is most genuine for them should, a priori, be left out?</p>
				<p>As for the criticism that Araujo and Costa do about HR, we must point out that although they are based on the guidelines of the Brazilian Ministry of Health (Brasil, 2003), also used by mental health, the focus of their analysis is on the National Policy on Drugs (from Portuguese, <italic>Política Nacional Sobre Drogas</italic> - PNAD) modified, from 2006, when HR was incorporated, then <italic>relating it to prohibitionism</italic>. Therefore, it seems to us that the text promotes certain confusion when calling PNAD a HR policy, because it is not. PNAD distorts, in the text of its law, the HR term originated in the health field, adapting it to its own principles, which, in fact, Araujo and Costa (2012) observe when they say “public policies for the harmful use of alcohol and other drugs refer to the issue of mandatory abstinence, harm reduction, and prohibitionism” (p. 16). The association of HR with prohibitionist policies creates a chasm, in fact, because it does not consider neither the subject of law, let alone that of the unconscious. But that is not what the law of the Brazilian Ministry of Health intended, therefore, it did not generate - according to the authors - the production of stereotypes or stigmas. On the contrary, the stigma is one of the most emphasized issues concerning drug users, being regarded as producer of aggravations. The original HR policy is not contrary to the psychoanalysis’, but its association with prohibitionism is.</p>
				<p>For <xref ref-type="bibr" rid="B61">Santiago (2001</xref>) - his reference is Lacanian, and not Foucaultian, with which <xref ref-type="bibr" rid="B5">Albuquerque (2010</xref>) works - drug addiction is a discourse effect. Here, the notion of discourse implies the production of jouissance, i.e., how individuals relate to one another in a given culture promoting the jouissance of each other, within the different positions that such promotion occurs from the agency that an individual imposes to the another. Psychoanalysis, in any way, disregards the culture and the discourses forged in it, nor the fact that the stigma produces segregation; it remembers the fact that between the subject and the Other there is <italic>a</italic> more, <italic>a</italic> more, <italic>a</italic> more. . <italic>.</italic>which is repeated in the act of using drugs. If for some psychoanalysts that means, in practice, that “this subject of whom psychoanalysis talks about is often eclipsed by the citizen of rights established by the political-social approach of psychic distress” (<xref ref-type="bibr" rid="B58">Ribeiro, 2010</xref>, n. p.), eclipsed, above all, within a practice that does not take into account the case-by-case basis, we cannot fail to consider the possible opening of the HR to the psychoanalytic clinic in politics.</p>
				<p>Actually, there is a concern in the text of the Law of 2003 about the case-by-case basis, despite being a universal law, considering it is for everyone. Otherwise, let us observe. The Law is clear when it comes to characterize the use of drugs as <italic>multifactorial</italic> and <italic>heterogeneous</italic>, stressing the need to consider diversities, since it states: “when it comes to taking care of human lives, we must necessarily deal with the singularities, with the different possibilities and choices that are made” (Brasil, 2003, p. 10).</p>
				<p>Claiming itself as <italic>clinical-political</italic> (Brasil, 2003, p. 11), the law recommends that “the harm reduction approach offers a promising path” precisely for recognizing “each user in their singularities,” which allows us to trace “alongside them strategies that are directed not to abstinence as a goal to be achieved, but for the defense of their lives” (p. 10). On the other hand, the fact it recognizes the need to defend life, this text takes into account the existence of the death drive. The law points HR as a <italic>method</italic>, as a path, which does not exclude others, “linked to the direction of treatment and, here, to treat means increasing the degree of freedom, of co-responsibility for that who is being treated” (Brasil, 2003, p. 11). Still, it implies “in establishing ties with the professionals, who are also co-responsible for the paths to be followed by that user, for the many lives for which they are responsible and which are expressed by them” (p. 11). In politics, the singularity that is at stake is the history and the choices of each person, who will understand, in their own way, subjectivity as a result of “integration and interrelationship of several phenomena of biopsychosocial manifestation, in addition to being the location where these variables meet” (Brasil, 2003, p. 28).</p>
				<p>There is, indeed, particularities concerning the analytic treatment - and maybe this is precisely its resistance force - which are not mistaken by HR. Psychoanalysis is subversive insofar as it decentralizes the I, focuses on the unconscious determination, recognizes the field of jouissance, and aims at a treatment directed by resuming the path of desire. But, in its turn, harm reduction is also subversive, since it questions, based on the psychiatric reform, the domination of the bodies by the moral/biological discourse. It also reverses the harm notion associated with drugs, insofar it assumes that not all use is harmful. HR is part of a public health strategy and it is in this context that it becomes strong, for it is related with the concept of amplified clinic, which also comprises in its specificity the possibility of resistance, as L. Elia resumes:</p>
				<disp-quote>
					<p>We must focus the psychosocial care on its specificity, which is specified for not being based on any specialty: all professionals, all actors, all agents can and should intervene in the action and in the care, in the clinic action that is political at the same time, since it always aimed at the subject’s position in relation to the concrete social body, to the social bond, to the city and to citizenship. (round table discussion, Rio de Janeiro, October 6, 2015)</p>
				</disp-quote>
				<p>Both psychoanalysis and the HR policy assume that we need to listen to the other, because we know nothing about them <italic>a priori</italic>. In practice, we see how difficult it is for professionals not to know what is best for the patient, the clinic with drug addictions generates a lot of anguish in the very own team, particularly when life is at risk. Hence, even if it is not necessary for mental health workers to be psychoanalysts - and probably it would not be recommended, since it is not a clinic of specialties, as stated by L. Elia (round table discussion, Rio de Janeiro, October 6, 2015), and for being a multidisciplinary clinic, which must comprise different technical-theoretical knowledge and contributions (Brasil, 2003, p. 7), and the psychoanalyst is one among the various actors who constitute the field of psychosocial care -, psychoanalysis has a lot to contribute to the HR, giving voice to the subject of law, because they must have such voice, as the psychiatric reform wanted. And in order for this not to eclipse the subject of the unconscious, psychoanalysts must not retreat in the face of impasses and they must participate in this clinic, since they are just a few.</p>
				<p>Each subject finds in the use of drugs a very particular relationship with their jouissance and with the Other, and this is not universal, it does not work as the laws which - indeed - need to be universal... There is an impossible between universal policies and a clinic of the subject, i.e., one does not comprehend the other, even if the law can be more or less restrictive regarding the inclusion or exclusion of each subject, necessarily, submitted to it. Since, according to Freud (1937/2004), governing, to educate, and to psychoanalyze is impossible.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B44">Lacan (1997</xref>) formulates the ethics of psychoanalysis itself as being that of desire. In practice, not to give in to point the subject whenever he is neglected, muted and even, sometimes, literally silenced. And there are plenty of discourses to silence him. It is not just the psychiatric treatment that, when using licit drugs, has no other intention but to prevent the phenomenological manifestation of subjective conflicts, clinical orientation based on the ideology of the remission of symptoms. These, according to Freud (1926/1977), are subjective manifestations and would be the last phenomena for us to wish, as psychoanalysts, to disappear, because symptoms are signs of the presence of the subject (<xref ref-type="bibr" rid="B56">Quinet, 2000</xref>, p. 144), signs of jouissance's cipher, of the way each subject can cipher it, with their singularities. And psychoanalysis works with it.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title><bold>Health <italic>
 <bold>
 <italic>versus</italic>
</bold> safety</italic>
</bold></title>
				<p>Despite criticism that the HR policy may have faced by not considering the uniqueness of the jouissance position of the subject, for being a public policy - but paving the way for a clinic that included psychoanalysis -, the policy allowed a real questioning of the one-sided <italic>treatment</italic> that imposed abstinence for everyone and, consequently, in terms of treatment, hospitalization. It insisted on the need to decriminalize drug use to the extent that this generates stigma among users of illicit drugs. It paved the way, especially, for a clinic to assess, based on the uniqueness of each case, which way the subject uses drugs, how they enjoy it, how they use it; for some, abstinence might not be the best therapeutic solution. In addition to the field of mental health, it also implied a change in the field of safety, though not without provoking tension between both.</p>
				<p>One of the basic precepts of safety practices is “to incessantly aim at reaching the ideal for constructing a society free of the use of illicit drugs and the harmful use of licit drugs” (Brasil, 2002, not page numbers). With the inclusion, in 2003, of health promotion practices aimed at HR, understanding treatment as singularized, and not considering abstinence as precondition and predicting the user responsibility for their treatment, we have two great actors: on one side, the Brazilian Ministry of Health, and on the other the Office of National Drug Policy (from Portuguese, <italic>Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas</italic> - Senad) (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Andrade, 2011</xref>). Initially as the Institutional Security Office of the Presidency of the Republic, from 2011 Senad became part of the Brazilian Ministry of Justice (MJ) and, in 2006, it established the National System of Public Policies on Drugs (from Portuguese, <italic>Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas</italic> - Sisnad), which does not decriminalize the use for which, according to Art. 28, providing for the “following penalties: I - warning about the effects of drugs; II - provision of services to the community; III - educational measure of attendance to the educational program or educational course.” With the implementation of Sisnad, a new HR approach emerges, relating such to the hygienist model! (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon et al., 2012</xref>, p. 78). This is because Sisnad considered the harms as a fact, directly connecting the use of illicit drugs to harms.</p>
				<p>It was then that there was a transposition of the HR concept from the health field to the safety field and, subsequently, in 2011, to the justice’s. When assimilated by the legal field, HR lost the strength to reduce the harms of prohibitionism itself that, according to our hypothesis, comes from ignorance of the death drive. Culture, according to psychoanalysis, is a way of organizing the relationships between speaking beings. One cannot simply make the other their drive object, that which they want, because there are rules. Culture, or rather, the discourses prevalent in a particular culture, dictate the way the other will be treated. If in the form of treating the other rivalry prevails, that is, if the other is treated as an object and not as a subject, then the different will be subjected to segregation. Prohibitionism raises a hate discourse, resulting from drive plainness that, against life drives, has concrete effects. Effects these widely displayed by mental health workers referred to HR, as its original proposal, and that we resume next.</p>
				<p>Firstly, the deaths caused by the <italic>War on drugs</italic>. Fighting drugs introduces a series of consequences that are totally disregarded, associated with the term “war” itself. In a war, you are in a battlefield, you have to beat an enemy; the enemy, in its turn, get ready to defend themselves and fight back. Several casualties are justified by the aim sought, which is usually a consequence of massive devastation. In war, everything is permitted in the name of a breakthrough for the victory and the most vile human reactions; those which make the man the wolf to man are not only excused but, often, even encouraged. A war is never triggered without economic objectives, and these are swarming in the field of drugs, not only in the dispute between dealers for a greater trade range for their profits, but also numerous unconfessed financial interests supporting industries and governments - the aforementioned opium war is just one example of it, without the refinements that came after it.</p>
				<p>Secondly, the high potential of the harm caused by substances mixed with drugs to the body, and which can be more harmful than drugs themselves. The War on drugs is reduced without taking into account that it is necessary to clarify the population that there are such substances that contribute in no way to the pleasure that the drug, itself, provides. We ignore the possibility that there are many users who might choose not to use drugs because of the addition of these substances, these, indeed, very detrimental. This was the motto of HR in the Netherlands − to control the product sold, to reduce the harm caused by the substances added to it.</p>
				<p>Thirdly, the harms of prejudice and stigma. An issue developed by Freud (1921/2004) in the year following the writing of the text in which he conceptualized the death drive, the segregation of a group by another, promotes in both a mirroring of the “Is” strengthened by the collision between groups - precisely for making One as a group - which, among themselves, do not identify differences, making the other - that which is not part of the group - the marginal, the segregable, the intractable. Whatever the user’s connection with the drug, it does not matter in such segregation if the subject is very committed with the drug, or if they only use it once in a while. HR, to be more powerful, should be able to contradict all this, to contradict the very way to make every user of illicit drugs not only criminal, but necessarily someone who, if not, will be dependent on such.</p>
				<p>But what we can perceive nowadays is that what could be a risk becomes necessary, making the drug <italic>The Cause</italic><xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref>, and if the danger is within the substance, the only thing to do is to eradicate it (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Alarcon, 2012</xref>). We could say that this discourse takes the possible as necessary, excluding any contingency. It is also the fact that Law no. 11,343 (Brasil, 2006) softened “the wide logic of harm reduction as the opposite of prohibitionism” (Alarcon et al., 2012, p. 80), reapproaching the two fields, that of health and of justice, introducing, in 2010, the plan <italic>Crack é possível vencer</italic> [You can win Crack] and the discussion on the financing of therapeutic communities. According to L Elia: “By the bias of a supposed fight against the harmful use of drugs, the conservative forces of society” (round table discussion, Rio de Janeiro, October 6, 2015), transferring Senad to the Brazilian Ministry of Justice, started promoting judicializations, criminalizations, and gatherings in therapeutic communities with compulsory hospitalizations, earning “significant portion of the territory” (2015).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Crack! Harm reduction has stopped, or was it the death drive?</title>
				<p>The consumption of psychoactive substances throughout the history of mankind “has always been under social regulation” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Alves, 2009</xref>, p. 2,310). More recently, however, with scientific isolation of psychoactive substances and its consequent potentiality, as well as the industrialization of the drug for both therapeutic and recreational uses, such consumption extrapolated the ability of that regulation, generating “a set of social and health issues associated with it” (Alves, 2009, p. 2,310), which culminated in a “regulatory State intervention” (p. 2,310).</p>
				<p>As previously developed here, specifically on the “A brief history of the drug problem” topic, such State intervention - and here we refer to the history of drug policy in Brazil, although this has been constructed in accordance with the international regulatory policies of drug use - was eminently prohibitionist. Concerning the formulation of public policies on drugs in the country, as we have observed, the two main actors are: security and health. The paradigms on which each of them stands may include antagonisms, tensions, or even an approach. Considering this, <xref ref-type="bibr" rid="B63">Teixeira et. al (2017</xref>) are very accurate:</p>
				<disp-quote>
					<p>In the sector of Justice and Public Safety, two paradigms, prohibitionism and anti-prohibitionism, are in dispute. In the field of health and social welfare, the internment, psychosocial, and harm reduction (HR) paradigms support the actions in mental health/alcohol and other drugs. (p. 1,456)</p>
				</disp-quote>
				<p>Prohibitionism, or the <italic>War on drugs</italic>, already widely discussed in the text, aimed at a world free of drugs, and therefore, a commitment to “the prevention of consumption and the repression of production and supply” (<xref ref-type="bibr" rid="B63">Teixeira et al., 2017</xref>, p. 1,456), opposed to the anti-prohibitionism whose main debate is the decriminalization and legalization of drugs, including the use of drugs “should not be considered a criminal offence; thus, the user should be provided with treatment and care and not incarceration in a prison environment” (p. 1,456).</p>
				<p>According to the internment paradigm, which in the fields of health and social welfare is more prone to prohibitionism, the organic dimension at the detriment of others is highlighted, thus opposed to psychosocial care and harm reduction (<xref ref-type="bibr" rid="B63">Teixeira et al., 2017</xref>, p. 1456), which understand the use of drugs as <italic>multifactorial</italic> (Brasil, 2003). The internment approach as a model for inpatient treatment and its typical institution is the mental hospital, the disease is a justification for the isolation and the impossibility of the subjects for being responsible for themselves, let alone for their treatment. A proposal absolutely contrary to that of psychosocial care, which is based on the psychiatric reform, mainly on that proposed by Basaglia, aiming at local care and completeness, being such</p>
				<disp-quote>
					<p>considered both in relation to the environment, and to the therapeutic act with the individual, in which its effects do not aimed at symptomatic suppression and the required abstinence, but to the reduction of risks and harms. This care model focuses on the respect to differences, on the defense of life, and on the right to freedom and dignity of the person. (<xref ref-type="bibr" rid="B63">Teixeira et al., 2017</xref>, p. 1,456)</p>
				</disp-quote>
				<p>Well, in terms of treatment provided for drug users, prohibitionism and the internment approach defend abstinence as a paradigm, and it is necessary to clarify that</p>
				<disp-quote>
					<p>By abstinence paradigm we understand something different from abstinence as a possible clinical direction and often necessary. By abstinence paradigm we understand a network of institutions that defines a governance of drug policies and which is accomplished in a coercive way to the extent <italic>it makes abstinence the only possible direction of treatment, subjecting the health field to the legal, psychiatric and religious power</italic>. (<xref ref-type="bibr" rid="B52">Passos &amp; Souza, 2011</xref>, p. 157, emphasis added)</p>
				</disp-quote>
				<p>Despite the alliance between these fields, <xref ref-type="bibr" rid="B52">Passos and Souza (2011</xref>) show that “the relationship between criminology and psychiatry was not harmonious and complementary” (p. 157), in such a way that “it is within this power game that drug users now finds themselves faced with the power of criminology, sometimes faced with the power of psychiatry; sometimes incarcerated in prison, sometimes hospitalized in a mental hospital” (p. 157). That is because drug use is in the prohibitionism policy connected with two explanatory models: “the moral/criminal model and the disease model” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Alves, 2009</xref>, p. 2,311). Whether as immoral or as sick, the fate of the consumer is the incarceration in total institutions: <italic>Lunatic asylums, prisons and convents</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Goffman, 1974</xref>), or yet, we could currently, perhaps, consider a set of these institutions: therapeutic communities (TC).</p>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B41">Goffman (1974</xref>), the institutions have “‘closing’ tendencies” (p. 16), however, some are more closed than others. “Its ‘closing’ or total quality is symbolized by the barrier to the social relationship with the outside world and by bans to the exit, which are often included in the physical schema” (Goffman, 1974, p. 16). Therapeutic communities for drug users, as pointed out in several reports - for example: <italic>Comitê de Prevenção à Tortura do Estado do Rio de Janeiro</italic> [Committee for Torture Prevention in the State of Rio de Janeiro] (2013); <italic>Conselho Federal de Psicologia</italic> [Federal Council of Psychology] - CFP (2011); <italic>Conselho Regional de Psicologia</italic> [Regional Council of Psychology] - CRP-SP (2016) - feature characteristics of total institutions described by Goffman. First of all, because drug use is understood both as a moral issue and as a disease issue, in addition to the spiritual factor, considering abstinence as a paradigm and the isolation (hospitalization) as a treatment, which, for the patterns of the lunatic asylums, as well as of all total institutions, is exercised by a small group of supervision to “a large controlled group, which we can call the group of inpatients” (Goffman, 1974, p. 18).</p>
				<p>We should note that under the current name “therapeutic communities” are no longer part of institutional reforms that were part of the history of the psychiatric reform. Different psychiatric reform proposals came from the social reflection of human nature and its cruelty (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Amarante, 2007</xref>), since this had exposed its more aggressive face in both world wars. Thus, we can postulate that the post-war period was a propitious moment to admit the <italic>culture of the death drive</italic>, which in such were verified by the destruction caused. When admitting the death drive, we can think of new ways to cope with it. That is how “society directed its looks to mental hospitals and found the living conditions provided to psychiatric patients hospitalized there, which were no different from those of concentration camps. . . hence the first psychiatric reforms were born” (Amarante, 2007, p. 40).</p>
				<p>Between the different guidelines for psychiatric reforms occurring at that time, the Maxwell Jones’s best summarizes what we are pointing out: in his proposal, the therapeutic community concerned “a process of institutional reforms which aimed at fighting the hierarchy or verticality of social roles, or, anyway, a horizontality and ‘democratization’ process of relations, in the words of Maxwell Jones himself” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Amarante, 2007</xref>, p. 43). There is no identity between the Maxwell Jones’s proposal and the current therapeutic communities for drug users, “despite the designation” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">De Leon, 2014</xref>, p. 14). That original and innovative proposal no longer has</p>
				<disp-quote>
					<p>a relationship with the current “farms” and “small ranches” for the treatment of alcohol and drug addiction, usually religious in nature, which name themselves - opportunistically and fraudulently - “therapeutic communities” to gain social and scientific legitimacy. (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Amarante, 2007</xref>, p. 43)</p>
				</disp-quote>
				<p>Indeed, as <xref ref-type="bibr" rid="B52">Passos ans Souza (2011</xref>) remind us, both under the bias of criminology and that of psychiatry, the principle of the power of the treatment proposed by the current “therapeutic communities” is discipline - as <xref ref-type="bibr" rid="B28">Foucault (1987</xref>) theorized it - a “normalization of deviant conducts” (Passos &amp; Souza, 2011, p. 157), in which they favor, “as intervention object, the criminal, the insane, the delinquent, the ‘junkie’” (p. 157). Without excluding the disciplining of the bodies (Foucault, 1990), the “so-called Therapeutic Communities and Therapeutic Farms bring another element that does not exclude discipline, but complements it: the religious moral” (Passos &amp; Souza, 2011, p. 157).</p>
				<p>It is because we perceive that therapeutic communities are complicit with the criminal/moral model and the disease model, models which support prohibitionism, based on the abstinence paradigm, and in anything they can equate to the proposal of the psychosocial model and that of harm reduction, we can think that the increase in the financing of these communities is a rupture in the progressive direction of psychiatric and health reforms. Reforms which have led to a new form of treatment to human suffering, among them, the one of the harmful use of drugs.</p>
				<p>On the <italic>Infográficos - Estadão</italic> website, we read:</p>
				<disp-quote>
					<p>Federal Government and State do not share the same policy. While the first prioritizes home treatment, with monitoring at Psychosocial Care Centers (CAPS), the second bets on therapeutic justice, with hospitalizations - involuntary or not - in specialized hospitals and therapeutic communities for stopping the consumption for good. A mismatch that only harms those who try to beat the addiction drama (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Brandt, 2017</xref>).</p>
				</disp-quote>
				<p>Indeed, some authors have been observing the rise of hospitalizations of drug users, initially by local incentives, particularly in therapeutic communities that, as we know, have important associations with religious institutions. Currently, therapeutic communities, although often autonomous in regard to each other (<xref ref-type="bibr" rid="B26">De Leon, 2014</xref>), emerged from a common guideline, “an esoteric and alternative self-help approach towards a modality of human care” (p. 27), aiming to provide “moral and ethical limits and expectations of personal development” (p. 30) with the following methodology: the use of “positive reinforcement, shame, punishment, guilt, examples, and the behavior model” (p. 27).</p>
				<p>Gradually, the Federal Government also comprises as a policy to hospitalize users, as it did before the Constituent Convention and, according to the current Minister of the Social and Agricultural Development, Osmar Terra, “The CAPS have no practical result. [. . .] the following day, they are using drugs again, because there [at the CAPS] they say: ‘that’s ok, just don’t smoke in a can, use a glass pipe, use a disposable syringe’” (<xref ref-type="bibr" rid="B47">Mariz, 2017</xref>, no page numbers). Having ridiculed all the work of CAPSad, the current Minister advocates towards the criminalization of the user and small drug dealer, since, according to him, “there’s got to be some kind of punishment, or [the user] will consume more” (<xref ref-type="bibr" rid="B49">Melo, 2016</xref>, no page numbers). Minister and physician, he is “the author of the law that provide for increasing the penalty for trafficking and compulsory hospitalization of users,” and his first intervention, after appointment, directly affected the National Council for Drug Policy (from Portuguese, <italic>Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas</italic> - Conad). “With the argument that the body would be dominated by an ideological thinking pro-legalization” (Melo, 2016, no page numbers), he replaced the representative in the folder of the Council, Rodrigo Delgado, and exonerated the sociologist from the post of General Coordinator in the National Secretariat of Social Welfare of the Brazilian Ministry of Social Development. Acting as if it was possible to eradicate, by decree, the death drive; therefore, reviewing the capabilities of “health, justice, social welfare professionals, community leaders and other actors involved in the drug issue” (Mariz, 2017, no page numbers), the Minister thinks the current [policies] “do not encourage treatment and abstinence, and just focus on harm reduction policy,” and abstinence is not defended, thus, for Terra, “it is a wasted money” (Mariz, 2017, no page numbers). What make us astounded in such observation is that it was made by a doctor. . . Which witness a huge chasm settled in this field: on one hand, the militants of Hygienism - of which the Minister is obviously a partisan - on the other hand, the daily life of health workers, in particular of mental health, seeking to sustain the HR. For the former, the citizen is an object of biotechnologies, ignorant of themselves, to be subject to disciplines - in the Foucaultian sense of the term -, contrary to the subject of psychoanalysis. For the later, psychoanalysis can come to their scope, where, often, it lacks a theoretical support of a practice known to be part of the civilization and its discontents. But the burning question remains: if investing in CAPS is a waste of money, to where should the public funding go? To new therapeutic communities? To new lunatic asylums?</p>
				<p>Aware of the concept of the death drive introduced by Freud and resumed by Lacan, mainly from the field of jouissance, psychoanalysis can help sustain an ethical positioning that allows working with the subject of jouissance that every citizen is. Even without being based on psychoanalytic concepts, the HR, the way it was practiced before its association with this new hygienist policy, supported life drives, since it provided as a treatment the resumption of bonds, enabling new investments considering what is possible for each person. Despite working with prevention, rehabilitation, etc., on the everyday clinic it was carried out in a case-by-case basis, considering what was possible in each case. Are we witnessing its opposite nowadays? A reality in which a Minister seeks to subdue a citizen, to make them correspond to what is expected in the discourses of domination, object of segregation? Would this not be, at least, as lethal as drugs are regarded? Or does he believe it is possible to end the death drive by decree?</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn7">
					<label>7</label>
					<p>According to Mesquita (1994), in 1989 there was, in Brazil, an attempt to implement a program like this in the city of Santos, in São Paulo state, but it was contrary to the legislation in force and, therefore, was suppressed by Brazilian authorities.</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn8">
					<label>8</label>
					<p>In slang, <italic>quebrada</italic> refers both to sinisterness, a place with little security, but also an alternative place.</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn9">
					<label>9</label>
					<p>According to Bertoni and Bastos (2014), &quot;we can not say whether or not there is an epidemic of crack use and/or similar in the country, since technically an epidemic can only be characterized from results obtained from a historical series of records of estimates/accounts of the phenomenon under analysis&quot; (p. 145, free translation).</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn10">
					<label>10</label>
					<p>Compulsory hospitalizations are provided for in Law no. 10,216, 2001. According to such, this kind of hospitalization occurs by determination of Justice. Art. 4 of the same law states that: “Hospitalization, of any kind, will only be recommended when non-hospital treatment resources may be insufficient” (Brasil, 2001, no page numbers). Several episodes of State intervention in the so-called <italic>Cracolândias</italic> (popular name given to areas in downtown where there is intense presence of crack users. The name derives from “crack” and “land”, as a “crack land”) raised the discussion on compulsory hospitalization, considering the notorious inadequacy – or even frequent lack of application – of <italic>non-hospital resources.</italic> We identified the police operation that took place on May 21, 2017 at the <italic>cracolândia</italic> in the Luz neighborhood in São Paulo, as the landmark of the intensification of forced hospitalizations. The event was widely disseminated in the media, generating a great discussion concerning the proposed compulsory hospitalizations, not only in academic means or supported by health professionals, but in the society as a whole.</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn11">
					<label>11</label>
					<p>According to Datafolha survey, “60% of residents of São Paulo approve the action in <italic>Cracolândia”</italic> even if 80% are “in favor of mandatory hospitalization for the treatment of users” (Brandt, 2017).</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn12">
					<label>12</label>
					<p>With the emphasis and the use of capital letter, we seek to stress <italic>The Cause</italic> here taken to be unique, full, total.</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>
</article>